Quase 20 primaveras de solidão moderna

Foram quase 20 primaveras e nunca esteve tão difícil enfrentar mais um inverno. Nós mantemos o sorriso mórbido no rosto para expressar felicidade, mesmo ela sendo falsa ou criada. Mas a questão é: alguém conversou com você? Eu entendo que com a tecnologia e facilidades para comunicações virtuais, o diálogo perdeu sua eficacia. Queremos nossa imagem cada vez mais limpa e dizer para todos os nossos amigos da rede que estamos felizes. Compartilhamos os nossos momentos na timeline e eles só são realmente felizes se forem amplamente curtidos.

Na verdade: queremos cada vez mais amigos por não termos amigos. compartilhamos “momentos felizes” por não vivermos momentos felizes. Curtimos assuntos alheios por não ter o que curtir. Discutimos todas as coisas porque não temos o que discutir. E assim a nossa vida segue, em casa é pura intriga e desavença, na internet são sorrisos e fotos de belas paisagens. Divulgamos as nossas vitorias e sucessos financeiros mas corremos o risco da luz ser cortada no dia seguinte.

A vida real não se iguala a virtual. Elas não são semelhantes. O que deveria ser a personificação da realidade, virou o holograma de vidas utópicas e ideais que sempre desejamos. Como se deixássemos nossos corpos mortais e limitados de lado para assumir o cargo de sub celebridades corretas e justas na internet. Basta colocar sua foto no avatar e seu nome na sua conta, pronto! Mais um perfil criado com sucesso. Na telinha do pop up diz: clique aqui para assumir a sua substituta. E lá vamos nós, debater sobre o que não sabemos, opinar assuntos que não conhecemos, compartilhar felicidades que não desfrutamos e falar sobre sentimentos que já não sentimos.

A concepção de família que tínhamos era: união, compreensão e acolhimento. Hoje podemos identifica-las em grupos no whatsapp, marcações em fotos no facebook e o número da pessoa na agenda celular. Felizmente ou infelizmente cada época trás os seus costumes. Gerações mais antigas não compreende as mais novas, e isso é natural de se acontecer. Cada época teve a sua maneira de se condicionar e aprender. Hoje dizemos que “antigamente era isso ou aquilo”, mas daqui dez anos ou menos diremos a mesma coisa. É um ciclo que só quem viveu ou se informou consegue lidar, não há mais novidade que já não tenha acontecido antes.

Quero estar vivo no dia em que os seres humanos voltarem a visitar os seus entes queridos apenas para dizer um oi, e fazer vários nadas. Não que tenha algo muito importante e urgente para ser feito, e nem evento no facebook para te lembrar que seu amigo ou parente existe. Trocamos afeto, atenção e presença por bens matérias e facilidades eletrônicas, tal como os pais que enchem seus filhos de tablets, celulares e vídeo games para compensar o tempo que eles não passam com seus filhos. Ou até mesmo para fazê-los esquecer que um dia precisariam de conversas mais sérias, conselhos mais profundos e contato físico mais frequentes.

Estamos perdendo o bem mais precioso que dinheiro nenhum é capaz de pagar: a aproximação que resulta em afeto. As industriais tentam nos entreter com aparelhos hi tech, como vídeo conferência  e ligações telefônicas cada vez mais práticas, e isso é a arma que nos afasta do mundo e das pessoas desse mundo. Posso dizer que entramos na moderna caverna de Platão, e o que nos difere é o excesso de informação que recebemos diariamente, como se fossemos um deposito de manchetes e noticias. No final do dia uma informação fora alterada três vezes e não sabemos mais no que acreditar. São muitos anúncios querendo nos empurrar verdades que escondem grandes mentiras, mas nunca iremos aceitar que somos pecadores e errantes, o pastor não deixará que nos martirizemos tanto se o dizimo estiver em dia.

Não vamos nos limitar a conhecer o dizimo apenas como aquele que pagamos na igreja. A nossa conta de luz e de dados moveis que nos permitem ter acesso ao extraordinário mundo novo virtual também serve como contribuição divina e necessária. Ou você que está me lendo já se permitiu ficar pelo menos um mês sem a sua bendita inclusão digital? Hipocrisia é o nosso lema e ignorância o grito de guerra! Não há problema no mundo em que dez ave maria e um mergulho nas águas sagradas não resolva. Não que minhas maldades serão desfeitas, mas com certeza meu espirito será limpo. É, eu aprendi direitinho o que o sistema pregou, mas eu sei que ainda serei julgado, muito mais do que estou sendo em vida.

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