Sorrisos e cortes [1]

Essa série retrata as pessoas em seus perfis sociais, postando felicidade diariamente, sendo que muitos vezes os sorrisos que elas carregam nas fotos são muros para um imenso vazio e solidão.


Não espero cicatrizar as suas feridas com as minhas palavras, e nem tornar o seu mundo melhor com uma simples crônica, mas eu sei que de algum momento eu consegui te tocar, e você tem que aceitar o fato de que não está sozinha. Eu vi um pouco de mim em você quando disse que te amava. Você nem entendeu no começo, no minimo pensou que seria mais um macho na sua bota, como acontece diariamente, não é mesmo?

Dessa vez seria diferente, eu não faria o papel tradicional e padrão dos flertes, como aquele papo de oi, tudo bem? está fazendo o que de bom? mora onde? Você já tinha sua morada dentro de mim, e de alguma forma saberia disso, se fosse por minha boca ou pelas minhas linhas.

– Posso escrever sobre você?

– Pode, o que vai escrever de mim?

Me perguntou certamente como quem queria dizer “que porra que você sabe de mim?”, nunca nem conversamos e eu vim com essas ideias de Dom Juan, com ela não ia colar. E por isso não seria como é de costume, sem essa de movimentos mecânicas, palavras manjadas. Alguém fora do seu convívio tinha que te ajudar, e mesmo sendo orgulhosa, a ajuda seria bem vinda, antes que sua ânsia te sufocasse e você padecesse enfim.

Queria te conhecer, mas não sabia como. Via o mundo virtual de uma maneira vazia e fútil, como se fosse de plástico e eu não conseguia ser de plástico como tudo que me rodeava. A artificialidade dos sentimentos que expressamos por mensagens era o sinal de que aparelhos eletrônicos não captam sensações espirituais. E quem disse que eu tinha outra chance? outro modo? me aproximar tentando não se distanciar. Usar do mal para fazer o bem, e a garganta com nó, precisando te dizer o que minhas linhas tremiam em falar.

– Nem sei o que falar sobre mim, pode me fazer perguntas?

– Poderia ser como se tivesse contando sua historia, as coisas mais importante que te definem.

O semblante dela mudou, aquela garota com sorriso largo e corpo farto das fotos não estava mais presente. Eu que pensava que sua vida era feita só de festas, flashs, momentos alegres e nada podia te fazer mal, ela escolhe quem ignora e seu contato é cobiçado, mas não. Seus olhos diziam que esse era o teatro que a vida dela encenava, feito uma atriz de talento natural, sofrendo os dramas na pele, sem roteiro, falando tudo o que vem na mente, é o que ela realmente sente, ali não tinha palco.

– Meus pais são separados. Moro com minha mãe, irmã e avô. Com treze anos tive depressão e hoje estou depressiva. Já tentei me matar muitas vezes com remédios, passo em uma psicóloga que me indica o que devo usar ou não, como se eu fosse um fantoche, entende? Toda vez que eu estou mal eu dependo de cortes, sou uma pessoa que se auto-mutila.

Eu me corto. Isso ecôo nos meus ouvidos. Como que um sorriso tão lindo escondia tantos cortes e sangue?

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