Só pode ter sido ela

A relação deles não ia muito bem se for comparar com o tipo de namoro que eles queriam alcançar, algo do tipo inabalável, e recorriam ao hinduísmo e meditações para isso, na verdade ele que era ligado nessas coisas, ela ia no embalo sempre que sobrava tempo e disposição.

Ele era muito grosso e tentava melhorar isso, já ela uma grudenta como carrapato na pelo de cachorro ainda novo, com o sangue doce e cheio de nutrientes. Ele reclamava do ciúme dela, que não o deixava muito confortável, aliás, ele tinha contato com muitas mulheres por escrever sobre elas diariamente, e ela em contrapartida não estava contente com a distância dele quando estavam juntos nos finais de semana. Era sempre TEC TEC TEC, ele não saia do computador, dizia: “Pô, preciso trabalhar, escrever! Se eu ficar só deitado ou dormindo com você num serei ninguém nunca…”, era de partir o coração dos dois, porém muito mais dele, que tinha de abrir mão das melhores sensações que já tinha sentido – ter ela em seus braços – para tentar ganhar a vida como um cronista cheio de ego.

Certo dia passaram o final de semana enfornados em casa, o que sempre acabava acontecendo quando eles se viam, coisa que ela odiava mas que ele precisava fazer por causa do seu trabalho. Sempre a merda do trabalha, pensava ela. E na manhã de dessa segunda-feira que ele tinha reunião de pauta cedo no trabalho, como todas as segundas-feiras intermináveis. Para não se atrasar novamente, ele a deixou em casa e foi primeiro, tinham combinado de se encontrarem na praça pra fumar um beque e almoçarem juntos.

Ele saiu do escritório e encontrou-a, mas antes disso ficou esperando a bendita na catraca do metro onde “possivelmente” tinham combinado de se encontrar. Demorou alguns eternos minutos e ela chegou por trás dele, estava esperando em outro lugar, se desencontraram, algo raro.

Foram diretos para o shopping comer, mas ele tava sem grana. Não tinha caído seu salário ainda – que era uma merreca – e ele nem esperava que esse imprevisto acontecesse. O dinheiro deve estar na minha conta, certeza, pensou ele. Pra piorar tudo ela não tinha o suficiente pra pagar o almoço deles como ela sempre fazia.

E aí o estresse reinou, é lógico, estava pra nascer casal mais zicado do que esses dois. Saíram pisando duro do shopping. Ele procurou um Itaú pela redondeza imaginando retirar uma graninha do limite com o seu RG na boca do caixa, mas se lembrou que tinha esquecido a senha do seu cartão novo, e ela só com dezessete reais no cartão dela, ao qual ia precisar juntar umas moedas pra pagar o vestibular no dia seguinte. Isso graças a ele que a fez desistir quase no terceiro ano de arquitetura, alegando com toda certeza do mundo que não era a área dela, e indicou publicidade e propaganda, pois seria uma mão na roda pra ele se divulgar como escritor, e ela toda apaixonada aceitou a ideia sem pensar duas vezes.

De cabeças quentes e barrigas vazias foram pra praça com fome mesmo. chegando lá fumaram seus beques, deram muita risada e ele filosofou sobre tudo e todos como sempre fazia. Pensou em escrever algumas coisas no seu caderninho bege com apoio para caneta na lateral, mas preferiu ficar curtindo o pouco tempo de brisa com sua companheira, tentando acender as pontinhas moles cheias de babas da sua boca até que sentiu a primeira gota cair na perna. Ixi! Começou a chover disse ela. Mas antes deles chegarem na praça, ele descobriu que ela tinha perdido a chave da casa dele, e isso o deixou muito furioso, e pra dar uma amenizada nos seus hormônios ela decidiu pagar o seu bendito almoço, já que ele forneceu a larica. Pelo menos ela mate a fome instrumental de 3 quarteirões caprichados no cheddar, molho especial que só o mc tem, umas batatas grandes molhadas no katchup, seguido de uma boa coca cola gelada no copo grande que só é dois reais mais cara que o copo pequeno. O que te induz a comprar o grande mesmo e sair como beneficiado pelo consumo de alimentos que fazem mais mal que o beque tão criminalizados que eles fumaram.

E o que mais me intriga é que o esporro que ele deu nela e o almoço saíram de graça, porque ao chegar em casa cansado e faminto ele notou que a “chave perdida” estava na verdade no bolso da sua calça, agora quem colocou ela ali? só pode ter sido ela, pensou ele.

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