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O negócio é quem tiver mais patrocinadores leva. Não tem segredo nenhum não, malandro.

Acordei tarde, mas pra mim era tarde porque eu queria fumar um béque, tomar o último gole de vinho na geladeira, depois acomodar minha bunda magra em frente ao teclado e mandar a ver. Tava há quase um mês ensaiando o “vou voltar a escrever”, eu ainda tinha a cara de pau de dizer “to sentindo a escrita chegar”, hahahahahaha. Grande merda foi essa escrita chegando, se veio eu não vi, sério.

Como o meu trampo pessoal que se resume em: atualizar minha página no face e postar material novo no blog. Enfim, coisa pequena, mais pessoal do que profissional, mas não deixa de ser o que me colocou onde estou hoje, escrevendo pra 5 milhões de pessoas, putaqueopariu. Querendo ou não, eu mal dou atenção pra essa função ‘home office’ de um blog que nem recebe tantas visualizações assim. Me lembro que o site antigo tinha chegado em 30 mil, e fora árduo esse número. Aí pensei comigo “se eu melhorar a aparência dessacaralha, vai triplicar os acessos e eu finalmente vou ser reconhecido”.

Pronto, coloquei a porra da ideia na cabeça e cai matando nas apostilas de html, web designer e WordPress. Pra mim parecia um bicho de 14 cabeças, talvez porque fossem os meus primeiros contatos, depois foi ficando mais simples e prático de se usar e tava lá: a joça do site no ar. Lindo, limpo, colorido e cheio de estilo. Seis ícones com foto estampada e em boa qualidade na cabeceira do blog, e o resto dos textos mais antigos pra baixo, seguidos de uma imagem de fundo pra dar aquela aparência fudida no bagulho.

Fiquei feliz pra caralho, esperando os milhões de acessos que viriam futuramente, na angústia de ficar até sem tempo na hora de fazer entrevistas para outros blogs e emissoras, e também com a lista cheia de escolas e universidades querendo me contratar pra dar palestra de “incentivo a leitura e escrita literária”. Eu ia me tornar uma febre regional, depois estadual, nacional e quiçá mundial. Puta que pariu, viajei muito. Num recebi foi porra nenhuma de acesso, se não me engano,não passou de 17 mil, e entre eles, apenas… eu disse apenas 4 mil leitores. O que quer dizer: todo o trabalho que tive foi praticamente em vão. Sendo que eu melhorei na aparência e no conteúdo e o resultado foi inverso: menos menos menas. Merda.

Bom, como o meu site num é visitado nem por minha mãe, a prioridade não seria mais alta do que zero, e assim estava, até algum milagre dos cafundós do judas do paraíso e os caralho me acontecesse, e eu postasse um texto que irradiaria todas as partes da internet, ou então que uma excursão virtual parasse no meu “endereço virtual” e se acomodasse lá.  Lendo e compartilhando todas as historietas desse rapaz que pensa ser um Bukowski mirim, ou sei lá o que. Se eu fosse resumir o meu fracasso há umas semanas atrás eu diria “porra, brasileiro num gosta de lê naum. brasileiro é tudo burro que prefere futebol e novela. e a referência de erotismo ficou com 50 tons de cinza que não passa de um teatro pornográfico no maior escalão da clichezisse humana” e blábláblá, como alguns de vocês que estão me lendo e me conhecem sabem que eu sempre falo. Mas não! Puta merda, eu realmente descobri o que tava faltando pra essa vaca parar de ir pro brejo – a vaca no caso é o meu finado ‘sucesso’.

O errado no meu processo fama-litúrgica é que eu não sou bom. Enãobasta eu não ser bom, pois ainda tenho a síndrome do “eu faço do melhor jeito e ninguém valoriza”, sabe aquele blábláblá de principiante que acha que vai mudar o mundo, mas que no final seu entusiasmo não passou de fogo de palha e afobação inicial? Poisentão, meu caralho, era disso que eu tava sofrendo e ainda sinto os espasmos egocentristas, mas a gente releva e leva. E eu tenho muito queaprender, até mesmo uns cães velhos metidos a bebuns e fodedores por ai como Reinaldo Moraes e seu personagem épico e desajustado no Pornopopéia, grande José Carlos, que ao contrário de mim era um desleixado e ainda conquistava seu espacinho no sol… já eu tô bem fudido na escuridão dos infernos, e o pior: sem nenhuma gelada.

