Das cores

Das Cores

garota, agora que podemos falar melhor, sem aulas ou trabalho para impedir, é que fico sem o que dizer, tentando criar as melhores formas de contar como foi a primeira vez que nos vimos, e ter ido na praça pôr do sol, pelo único caminho que conheço, mais ou menos uns vinte e cinco minutos de descidas e ladeiras da parte nobre da Vila Madalena. passamos por bares que ficam num cruzamento de esquina e parece ser muito bom comer naquele lugar, e enfim chegamos. eu suando frio com medo de você não ter gostado de tanto andar e me ouvir falar um monte de besteira e momentos de silêncio mútuo, daqueles compartilhados e que não fazem mal, e enfim chegamos, o sol laranja brilhando daquela maneira que tardes douradas e eternas brilham, já quase encoberto pela outra face plana do planeta. procuramos um canto livre naquele mar de gente que via o espetáculo. sentados em volta de toda a praça, em grupos de três, quatro, cinco nos muros, casais na grama de baixo de árvores, colegas na calçada, em cima de morros, cada um com a sua bebida, cigarros, brisas, mundos e outras maneiras de passar uma tarde na praça pôr do sol. sentamos num morro de gramado inclinado, a bola de fogo descia mais rápido agora que podíamos ver seus movimentos em declínio atrás das nuvens, acentuando suas curvas solares, e raios gamas, amarelados, esverdeados, avermelhados, alaranjados, refletindo por onde o sol descia, nos dando adeus, descendo, sumindo, dormindo ao Oeste. um azul rubro vinha do leste, fechando as cortinas da janela do globo, escurecendo o teto de vidro, e os pontos de luzes fora do aquaria brilhavam, nós a chamávamos de estrelas, era tão linda essa palavra, “estrelas”, e universo ou galáxia ou constelações, então? eram tantas as histórias lidas sobre as falsas idas à lua e satélites e dezenas de planetas perfeitamente redondos, multicolores, com anéis estelares e a porra do buraco negro que engole tudo, que aceitamos como parte de nós, e falamos do universo, em pensamento, claro, as bocas se ocupavam de salivar e circular pela a outra, seus lábios macios como travesseiro deitava os meus, pondo os para dormir e cuidando deles, mordendo-os, chupando minha língua, como quem estende seu corpo e o alivia, e eu sentia meu espírito aliviado, respirando, você me filtrava.

Não sabia explicar ali na hora, você deu a chance para eu falar e continuar com todas aquelas palavras bonitas que falamos tanto no telefone, nas ligações, em noites varadas conversando e rindo assim sem motivos, daquela maneira gostosa e espontânea de rir, e aí? cadê? cadê? sentados, olhando para frente, os carros, os prédios, as camadas de larguras lânguidas de cada prédio e avenida minúscula no fim do horizonte, construções, muitas delas, fábricas, bancos, escritórios, flats, duplex, triplex, prédios altamente corporativos e espelhados, prédios de arquitetura moderna como os da paulista e os de nova york e china e dubai, e árvores, não poucas, mas não muitas delas, deveriam ter mais, em todos os lugares. bom, pensava em tudo isso mas em nada que lhe agradaria ou que fosse vencer as minhas energias que eram sugadas para o seu corpo, suas pernas lisas e chocolates, as coxas grossas, daquelas que você aperta com gosto e sente uma satisfação plena de que segura a pernas mais linda de sua vida e que estava de baixo do mesmo céu que el. enfim, estávamos na praça pôr do Sol, e ele de fato tinha se posto e pomos-nos a deitar na grama num beijo seguido de puxão de cabelo enrolados da nuca. você deitou primeiro e encaixou bem na minha visão por de baixo dos meus peitos e olhos, só deixei que a força da energia que me puxava me engolir nos seus braços, e deitei por cima do seu corpo, ladrilhando-lhes com os dedos e apertando e agarrando forte daquela maneira que ofegamos e juntamos mais os corpos e os dois suspiros cesam no mesmo instante e nos olhamos entre os beijos, e sinto que não estou sozinho e que você está ali de verdade, não apenas no beijo, não apenas no desejo, não apenas no encontro, não apenas na praça. você estava viva, sorridente, com a lua nos olhos, jaqueta de couro, e eu louco pra tirar a minha da bolsa e ficarmos iguais, deitados na grama, dois jaquetas de couro que presenciaram mais uma dormida do viajante das planícies terrestres, e a noite caiu e a temperatura também, daí vesti a jaqueta e me senti bem. Só não fiquei melhor porque tinha um cara mais abaixo de nós, num muro, conversando no celular, bebendo uma latinha de cerveja e olhando de vez em quando para as suas pernas. Coloquei a bolsa na frente das suas pernas tampando a visão do paraiso daquele tarado desonesto e voltamos a chuvarada de beiços e dedos.

