Quem pode trepa, quem não pode se estrepa, em busca do Nirvana

Misticismo a parte, Gabrielle tinha lampejos de estar na minha. Tentar adivinhar o que passa na cabeça da moça é quase impossível. Fico confuso entre as bad trip das piores e ondas positivas que me atraem, eu não sei bem qual decidir, talvez ela sustente as duas, em conflito, luz e trevas dentro de um só peito, é muito sofrimento pra se passar sozinha.

“Tudo bem, amanhã está combinado, eu preciso que você venha, e não note minha estranheza”. Porra, mais estranha do que eu ela ia demorar pra ser, e eu não fico grilado com pouca coisa. De acordo com nossas conversas Gabrielle estava mais pra misteriosa do que maluca, ou algo do tipo. Penso eu que o modo diferenciado que ela escolheu viver, cria uma linha tênue de diferença entre as outras pessoas, garotas da mesma idade do que ela com a barriga no fogão, e limpando a casa enquanto seus maridos estão no sofá tomando cerveja e vendo o jogo de futebol. Aquela porra de família clássica e machista, que tantas mulheres se submeteram a viver e aceitar. Mas Gabrielle não, algo de mais intenso emanava de todos os poros dela, e eu na minha humilde distancia virtual, mantendo contato apenas por palavras cibernéticas desse mundo tecnológico maluco, que transforma sentimento em bits, tentava explicá-la sobre o Nirvana e suas fases, o que não é nada fácil.

Pra ficar mais fácil pra ela e pra você, irei explicar da melhor maneira possível e passível de possíveis e futuras duvidas, foi um mundo novo tanto pra mim quanto pra você, eu juro. Esvazia essa mente, farei o mesmo daqui desse lado. Está a noite, o silêncio das ruas é o altar dos espíritos, só escuto o ventilador que refresca o processador do meu Intel core DUO, positivo, uma marca péssima que eu não indico. Porra, queria escrever como os antigos, numa bela máquina de escrever, mesmo que fosse aquelas mais avançadas da IBM, toda preta, parecendo a sobra dum teclado dos seus primeiros notebooks, mas me contento com o meu teclado esculhambado em cima do colo mesmo. Sem mais barulhos, ouvindo os tec tec do digitar, o que intensifica a minha fala, eu ganho voz quando você lê o que foi batido, tudo aqui, assim: tec tec tec. Dando forma a minha ideia, eu juro que vou parar de perder a porra do foco.

Com a cabeça se esvaziando de toda a porcaria que o mundo entulha nela como contas, moda, famosos, comida, roupas, dinheiro, fofocas, intrigas, brigas, relações, inimizades, amizades e o caralho a quatro que come todo o seu chakra. Vai esvaziando, deixando de dar a importância que você criou pra cada uma dessas futilidades, manda embora do seu glóbulo frontal. Saiba que dentro da sua mente só tem espaço pra paz e harmonia. Mesmo que dentro da cidade de pedra, coberta por um teto de concreto que te impede de ver o brilho cintilante das estrelas que já morreram no universo, e da lua que muitas vezes se esconde pra te observar sem ser vista. Sinta o silencio do ambiente, a emoção do momento que antes passou batido, e agora, num início amistoso de transe te penetra os poros com suavizes.

Esqueça os nomes, não nomeie nada, pois o nome nada mais é do que uma figura falsa que utilizamos para criar a comunicação verbal, o que substituiu injustamente as expressões faciais e corporais, deixando o ser humano um corpo celeste inutilizado. Com o foco nas cordas vocais, dizendo e gritando coisas que muitas vezes não condizem com o que ele realmente queria dizer. Porra, até papagaio fala, então não se prenda a esse código fajuto que são as letras, vogais, frases, palavras e escrita. Eu só estou escrevendo e falando, pois é o meu recurso no momento, e numa fase mais avançada estaremos nos comunicando apenas com gestos, como os nossos antepassados faziam, e bota ‘passado’ nisso, por que estou falando da primeira civilização.

Palavras indo para o vento, e o tempo parando, sem tempo. Em certo momento da nossa pequena história o homem passou a contar os dias, formulando horas dentro deles, e os minutos. Você não precisa saber ao certo as datas ou assuntos técnicos, mas palavras e horas são tão fúteis quanto as pessoas que passam por nós na rua no dia a dia, sem rostos, escondendo suas angustias, demonstrando falsas felicidades, compartilhando momentos irreais e por aí vai, é desse caos que estamos fugindo, não olhe para trás.

