Imagine Street [2] – Estranha coruja

Estou tentando fugir dos tiros e da raposa, até que bato minha cabeça numa arvore gigantesca que apareceu de uma hora para outras no meio da rua. A coruja está no alto dela. Ela me olha, gira a cabeça cento e oitenta graus e me diz:

– Volte para o escritório e se mantenha lá dentro, é menos perigoso do que essas ruas. Não confie em Imagine Street.

– Tudo… tudo bem!

Me levanto angustiado e dou as costas para coruja.

– Mas espere!

– O que foi? Preciso sair daqui!

– Está tudo bem agora que estou aqui, ninguém ruim se aproxima de mim. Escute, se mostre prestativo enquanto todos os outros estiverem curtindo, isso irá te promover. O seu chefe ficará doente dentro de seis semanas, e quer alguém responsável como ele para cuidar dos negócios. Seja essa pessoa!

Enquanto a coruja me aconselha sobre o futuro estranhamente brilhante, a raposa continua se aproximando. A coruja mostra um sinal de nervosismo na sua voz perante a aproximação da raposa.

– Aqui você pode tudo, menos uma coisa…

Ela para de falar, eu fico extremamente curioso para saber o que é.

– Me diga! O que não posso fazer?

– Não se encontre novamente com… – NHAC!

A raposa ataca a coruja que sai voando com a asa machucada. Eu corro para não ser pego e atravesso os tiros que são disparados aleatoriamente, e até mesmo sem motivos pelos gangsters, um carro de policia estaciona perto deles e eu tenho medo dela, como se eu fosse um fora da lei, continuo correndo. Um dos policiais sai do carro com uma gaiola pequena na mão e tira outra coruja de dentro dela, escala a arvore e a coloca no topo, desce e entra no seu carro, da partida e deixa o local, como se não tivesse nenhum tiroteio. Os gangsters enjaulam a raposa e a levam para o muro mais alto das redondezas. Há outro rapaz novo em Imagine Street. Ele está perdido andando pela rua. Eu sinto um dejavú passando pela minha cabeça, como se ele fosse mais uma peça desse quebra cabeça confuso.

Eu entro no bar da empresa e sinto o cheiro da morena que me atendeu mais cedo. Vejo o rastro do seu cabelo no corredor do fundo do balcão. Sigo-a até o final do corredor e ela entra num quartinho. Eu a sigo na ponta dos pés. Ela tira seu avental de trabalho e coloca cuidadosamente em cima da cômoda. Desabotoa sua blusa preta, e coloca na cama. Se inclina e retira suas meias. Empurra a saia para baixo mexendo para um lado e para outro, como se isso ajudasse a peça de roupa a sair. Minha respiração fica ofegante. Ela tem o corpo mais belo e dourado que eu já vi.

A morena se deita de lado nua na poltrona.

– Pode vir. Sei que está aí.

Me gelo por inteiro, meu coração acelera ainda mais.

– Sei que está me espionando, não precisa disso. Venha, pode ir fundo.

Saio de trás da porta, abro a braguilha da minha calça suando frio.

– Me mostre o que você tem!

Eu tiro minhas calças e ela sorri. Isso me deixa bravo. Posiciono com violência pressa o meu pau nos seus lábios íntimos e meto fundo. Ela continua sorrindo. Eu meto mais fundo ainda.

– Não era disso que eu estava falando.

– Como não? Seus clientes te tiraram a sensibilidade?

Meto aborrecido, suando como um porco, e parecia que eu estava devagar, quase parando. Outros olhos nos viam. O cara que apareceu por de algum lugar parecia a raposa lá de fora, mas ele tinha rosto de humano. Me encarava como se tivesse algo de errado comigo. Os olhos deles ficam cada vez mais perto de mim e isso tira totalmente o meu tesão. Por mais que estivesse bom meter naquela morena, uma terceira pessoa na transa não fazia o meu estilo. Pode me chamar de careta. A coruja vem na minha imaginação e eu lembro do que ela me disse “não encontre de novo com…”. Algo me diz que não devo estar ali.

– Eu vou embora dessa porra. Fica com a sua prostituta seu puto.

Visto minhas calças bravo, nada estava me agradando.

– Não vá, fique mais. – diz ela.

– Quer dinheiro? – mexo na carteira – toma, cinquenta reais.

Jogo o dinheiro enquanto estou indo embora.

– Não quero dinheiro, estou falando das poesias, pensei que você fosse ler elas.

Suas palavras partem meu coração, mas já não há tempo, preciso voltar para o meu martírio, o escritório. O elevador me cospe para a fervilhante manada de escravos engravatados. O barulho incessante dos milhares de teclados pulsa na minha cabeça. Ninguém me vê chegando, não notaram que eu sumi durante horas.

Me sento e pego o meu teclado. Olho para o monitor e vejo uma poesia. Do lado do teclado tem outra, que me parece a mesma. O que está acontecendo? Abro a minha gaveta e ela está cheia de poesias, todas empilhadas simetricamente. Os versos me fascinam.

– Como isso pode ter saído de uma prostituta? – me pergunto.

– O que disse? – pergunta o meu parceiro de mesa.

– Nada, estou falando sozinho.

Ele volta para sua imersão tecnológica. De repente toca uma sirene ensurdecedora, e todos param de trabalhar e uma porta se abre. Entra varias moças seminuas com o mesmo rosto da morena. Todas são como ela. Elas sentam no colo dos funcionários, dançam, gemem, e me olham com sensualidade a cada movimento.

A única coisa que sai de mim é um sorriso irônico. Me levanto e vou até o banheiro. É impossível usá-lo. Tem sexo por todas as partes. Nos mictórios, nas pias, privadas, escada, copa, elevador, paredes, teto. Preciso fugir. Volto para minha mesa pegar as poesias e vejo a coruja aparecendo na mesma janela de antes.

– Não vá embora, seja o último a sair. Se misture, irá precisar deles um dia.

Como sempre ela voa. E eu fico, na duvida de fazê-lo o que diz ou não. O prédio está tomado por prostitutas, álcool e drogas. O jeito é imergir, e tentar sair vivo.

 

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