Fuipro banheiro matutando quanto tempo eu precisava pra ir ao banco Itaú abrir minha conta, após mais de um mês de trampo, vai veno. Escovei os dentes, o que me ocasionou mais um sangramento na gengiva, o que no meu caso é a merda de uma gengivite que carrego faz uns 3 anos e não sei como não perdi todo o sangue do meu corpo esquelético. Voltei pro quarto e tirei a camisa suada da noite de baixo dum edredom grosso, e olhei para o relógio no meu celular, mas só por habito mesmo. 11:12 da fucking manhã de segunda-feira, e a porra da minha reunião de pauta na rádio é meio dia, 12h!!!!! Era a minha última chance, porque de 4 reuniões que tiveram eu só fui na terceira, e isso queimou tanto o meu filme que eu nem sei como ainda estou lá.Talvezsó até hoje, queira Deus que não, se não foda-se.

Minha espinha gelou de uma forma que quase congelou meu cérebro. Senti umas pontadas de náusea, tontura e desfalecência múltipla dos órgãos. Meu caralho, já não bastavaa primeira reunião eu ter faltado, alegando ainda estar na faculdade, algo que não estou fazendo faz uns três meses – dois na época – e isso foi um aviso pra mim. “a reunião de pauta é essencial, não se pode faltar, por nada, ela é a mais importante da semana e tudo o que temos pra falar é dito nela” disse meu chefe. E eu compreendi muito bem, afinal, em reunião nao se brinca, jurei que nao iria mais acontecer. Chegouà outra semana, fui dormir na minha mina no domingo, ou já estava lá desde sexta a noite… não me lembro, mais pra frente volto a contar sobre nossas noites de núpcias e viagens em geral. Bem, aí acordei na segundona, pós-morte do meu avô, o que também não vem ao caso, e fui pro banheiro dar aquela mijada, seguida de uma cagada espontânea e um checkup dentário. Frisei meu rosto pós-sonhos e pesadelos constantes e me lembrei de algo. Primeiro foi de pegar o cel e ver o que tava se havendo na porra do grupo da rádio. E em uma das conversas não lidas – o que é normal no meu aparelho – estava o meu chefe “e aí, ta vindo?” eram quase meio dia e eu tinha acabado de acordar, o que levaria no mínimo uma hora e meia pra eu chegar à rádio e voando ainda por cima. Meu, gelei pra dedeu, e só num faleci porque tinha uma carta na manga muito da foda, mas tinha que torcer pros Deuses do olimpo pra que fossem aceitas “poxa, meu avô faleceu nessa madrugada…” para alguém com um pouco de alma no mínimo entenderia a situetion, o que pensei q não era o caso do meu boss. Então desliguei o celular e meti no bolso. Terminei as atividades higiênicas e voltei pra cama com um puta mal humor.

Segunda-feira é meu dia favorito pra ter ataques de mau humor, só experimenta me tirar do sério. Incrivelmente passou despercebido a segunda falta, “quando for assim me avisa antes, pode ser de madrugada mesmo, não tem problema” consolou meu chefe. Pô, fiquei bem mais tranquilo. Chegueino trampo e ele me recepcionou diferente “tá tudo bem? você consegue ficar hoje? não quer ser dispensado?” neguei todas as gentilezas imaginando que elas só seriam um possível teste pra saber do meu interesse pelo trabalho e fiquei lá, pianinho, com cara de choro pra protagonizar a morte do meu falecido vô poeta. Luto.

