Bubies

Bubbies

(.)(.)    (. )( .)

( Y )   ( Y )

(.)(.)

( Y)

 

1 – peace, stop please!

 

 

Marteladas

cachorros bravos rosnando

estouros, tiros, baques

tumtum tumtum

dor nas córneas

nos olhos, nas costas,

 

rápido! rápido! levante

está atrasado!

 

o relógio pisca

sete e vinte e quatro.

é…

atrasado.

 

Vou caindo das camadas

do sonho,

tropeçando

em queda livre,

 

desespero

do corpo caindo

a terra nos engolindo

tudo ruindo

de volta ao pó

sem dó.

 

Bombas caem lá fora

e a chuva também

o dia vai embora

e os rostos também,

 

os amigos se formaram

casaram

mudaram

suicidaram

venciam,

 

e na terra era derrota

leis e ordens

choro escondido

vazio.

 

Acordei cedo. Barulho de televisão, metro fechado, terminais vazios, pneus queimando na rodovia, previsão de dor de cabeça e estresse ao longo do dia com nuvens carregadas e nada do sol. era o jornal da manhã. Cinzenta. seis e vinte piscava no canto da tv, em baixo do salto alto da morena que apresentava a previsão do tempo, não conhecia seu rosto, cada mês era uma que nos servia de Deus do tempo falando quando ia chover ou fazer sol, ou tornados vindo do leste. Mudei de canal. paralisação, mudei, greve dos bancários, mudei, manifestação, mudei, reforma política. Desliguei. Não estavam falando mais das bombas que caiam no oriente, daí pensei nos hospitais e nos doentes que precisam se locomover e voltei a ver o jornal, torcendo para que tivesse ônibus para eles, coitados, desamparados e esquecidos.

 

Era o ano de dois mil e dezessete. Morava em Diadema, trabalhava na Paulista e estudava na Vila Mariana. Viajava todos os dias, de três a quatro horas rodando, rodando, rodando, em média cinquenta quilômetros por dia. Isso quando não acontecia de ir encontrar uma leitora, amiga, amigo, escritores, editores, bêbados ou andar por regiões mais distantes e desconhecidas do meu mapa. Nada de que eu precisasse era perto, minha vida acontecia em São Paulo. Diadema servia como dormitório e poço de ansiedade pela distância da vida, da vida que me chamava para a rua e a estrada.

 

A primeira chance que me aparecesse eu agarraria.

mas ela me agarrou primeiro.

 

Bubbies estava de mudança, dali dois meses iria pra Augusta, morar com um amigo. Mas eu não sabia disso então tudo bem. Ela ia trabalhar durante o dia e eu partiria enfrentar o trânsito do país parado e chegar a sua casa antes que anoitecesse e o caos se instalasse. Coloquei uns livros na bolsa, cuecas, meias, calça, perfume, bloco, lápis, caneta, cigarro, seda, erva, isqueiro, carregador, a maquinabook, os teclados que teclam sozinhos, e outras coisas desse tipo que não lembrava. Queria levar minha cachorra, mas não podia. Antes de pôr tudo na mochila, sentei de frente as letras brancas gravadas nos quadradinhos enfileirados em cima da mesa e pus os dedos para funcionar. Timidos no inicio, sempre pisando em ovós, fugindo das teclas, tateando um cigarro, um copo gelado de vinho barato, retornando embriagado porém lúdico para a chuva de palavras atropeladas, do mesmo jeito que falo, e encho os ouvidos dos outros das coisas da minha cabeça. Bubies gostava de me ouvir, pedia pra que eu tagarelasse no telefone até ela dormir, costumávamos apagar antes das conversas se alongarem por toda a madrugada, como se tivéssemos numa mesa de bar, cerveja atrás da outra, falando sobre tudo e o nada, e vendo sentido em tudo aquilo. Bubies só deixando estar, eu, buscando o equilíbrio, ela sabia disso sem ficar me avisando ou contando vantagens ou me agradando, você entende.

 

Ondas invisíveis como imã puxavam meu corpo. Olhei no relógio 11:11, sempre estava iguais quando eu olhava, esquisito. Tentava procurar uma explicação para todas as coisas que via e sentia perceber além do que elas eram, entende? Mas eram muitas informações, muitas tentativas, pouco foco, muita ansiedade. Ficavam no caminho, com uma pequena base e eu vomitava, fazendo ganchos com outros assuntos, vezes irrelevantes, vezes importantíssimos, ao meu ver. Daí veio o estopim, não preciso disso, não precisamos impor, mas dispor. E eu estava disponível. Fui pra rua, ver Bubbies.

