Sweet Dreams

SWEET DREAMS

Olhos fechados pulavam e dançavam na pista. costas se esbarrando, braços suspensos no ar. as pernas soltas, os quadris acordados, mexendo, remexendo. as batidas eletrônicas sincronizadas com a iluminação psicodélica. e tinha uma certa gracies naquelas cores.

luzes roxas e azuis escuras pintavam seu vestido branco. ela brilhava nas luzes coloridas da noite como um quadro constantemente manchado de tinta negra. Ely dançava. eu bebia. existiam mulheres muito bonitas no mundo e naquela pista mas Ely era Ely. como descrever para você? as luzes piscavam, ela desaparecia, meu coração acelerava, para onde foi? os braços levantados, se enfiando na multidão em transe pelas batidas e o drink. kiwi, maracujá, morango, abacaxi, descendo doce pela garganta. ela reaparecia entre as doses de vodka e energético que eu tomava no balcão. a bebida me deixou turvo e pesado. nao dava para ir pra pista dançar e me aproximar de Ely daquele jeito. arrancaram uma de minhas pulseiras. primeira saída para fumar. o guarda era a imagem de guarda padrão, cara fechada, óculos escuros, fone esquisito escondido na orelha, mãos juntas, cozinhando um belo de um murro caso precisar, indicou com a cabeça que eu fumasse na outra calçada, para não sujar o nome da casa. cada coisa acontecia lá dentro mas por fora tinha que manter as aparências. respeitei. atravessei a rua cambaleando e procurando por luzes vermelhas e azuis, nada de enconcrenca. acendi. puxei e já senti as coisas dando uma acalmada. ah, que alívio. menos cambaleante e mais confiante, voltei para a pista e nem liguei para o guarda mal encarado, afinal todos são. o som estava distante. as pessoas dançavam lentamente e tinham expressões engraçadas, era o efeito do bagulho. Ely descansava sentada em um sofá vermelho numa área separada. um cara com o cabelo chupado e sueter fino lhe abraçava os braços brancos e nus. a brancura do vestido misturava com a clareza de sua pele e as luzes coloridas continuavam a lhe pintar, dançando no seu corpo imóvel. Ele bebia com mais duas garotas que não dava atenção. estavam ali como enfeites e suas caras de modelos anorexas era uma flagelo perto do corpo farto e de traços suaves de Ely. ele tentava alcançar seus lábios mas ela desviava sem parar de sorrir para os seus gracejos. mal via a hora das outras garotas sugarem o cara e lhe deixar em paz pra dançar e curtir a noite livre. improvisei uma dança de robô deslubrificado e cheguei perto da onde eles ficavam. dois seguranças fecharam a entrada. eu não tinha a pulseira dourada pra sentar naqueles sofás glamourosos. as garotas atacaram o sujeito rico de sapatos caros. Ely pegou seu drink, levou a boca e nossos olhos se encontraram nessa hora. sua franja quas tocando os olhos, os lábios vermelhos, as bochechas rosadas, e aquele olhar de que sabe o que estou pensando, me paralisaram e o tempo parou. ficamos assim, por longos minutos. músicas começavam e acabavam. as garotas beijavam e acariciavam a carteira do cara. as luzes piscavam explodindo em cores e fumaça, e os nossos olhos deitados no outro. tentava lhe dizer por telepatia que ela não precisava mais daquilo mas algo em seus olhos perdidos me diziam que ela já tinha chego naquela conclusão e que não passaria daquela noite, se libertaria. as portas se abriram. as garotas se levantaram arrumando as saias. ele fechava o sinto. era a hora. estiquei a mão para Ely entre os guardas brutamontes e ela segurou meus dedos, escapando de mim. se debatia nas mãos das garotas que lhe impediam de sair. nem para isso o cara servia. fazia suas criadas prederem minha musa. estava sem saída. coloquei a cabeça pra pensar. trouxe copos de vodka gelados para os guardas. fiz amizade com eles me passando por um amigo gay da garota bonita do vestido branco que estava sentada no pedestal daquele cara rico e chato que tanto tratava mal esses dois pobres guardas cansados dessa vida noturna e imprevisível. deixei eles tão cambaleantes quanto eu e no fogo da amizade bêbada deixaram que eu entrasse. Ely dançava quase nua para o cafeta. ele sabia que eu estava de olho nela e se deliciou com meu plano de embebedar seus capangas. Ely parou de dançar cobrindo o corpo envergonhada. tinha lhe sobrado decência mesmo nesses anos promíscuos que levava para ganhar a vida. gostava daquilo, era como uma bela flor no deserto de pedra. ficou eu e ele parados, se encarando. ele, quase dois de mim. eu, quase duas vezes mais bêbado do que ele. estava com sorte. nos aproximamos e quando todos pensaram que ia ter uma briga, tirei um cigarro de maconha do bolso e coloquei na sua boca. acendi e ele me estendeu a mão. conhecia o malandro. Derick.  tirava uma grana das garotas mais incríveis de São Paulo. e era o fim da linha para a garota de branco. viramos uma dose e nos abraçamos com um beijo no rosto, costume que criamos nos tempos de igreja. apertamos as mãos. Derick era um homem de palavra e gostava de me desafiar. “essa despertou, vai comigo”, falei apontando para a de branco que se escondia no seu cabelo. segurei a sua mão. ela, sete centímetros maior que eu. e fomos para fora daquele inferno temático. acendi dois cigarros no meio da rua e a oferecia um. ela não sabia quem eu era, mas eu sabia quem era Ely.

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