Vai se preparando que com o tempo eu vou me intensificar no mantra e o seu cenário precisa estar propicio, e assim no gerúndio mesmo, pra manter as origens literárias e reais do Pornopopéia e o surubrame de baghogdalog, enfim, não sei qual o nome, mas provem da Deusa Shiva, Buda e quero adicionar Gandhi. Muitos perguntavam para os sábios se era possível levitar, e eles simplesmente respondiam “as respostas estão contidas nas perguntas”, e é obvio que ninguém entendia bulhufas, porque não paravam de olhar para os seus próprios rabos. Suas concepções de levitação se limitavam a formalizar um corpo saindo da solidez do chão, e ficando balançando sobre a superfície, o que não deixa de ser uma ideia plausível sobre a levitação, sem duvidas. Mas o corpo, que tem sua massa corporal e seu lugar no tempo-espaço produz a liberação de tensão quando a mente se esvazia, e retém vácuos de oscilação.

É preciso uma boa dose de meditação e aí vai anos, muitas das vezes. Porém, para os mais apressados tem uma solução: a sensação de levitar, ficar tão leve a ponto de sentir se deslocando do plano existencial para um canto mais divino e exclusivo. Ponto de reflexão, é isso que se chama, e parece tão simples quanto dez com dez é vinte. Nunca fuja do obvio, porque quem complica cria sua própria armadilha.

Esquecendo a importância e significados de palavras, nomes, números e esvaziando ao máximo sua mente, as suas pernas devem formar um desenho da flor lótus, sentada sobre uma almofada ou outra coisa macia que o valha, vestindo tecidos leves e finos, se for optar por roupas. Se possível nada de roupas intimas que afogam os órgãos naturais, trazendo as doenças e depressões libertinas. Se liberte de tudo o que te aperta e incomoda. O primeiro estágio pra alcançar o Nirvana é a liberação das energias que tem mantém nesse plano terrestre.

Deposite o antebraço em cima das dobras do joelho, colando ao máximo o pulso na parte posterior do joelho, deixe a espinha ereta, musculatura relaxada, face rígida e olhos suavemente fechados. Crie um ponto fixo dentro de sua mente e deixe que ele te mantenha pelo infinito da escuridão de suas retinas desprovidas de luzes claras. Ah, mantenha o ambiente com pouca luminosidade, só o bastante para emergências e movimentos necessários. Não se entulhe de objetos e moveis inutilizáveis e inúteis.

Um Cítara deveria tocar para compor o cenário místico, mas a tecnologia faz parte da transcendia moderna, então, coloque a música “intro” do The XX, desde seu começo, que equivale a duas horas e pouco de som vitalício e harmônico, mas não se esqueça de fazer isso antes de começar a meditação transcendental nirvanesca. Tendo a mente vazia, as libertações carnais e o som ambiente, se concentre nos pontos coloridos que piscam dentro do seu novo campo de visão. Ouça os tons fortes e as mudanças sonoras da música. O Tum Tum do grande tambor, o que sopra o ar pra vida, o que forma a estrutura molecular do pulmão, o que ajuda a bombear o coração. O Tum Tum do início e do fim de tudo o que temos no plano existencial mor.

Esse transe pode durar cinco minutos ou eternamente, enfim, como o tempo já não importa mais, não contaremos, e o momento de passar a próxima fase será sentido naturalmente. Num passo em que você irá tocar suavemente tudo o que estiver em sua volta, e eu estarei na sua frente te guiando como uma bussola para cegos, prevendo suas tateações e o modo em que o seu tato reage a cada toque. A almofada será a primeira a receber as conjurações manuais dos seus dedos brancos e macios. Depois o chão ou tapete, eu ainda não conheço o seu quarto. Seguindo a ordem racional e espaciológica do cenário, os seus dedos curiosos tocaram a ponta dos meus dedos dos pés, e terá espanto por sua parte, por sentir outro corpo além do seu. Nesse momento a sua fissura e angustia sensibilística estará a flor da pele, é lógico, se você não tiver aberto seus olhos em momento algum, mantenha-os fechados, essa será a visão mor de seu nirvana-mental-psíquico.

Tocarei a ponta de seus dedos e deslizarei os meus até as costas de suas mãos, fazendo círculos sobre ela para auxiliar na concentração do seu chakra. Você sentirá imãs rodeando a base do seu tato, alternando de estado quente para frio, como se congelasse e queimasse em frações de segundo, e terá uma imensa vontade de abrir os olhos, mas os tons musicais te aconselharam a deixá-los como estão, fechados e selados por ordem natural.