 

 

2 – Piercing, Tattoo in Bubbies

 

brammm brammm bubiies

bubisss bout bubesss

 

beautibubis

bealtiful beats

and

bubbies

 

Pequenas bolhas respiravam entre os dedos e o cabelo negro de Bubies. Deixava a água cair nas costas, shampoo, condicionador, esfregava o cabelo, vai pra de baixo do chuveiro, o vapor cobrindo o banheiro como uma fina fumaça de sauna das cabanas de índio que eu tinha comentado, de olhos fechados, cantando versos de Arabella. Entrei na ponta dos pés, não queria atrapalhar o momento dela, cantando como uma menina na casa dos pais, em um final de semana qualquer, curtindo a banda favorita, nada de trabalho no outro dia, ou provas da faculdade, a vida era ouvir os melhores sons do momento, ficar de bobeira com o quarto só para ela e uma tarde livre pra ir na esquina dar uma olhada nos carros e nos pássaros. Era isso que sua voz passava para os meus ouvidos. Deitei na cama, a porta ficava a direção do meu umbigo. Cruzei os braços para trás da cabeça, acomodei meu corpo duro e tenso na cama, a cama de Bubies. Uau, devia ficar quente, tremendo e nervoso como todas as vezes que me via diante de uma cobrança ou pretensão, mas não na cama de bubies, ouvindo-a se libertar com a escova de dente de microfone e o celular transportando-a por minutos úmidos á um palco para sua alma, e luzes nos seu rosto, nuvens nos seus pés, os versos saindo fluidos, como se a música fosse feita para nós, e assim ela cantava, e eu imitando dedilhados numa guitarra invisivel com a mente, não queria me mexer, não agora, não sem bubies que ensaboava seus peitos, passando o sabonete por de baixo, e eles, redondos, rosas, firmes, confiantes. Gotas escorriam pelos desenhos eternizados em sua pele, nas tatuagens entre os peitos rosados metálicos e a coxa. Um som se engolindo, desligou a resistência, banho tomado. Ouvi-a puxar a toalha e se enrolar nela. A tensão voltou, relutei para ficar calmo, com boa expressão facial, e bom, se ela for se trocar na minha frente, o que há de errado? somos adultos, consigo conversar olhando em seus olhos e rindo das piadas, suas curvas passando de lá pra cá, meus olhos vagando num livro, ou compenetrado em algum assunto que dura o tempo dela secar o cabelo, vestir uma camisa solta e fina como segunda pele, marcando os bicos e os metais pontudos despertando da camisa, e o tecido delineado sob os mais redondos seios maravilhosos de São Paulo. Ela era minha musa. Melhor, minha amiga.

Na sala, Bubies deitava toda jogada nas almofadas fofas do sofá, sorria com facilidade, olhos marejados, a cerveja na mão, bebia de goles grandes, ouvindo a minha chuva de palavras, bla bla bla bla bla, as vezes ela estourava de rir, arregalando os olhos pra mim perguntando “você também??”, e deixava o assunto se esvair e ia para outro, e outro, e fluia. Quando os dias dos seus últimos 21 anos foram de estresse constante, a cobrança do mundo, o peso nas costas, bom, seus músculos serão tensos, e terá espasmos, tremeliques, onde sentar irá incomodar de tal posição e vai se mexer constantemente até encontrar uma posição boa pra relaxar o coxis. Bubies levantou “vem, vamo pro quarto”, me chamou indo na frente, levantei com calma, pra não forçar a barra nos tendões, para que pressa naquele momento, não é mesmo? Onde Bubies estava indo? Meu deus apertei o passo para alcançá-la no corredor que a fazia sumir. Pisei em falso e o tendão do dedo do pé distendeu levemente, lembrei de quando fiquei travado no meu quarto depois de ter distendido, não podia fazer nada, apenas diminuir o passo, ela me esperou solidariamente na porta, notava que agora eu estava mais pálido e meio manco, quis rir e riu, levantei os olhos pra sua gargalhada querendo fuzilar seus pâncreas quando vi o seu semblante acolhedor e meu riso reciprocou instantaneamente, ajeitei a postura, peito estufado, rindo, a visão clareou, uau, corredor, porta, Bubies, cama. Sentei, gostava do quarto, ela pegou o cobertor, ajeitou na porta do guarda roupa e na maçaneta e estávamos dentro de uma cabana. Tirei a ganja do bolso, enfiei o cigarro na boca e o puxei flexionando os lábios umedecendo-o e ascendi, era uma cabana de índio.