Já na terceira reunião eu tavaligadaço. Cheguei na caralha da rádio umas 11h40, por aí, numa gana de recompensar as duas faltas anteriores, o que teria acontecido se na quarta eu não tivesse novamente perdido. Aleguei que estava no banco “chefe,to abrindo minha conta para o RH, não vai dar pra ir hoje”. Pensei comigo que eu estava no meu direito, afinal, o motivo é plausível e tem ligação com a própria rádio, o que quer dizer: estou trabalhando, mas aqui no banco, moro? Que nada, me fudi bonito. “vem pra cá agora, que banco que você está?” Touchê! Banco nenhum porra, to me drogando em casa, fumando o último charo, que consegui juntar. E que é uma arte não compreendida porque além de triturar as mais de 50 pontas, pra retirar os resíduos cannabicos dela, eu ainda raspei o cofre que a maconha fica e mói o saquinho que geralmente a armazeno. Objetivo: juntar o máximo de haxixe e bolar numa seda cinza, e já era. Enquanto eu bolava com toda a calma que só o desespero dá, meu chefe continuou a sentença “fala comigo quando chegar” porra! Tava sóbrio e assustadíssimo. Precisava carburar logo meu béque pra não entrar em pânico. João, mais uma vez você está cagando e andando pras suas responsabilidades, seu mizerávi.

Não bastando tá até as pontas dos pés queimadas na reunião de pauta, e mais uma segunda atrasadão. Poxa, mereço o Oscar ou não? Vesti a primeira camisa que achei na frente, uma que não gosto muito, é listrada, branco com azul claro meio sujo, quente, o que não combinou com o calor que eu nem imaginava que estava lá fora. Desci o samba canção na mesma hora que subi as calças de sarja caqui. Gosto dela, me da um pingo de estilo. Se for viver, viva com estilo. Já dizia o velho Buk. Calcei meu sapatênis, joguei umas gotas de colônia barata do boticário, peguei o livro ‘Notas de um velho safado’ do Bukowski e me escafedi. Me esqueci de dizer que estava com a minha lady em casa. Coitada, acordou num salto e teve que se apressar comigo. É foda passar os domingos com ela porque eu sempre esqueço que na segunda eu tenho a infernal reunião de pauta as 12h!

Fomos em passos largos até o ponto de ônibus, e muitos diriam que a gente tava correndo, e tava mesmo, porra. Ela tropicando na sua sandalinha linda, que mostra seus pezinhos de princesa que eu tanto venero e massageio, e eu na minha infiel postura adulta-desleixada-mal-arrumada de sempre. Com a bolsa de uma alça só pendurada, balangando a cada passo, mas que merda de vida corrida. Alcançamos o ponto antes que meu nervosismo afetasse o meu coração num infarto fulminante, e me sentei na muretinha que separa a linha dos ônibus elétricos das duas avenidas principais de Piraporinha. Eita nome feio da gota!

Como a lei de Murphy nunca falha. Eu estava mais de meia hora atrasadíssimo porque pra chegar na Paulista meio dia, preciso sair de casa 10h30, estourando 10h40, sendo que nessa caralha de cidade não tem um metro, o que me daria 40 à 50 minutos a mais. Por isso que chamam o abc de interior, principalmente Mauá e Ribeirão Pires, há boatos de que vivem em tribo lá, e vira e mexe tem uns casos de índios canibais e tal. Pô, maior onda com os ABCerianos, hein? ABCfobia isso!

O busão enorme e ‘elétrico’ chegou, subimos rapidamente, e esperamos os outros passageiros. Como numa maré tsunamica de azar, o bus parou em todos os faróis vermelhos, e em cada ponto que ele parava, era na média de dez passageiros pra entrar, o que me deu uma margem de 25 minutos à mais de atraso, só pra não perder o costume dos azares dessa putavida. Eu fechava os olhos pra distanciar a ideia de que seria o dia da minha demissão, enquanto o universo não colaborava. Eu de pé, sendo espremido por uma senhora e sua enorme sacola da feira, que deveria ter alguma adaga, pois me furava as costas. No terminal Diadema que antecede o metro Jabaquara desceram uma rencade gente, o que eu já fico ligado que acontece. Aí sentamos na vaga reservada mesmo, e eu pensei “caralho do meu ódio, só me tiram daqui na base do tiro” fechei os olhos de novo e me pus num estado morto-sonolento pra môdiniguemvim mi pertuba.

Chegando na grande e importantíssima reunião, só deu tempo de ter que me desculpar com o pessoal, e ouvir um “é só isso pessoal, voltem ao trabalho”, mano do céu, me segurei pra não quebrar nenhum protocolo, e infelizmente estava na hora do trabalho mesmo. Todos os outros jornalistas voltaram para seus postos, e eu retornei pra Diadema, porque aquela conta que eu ia abrir era verdade, Pô. Pelo menos ela, morô?

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