Seus dedos subirá por minhas pernas, e meus pelos em abundancia será um semi-coberto para sua cegueira repentina. Enquanto minhas mãos deslizam pelo seu braço na medida em que você se estica para alcançar o toque do meu corpo. O som escolhido a dedo do The XX, que inclusive sugiro que você se familiarize com ele desde já, chamado “Intro”, que é a repetição de uma passagem da música original, que se formou em duas horas e pouco. Não sei exato os minutos, mas é prolongação dos efeitos sonoros que existiu na criação do universo e do ser humano. O que há de mais transcendental no mundo cibernético se encontra nessa música. E o Tum Tum, das batidas do tambor, estremeceram o seu ser, te dando impulso para frente, e sendo empurrada para trás pela tensão que ainda te prende nesse mundo caótico e de incertezas.

Não se acanhe, e nem pense em nada, apenas se mova no impulso de suas vontades mais primordiais. Esqueça nome, número, espaço e tempo. Tudo que for rotulado por um nome não será mais perecível ao seu contato físico e psíquico. Subirei minha mão pelos teus ombros, tateando calmamente seu pescoço e descendo para a tensão recebedora de massagem, que liga seu ombro ao pescoço, e massagearei fisgando com a ponta do dedo indicador e do polegar os pontos mais duros e tensos do seu corpo. Provocando esguichos de instabilidade no seu corpo, o que se transformará em bem estar e desocupação corporal, liberando suavemente os pesos das suas costas, mas não por inteiro, por hora.

Meus dedos voltarão a subir, passando por de trás das suas orelhas, contornando elas, de forma analítica, ignorando os arrepios e borboletas em ambas as barrigas, se concentrando nos pontos de chakras, desinibindo as angustias e duvidas do seu ser, e posteriormente do meu. No momento certo me aproximarei, e de frente a você, com apenas alguns centímetros nos distanciando, deixarei que meu rosto se alinhe com o seu, de forma que todos os traços fiquem de frente para o seu semelhante, formando um espelho humano recíproco, e a energia do nosso Nirvana indicará se deverá haver a junção dos corpos ou não. Porque nenhum ser terrestre e celestial deve ter sua união fora das ordens divinas, o que quebraria a corrente nirvanesca, mas isso é decorrente a falta de transcendência de terceiros, e não cabe a nós cuidar de todo o universo, sendo que o nosso é individual.

Tendo explicado da melhor maneira possível, fiquei orgulhoso de mim por ter passado o que eu aprendi pra frente, e Gabrielle estava indo bem na sua intuição, de olhos fechados, deixando que o seu corpo transcendesse nesse ritual improvisado dentro da cidade de pedra, cobertos por céus e estrelas de concreto.

Os lábios da minha Sacerdotiza iniciante estavam mais carnudos do que nunca, como se o ritual tivesse deixado-a mais linda e gostosa, bem ali na minha frente, e quebrar o protocolo atacando-a seria errado. Mas desde quando eu sigo porra de protocolos?

Tomei impulso, depositando meu peso sobre uma das pernas, levantando o tronco o necessário para dar de encontro com os nossos lábios. Encarquei um beijo transcendental no estilo da nossa meditação nirvanesca, com direito a massagem com a língua em todos os cantos da boca de Gabrielle.  Seus dedos que antes estavam cautelosos e tímidos, agora vasculhavam as partes mais solidas do meu corpo, passando pelo meu peito, arranhando minhas costas, e descendo para a minha virilha protuberante.  Ao mesmo tempo em que minha discípula chegou ao seu destino, eu enlacei os seus lábios vaginais com a palma da mão. Massageei bem devagar, para senti-la gemendo e suspirando, ainda de olhos fechados, sorrido de canto de boca, se segurando entre espasmos de prazer e tremeliques de tesão, tremendo adicionalmente sua mão no meu pau, que agora se encontrava rígido e monumental, quase saindo fora das palmas dela.

Eu mantinha meus olhos fechados para desfrutar da mesma experiência que Gabrielle, mas não que fosse totalmente necessário. Mas a visão escura, e a cegueira momentânea, deixaram nossos seres desprovidos de um de nossos sentidos aguçava os demais, e nunca que uma buceta fosse tão quente e úmida assim, ou pelo menos que uma mão pudesse contemplar em vida. Gabrielle era toda uma fonte de mel viscoso, com aroma de carne proibida, misturado com a nossa liberdade de poder escolher o que fazer, no momento que quiser. E a inibição dos atos por estar de olhos fechados, e num pós-meditação-nervanesca só aumentava o tesão para nos atracarmos.

O Tum Tum dos tambores era protagonizado agora por nossas mãos, em sintonia com os prazeres, manuseando, cada um com seus modos de produzir prazer e receber prazer. Não deixando emergir o som de nossos gemidos, com a música ecoando pelos quatro cantos do cômodo. Numa sintonia frenética que nem o mestre dos Budas saberia explicar.

Ela me punhetava e eu a siriricava. As trocas de caricias mais primitivas e belas da humanidade. Troca e recebimento de prazer, algo a ser estudado por todas as civilizações que há de existir por aí.

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