 

A coberta servia para manter a fumaça e o thc na sauna, e aproveitando o frio do final de abril. O tempo parado, podíamos ver as nuvens cinzas esverdeadas pairando nas nossas cabeças. Eu soprava os males do pulmão e coração que chocavam na coberta. Bubies soprava bolhas de sua aurea e elas se aglomeravam em volta do meu corpo e eu flutuava, relaxando no sofá como se estivesse na minha casa, e era isso que sentia, sinalizando na minha mente “segunda casa…”, Bubies tinha me dito que morava sozinha,  “aqui vai ser sua segunda casa…”, e que era minha, “segunda casa”, daí a voz sumia e a verdadeira, em carne e osso retornava, não falando mas olhando para mim em soslaio, notando meu silêncio, “hum, ah, deve estar nas suas contemplações como falou que aconteceria… gente… não é que esse moço é real… fica aí pensando tanto tanto, no que tanto pensa?”, e eu abria um sorriso dizendo “ahhh, belas pernas, ahhh mas sem machismo, não, não… veja bem…”, e vinha o discurso desconstruidor que servia como um mantra e me fazia pensar fora da caixa e agir diferente dos meus semelhantes quando achasse que tinha de fazer, e sem apontar para o certo ou errado deixava bem claro os meus pontos de vista e adiantava um mar de informações como um trem desgovernado. Bubies tinha medo de pessoas intensas, mas isso era só um detalhe.

 

3-  Borba

Conheci Bubies num dia que estava indo para o trabalho, passando mal, vendo o cansaço e o ruir das coisas, do transporte público, do mundo de madrugada e no silêncio do dia e no sistema, travando, querendo uma fuga desse caos, bebendo, fumando pra aliviar, como de costume. bolando um beque escondido no banheiro numa boa, tomando um chá gelado na máquina de expressos, pegando a vista da paulista da sacada do meu andar, vendo o mundo ruir. Deu o horário, caí fora. Ia tomar uma cerveja na borba e depois vir embora escrever.

 

Fumei uns cinco cigarros atravessando a avenida paulista e seus altos andares de arranha céus colossais erguendo-se aos céus, quase tocando as nuvens, como torres de babel, controlando a economia da cidade, tão importantes quanto a fumaça soprada do meu pulmão. Descia a Augusta terminando uma cerveja que peguei no primeiro bar da esquina. Bares e mais bares, e mesas e garrafas e pessoas de todos os tipos e um fluxo incessante na busca da loucura e de uma dose a mais. Sentia que gostava de pensar que era meu lugar, mas para ser visto de uma janela, protegido dos seus males que invadem até nossos quartos.

 

Sentei na mesa e deixei estar. Garrafas de cervejas apareciam. Eu não tinha pedido nenhuma. Bebia, sem perguntar suas origens e escrevia sobre vivermos em bolhas. Eram tempos difíceis dentro da minha cuca. Queria externar todas as informações dali de dentro e só o que conseguia era esvaziar os copos. Alguém naquele bar entendia muito bem do que eu precisava. Uma cabeça apontou de trás de costas na fileira do balcão. Sorriu para mim com afinidade e fez um v com os dedos mostrando a língua, só a ponta. Continuei bebendo, meio bobo, e ela passou por mim e deixou um bilhete anotado a mão. Senti o êxtase chegando, letras de forma, um tesouro para mim. Degustei cada letra, era um convite para um bar retro no outro dia.

 