Você me surpreendeu, abrindo meu zíper e as pernas lentamente para mim. Colamos as pernas e a mochila pra tampar nossas vergonhas e a fonte da dormência no quadril, e mais do que isso, mais do que prazer, mais do que desejo, mais do que masturbação, mais do que coração batendo forte, mais do que sangue pulsando rápido, mais do que arrepios nas espinhas, mais do que dormencia no corpo, mais do que delirios de uma punheta na grama, mais do que olhos rodopiantes em siririca na moita.  mais do que fizemos foi o que sentimos, você, sem saber explicar, apenas deixou no ar, deixou que eu entendesse da maneira que quisesse, ou que não pensasse, mas sentisse e era isso que eu fazia, e era como se já soubéssemos de tudo isso bem antes, e nem precisamos soltar aqueles famosos “parece que já nos conhecemos”, porque era fato, se não nessa vida em alguma outra, tivemos tantas com outras idades. você me veio mais nova desta vez, e o incrível era que os números de nada valiam, dezesseis, vinte e um, não importava, estávamos plenos, sem querer ter a razão, mantendo a paz em silêncios gostosos de ouvir. estava tudo bem. só não tão bem porque conversávamos alto e nos pegávamos forte deitados na grama como se tivéssemos numa cama transando, estava quase para acontecer. levantamos, sem graça, estiquei as pernas, tirei as folhas da sua bunda maravilhosa sob a saia, e fomos, tortos, caçar outro lugar mais vazio pra ficar. nos metemos num morro muito íngreme e que não dava para atravessar. eu ainda não entendia onde íamos, e acho que você também não, mas a gente não desistiu de procurar, isso graças a você porque eu desistiria num instante, estava quase sentando em qualquer lugar mesmo, só que a energia magnética do seu corpo me puxava como fez desde a hora que nos encontramos, e subimos um morrinho da praça numa parte de grama de baixo de uma árvore, no alto da avenida que passava no final da praça por do sol. Vimos as casas lá de cima, sentados, escondidos pelas folhas e pela árvore. carros paravam no farol, ônibus no ponto ao lado, e casas nos cercavam.

Nós sentamos na grama encostados na parede e parecia que ninguém estava nos vendo, então o que iniciou no meio da praça continuou ali como que automaticamente e nos grudamos e as mãos em privacidade momentânea se deleitaram nos nossos sexos. eu separava delicadamente suas pernas, elas não ofereciam resistência e isso me enlouquecia enquanto seus dedos sorrateiros desciam pelo meu abdômen de chop, abrindo novamente meu zíper e pegando-o com suavidade. porra! apertava o corpo daquela mulher. nos juntava e me contorcia sobre o seu que nem cobra, duas cobras. chupava-lhe os peitos negros, com bombons no meio, endurecendo. os bicos endureciam nas minhas sugadas. “chuuuupppt, chuuuuuppt, stockk”, estavala a lingua no puxam excitante. tirou meu pau da cueca e punhetou, massageou as bolas, o acariciou sem pressa, deslizando os dedos por ele desde a cabeça aos bagos, você sabia bem o que fazia. a beijei, queria demonstrar de alguma forma como ela fazia tudo aquilo tão lindamente bem e que era mais do que me masturbar, e meus dedos molhados entre suas pernas demonstravam bem isso, podia ver nos seus olhos saindo da órbita e as mordidas de seus lábios e as contorções de seu corpo e o ritmo acelerado da punheta. bom, as energias circulavam em harmonia, agora que ela tinha filtrado as energias pesadas do meu ombro, e os dentes vampirescos dos meus tendões. meu corpo estremeceu de leve, em curtos espasmos, mais relaxados do que tensos, e a puxei para meu colo, segurando com vontade suas nádegas impossíveis de espalmar de tão grandes e gostosas, e seu corpo ficará em evidência de baixo das luzes do farol, e eu a admirei em segredo.

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