Retornando as lembranças

Fiquei um tempo afastado da internet. passava o dia todo diante do computador escrevendo e editando textos, postando, procurando editoras, lançando livros, vendo os números de visualização, fazendo merchandising, e sonhando com o dia da fama. Tremenda besteira. Estava ficando chato, eu não pensava em outra coisa. Coloquei Isis para me ajudar. cada um em um computador e ela ia pegando as fotos e editando algumas coisinhas no blogue enquanto eu escrevia e enviava para o email, lá ela lia, editava e colocava no corpo do post, eu conferia e publicava. Daí vinha as inúmeras contas para curtir e compartilhar os posts e assim milhares de pessoas liam meus textos, era bom, uma sensação energética de exposição e os números aumentavam, gostava dos numeros, eles canalizavam minha ansiedade em chegar onde queria, a grande editora.

Isis me tirava da cidade quando o estress estava transbordando e atrapalhando nosso convívio, iamos para a casa dos seus tios num condominio fechado em Sorocaba, onde alguns cantores sertanejos e socialites de familia de arquitetos moravam. Ruas calmas, vazias, boas para dar uns perdidos e acender um cigarro de maconha, mas o medo falava mais alto. Tentamos na primeira vez que fomos lá juntos. Saímos a noite, de chinelos, arrastando, rindo, no cair da noite. As casas estavam apagadas, nao tinha sinal de gente na rua, mas não tinha como acender ali na luz dos postes. Vimos um clube, estava fechado, tudo apagado, uma boa, pisamos na grama, entramos e sentados em dois balanços. ficamos balançando devagarinho, e um farol passou por nossas caras, era um policial de moto rondando. tinha achado estranho um casal naquele horário vagando por ai e foi nos espiar. guardei a erva no bolso e engoli seco. ele não ia sair da moto, pisar na grama só pra vir nos advertir de sabe lá o que, já que somos livres e estamos num pais livre e se a gente quiser sair as dez horas da noite num condomínio fechado e deserto para andar por ai e sentar no balança, temos todo o direito, então ele não se aproximou e nem disse nada, ligou a moto e saiu fazendo aquele som que motos de ronda fazem, e nós nos entre olhamos, segurando o riso que só o medo da. Uffa. Não fomos pego, essa sensação de ser vigiado e que a qualquer momento poderão me pegar no flagra com a erva era novidade. Adrenalina proibida. Isis. aqueles foram tempos inativos, no piloto automático, eu estava prestes a acordar e quando isso aconteceu você não estava mais ao meu lado, eu tinha lhe chutado, pisado e cuspido em sua cara sem enxergar o que fazia.

Nada como o tempo. mas nada será como foi um dia. Guiga me lembrava das tardes tranquilas no telhado, vendo o sol se por, jogando conversa fora, rindo a toa, comendo bolachas que nós fizemos com um pouco de erva. Escondendo da minha tia e dos meus primos. Eles foram joga video game no meu quarto. Estava todo equipado com uma televisão grande e os ultimos consoles. Jogamos em quatro pessoas o jogo de sempre. de tiro, e foi uma gritaria. os animos se exaltavam ao matar o outro e fazer pontos. os primos estavam finalmente se dando bem e gostavam demais de Isis, ela era como se fosse da familia, como se tivesse nascido ali com eles, e não só eles mas o resto da família gostava dela desde a primeira vez que pisou em casa.

Bom, tudo começou quando a gente marcou de se ver e infelizmente fomos direto para o que interessa. Daí viciamos um no outro, falei um eu te amo enquanto a gente fazia amor e aquilo ficou gravado na cabeça dela, e ela gravada em mim. Não parecia certo cada um ir pra sua casa. Então a trouxe num ato impulsivo clandestinamente para casa, alegando a minha mãe que era uma amiga e que íamos fazer um trabalho muito importante da faculdade e coloquei o colchão na sala e dormi no sofá. Bem, essa era a ideia. Quando chegamos em casa Noah já estava dormindo, ou tinha ido deitar mais cedo com raiva e ciumes de quando eu trazia alguém para casa. Colocamos um filme pra rodar. eu no sofá, ela no colchão a baixo de mim. Não deu pra aguentar, ouvia os roncos de Noah, ela estava dormindo, não ia nos pegar. Pulei para o colchão, juntei meu corpo ao de Ísis, ele estava quente esperando o meu para queimar.  Acabamos que não vimos filme nenhum. namoramos feito marido e mulher, dividindo a cama de solteiro no chão. Confortavelmente com ela dormindo nos meus braços. esqueci de voltar ao sofá. O dia amanheceu e Noah acordou. Se trocou, fez café, colocou comida para o gato e daí eu acordei, pulei para o sofá e fiquei rindo cobrindo a cabeça. Noah foi trabalhar e voltei pro colchão. Nenhum sinal dela ter percebido. Eramos clandestinos.

 

 

 

 

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