4- Escrita e a Alma

Fui para o local marcado, Moema, ansioso para encontrar com Bubies. Era uma leitura de Bukowski num bar bem anos sessenta. Fiquei próximo do palco ouvindo os versos massacrantes daquele velho safado. Morreu um ano antes deu nascer, maldito. Bebi umas boas cervejas em sua homenagem e tomei coragem pra ler umas linhas, a plateia estava sedada, tiveram dias cheios, e tomavam todas para escapar do caos e tédio. Segurava com firmeza o livro preto de titulo amarelo, “o amor é um cão dos diabos”, onde tinha conhecido os poemas mais sujos e sinceros sobre esse tal de amor. Falava com convicção no microfone, ciente de que aqueles versos não eram apenas linhas num livro, mas uma visão da vida nua e crua, pelada na nossa frente, com todos os seus segredos e mistérios revelados. Uns se assustaram com toda a emoção que estava colocando na leitura, outros riam, tinham subido ali e ninguém os notou. Um dos engravatados, já embriagado e sem noção do que fazia apontou pra mim e disse “é desse filha da puta que precisamo”, e esse engravatado e papudo era um dos amigos íntimos dos donos  da mídia e gostou de mim e quis conhecer o que eu escrevia. Presidia uma grande editora que publicava os caras mais lidos do momento. Não fazia ideia do que ele tinha visto em mim. Mostrou suas jóias, rolex, anéis de diamante e um de ouro com um G. Mandei a real, “não vendo minha alma, vim aqui encontrar uma pessoa, não vou escrever o que vocês querem, eu tô por dentro dos seus esquemas para dominarem o mundo manipulando essas pobres pessoas que não sabem o que leem…” e tudo mais. Daí ele engoliu seco e fez duas jóias com os olhos negros cintilando no meio como chamas de fogo. ele gostou da coragem que eu tinha de querer permanecer pobre e anônimo. Se via em mim como era antigamente quando começou a escrever e vender suas palavras ao mercado, refletiu sobre o tipo de vida que escolheu e como vendeu sua alma escrevendo o que o sistema queria. Não se arrependia. Precisava daquele cargo e da voz e poder que tinha conquistado com sangue e rodos, para enfim dizer as verdades e queria eu para isso. Eu tive de escolher, ser puro e continuar anônimo e independente ou seguir as ordens dele. Fomos conversando em bares como eu disse que ficava confortável. Ele entendia sobre energias e conforto pra conversar e escrever. Era um cão velho vendido mas com uma fagulha de esperança que nunca apagava. Saimos para beber e conversar muito até eu aceitar o emprego. Tinhas vezes em bares simples da Augusta só nós e seus assessores caras fechadas, óculos escuros, petrificados, sentinelas de guarda, que eu não gostava mas sentia seguro. Às vezes nos bares da vila Madalena com os escritores famoso pra tratar negócios e comemorar, sem os seguranças caras fechadas nas mesas fazendo escolta, os grandões ficavam no carro esperando o Editor e eu sair trançando as pernas e falando alto. Os artistas que também escreviam e gostavam do título de escritor falavam mais de negócios e eu de beber e comemorar. Fumar maconha em público era errado mas escondido tudo bem, os autores puxavam um fumo, os editores coca, e todos se davam bem, as intrigas e brigas ficavam subentendidas num segundo plano para não atrapalhar a escrita. Era o mundo mágico de Oz. Dava pra encarar alterado. Daí minha situação mudou e fiquei em xeque e mate. O Editor me levou pra sua casa. Uma delas. Uma cobertura na Paulista. Disse que eu podia ter aquilo, bastava escrever da maneira que ele queria e ler os caras que ele queria. Dei o fora dali antes que minha alma se corrompesse. Ia trabalhar no outro dia e precisava escrever, Bubis não abandonava meus pensamentos, não queria o dinheiro do velho rico papudo, não a custo da minha alma.

 

 

5 –  doce Augusta

Nós fomos morar ou ela morava na Augusta. numa república, dividia com seu amigo. Eu não o conhecia. Íamos para lá na sexta feira, ficava até sábado ou domingo, depois retornava para Diadema. E nesse meio tempo em finais de semana e feriados eu nunca o via. Nem ligações ou menções dele. Era um quarto com uma cama estreita de solteiro. Imaginava péssimas coisas ali enquanto eu estava vindo ou voltando na estrada, daí era eu chegar que a casa ficava vazia. A janela aberta, portas abertas, como se pessoas transitassem por elas levando roupas talheres celulares na mão, conversando entre os comodos, mas era apenas Bubies, bebendo uma cerveja na janela com os maiores acontecimentos da noite para os que bebem e entram nela, na sua corrente turva de luzes dos prédios bares postes, sons a sua volta, nos radios, carros, gritos, uhoos embriagados, hits do momento no talo, e as festas são feitas na rua, e não precisam de muito, pessoas, copos, bebidas, música alta, e rodas de cigarro, bom, temos uma.

 

Bubies e o buque de doces amargos na porta de sua casa. Dizia “só quero deixar estar, sabe? tô indo, escreva um negócio bem legal aí pra gente”, e ia, fechando a porta devagarinho, tocava funk na Augusta, três hits ao mesmo tempo, uma vinha da caixa de som do carro no posto, outra do posto, e outra do bar em frente ao posto e o carro. Elas se uniam em uma só música e bundas rebolavam, corpos mexiam, jovens, no auge de suas sexualidades, queimando os hormônios, bebendo vodka com gelo para refrescar e o energético pra aguentar a noite. As quatro e vinte da madrugada acendi um cigarro de maconha, olhei pela janela, todos estavam mortos, as músicas estavam mortas, as bebidas estavam mortas, e dançavam sem ritmo ou vontade como zumbis, muitos deles estavam jogados pela calçada e outros caído fora. Os sobreviventes nauseados, sujos, suados permaneciam orgulhosos de suas batalhas contra o medo da noite os engolir, então se antecipavam e pulavam dentro dela.

 

 

Um corpo vinha na minha direção. Saia subindo, belas pernas caminhando firme, uma mulher de peito, costurando o que antes eram uma multidão de perdidos na calçada, agora restos mortais desacordados, era Bubis que vinha. Seu rosto satisfeito, cabelo ainda arrumado, como se não tivesse sido contaminada pela noite negra. Entrou no quarto calmamente assim como quando saiu, “bom dia meu escritor favorito”, disse bocejando, “não esqueci da nossa história”, se deitou na cama “o que escreveu aí?”, e dormiu.  Tudo estava bem outra vez.

 

 

 

 

 

 

 

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