Imagine Street [1] – A raposa observadora

Olá, devo me apresentar agora? Suponho que sim, afinal, irei conduzi-lo nessa narrativa pelas próximas tantas páginas. Peço para que não leia isto sóbrio. Beba um pouco, ou arranje alguma forma de ficar alterado, acredite! Fará mais sentido daqui pra frente. Imagine Street. É sobre ela que irei desmembrar, relatar e descrever. A palavra pode ser nova pra você que está me lendo, mas na verdade você a conhece. Estou certo de que com o passar das linhas as coisas fiquem mais claras e você se achará.

Era meu primeiro dia no grande escritório da Imagine Street. Os funcionários tinham diversos benefícios, era como viver em Las Vegas, eu não sei como eles mantinham a concentração nos seus serviços e nem mesmo quais eram os seus serviços. Abri uma planilha no meu computador e fiz algumas coisas pessoais, eu sempre ando mexendo nas minhas coisas, não importa onde eu esteja. Dois gordos metidos a sabe tudo se aproximaram de mim para me ajudar com o trabalho. Fechei a minha planilha e abri a certa. Eles nem desconfiaram que eu não tinha começado ainda na pilha deles. Trabalhavam sem parar, com os olhos vidrados nas telas de LSD. De vez em quando algum deles sumia por algumas horas e voltavam mais revigorados. Eu também queria sumir dessa maneira, estava crendo que aquela agitação me mataria.

O escritório não era divido em alas, todos os setores eram no mesmo andar, como se a estrutura do prédio não tivesse fim. Os gordos me chamaram para conhecer a empresa. Me mostraram os diversos lugares que tinham ali dentro como a discoteca, piscina, dormitórios, salão de jogos, campo de futebol e finalmente o bar. Enquanto eles falam sem parar maravilhados por trabalharem ali, eu me perco deles e vou parar no bar, de onde eu nem deveria estar longe.

Me sento numa mesa bem no fundo, me escondendo dos dois chatos. Uma morena muito bonita me atende. Peço uma cerveja e fico bebendo tranquilamente enquanto me escondo. Não demora muito e eu volto. Digo que fui ao banheiro e eles aceitam numa boa. Me sento e quando começo a trabalhar da a hora do almoço.  Todos param de trabalhar juntos, eu me levanto junto com eles e vou direto para o bar.

A balconista morena de olhar penetrante que me atendeu continua lá. Me serve varias cervejas e dividi um Whisky comigo, ela é boa de copo. Dou espaço para ela sentar ao meu lado no sofá de canto do bar e ela diz:

– Você quer ler algumas poesias minhas?

– Poesias? – pergunto olhando para o meu relógio – é melhor eu ir, estou atrasado. Tudo bem se me mostrar depois?

– Vai lá.

Me levanto depressa e volto para o escritório. Não havia uma alma viva, as cadeiras vazias, os computadores desligados, e o silêncio reina por cada centímetro do infinito setor da Imagine Street. Ouço toques na janela e vou até ela, lá fora uma coruja pica o vidro, abro-o e ela conversa comigo:

– Esses caras não cultivam a neura habitual do mundo, eles criaram a sua maneira de produzir muito sem dor de cabeça, e são satisfeito pelo que fazem, é de se admirar. Meu jovem, qual o seu objetivo?

Eu não sabia o que responder para a coruja e nem mesmo sabia que corujas falavam. Fico quieto estranhando aquilo até que ela volta a falar comigo:

– Não se surpreenda, aqui na Imagine Street tudo e todos irão falar com você, procure ouvir mais e falar menos.

Bateu asas e vôo. Do caralho. Sai as pressas do setor. Encontro com a claridade do céu e as monótonas nuvens, voltei para a vida real.

– Esse escritório está me deixando louco – falo sozinho – gostei disso.

Ando algumas quadras pra tentar encontrar algum companheiro do escritório, mas só vejo animais. Olho para trás e me deparo com uma raposa no alto de um muro bem distante de mim, ela é incrivelmente horripilante. Parece que está me observando. Eu aperto os passos para me distanciar dela, mas a cada vez que olho para trás ela está mais perto de mim. Procuro alguma alma viva que possa me acudir e vejo alguns homens na rua da frente, eles se vestem iguais. Me aproximo deles na ânsia de poder conversar finalmente com alguém, e de repente eles sacam armas e começam a atirar uns nos outros. BAN! BAN! BAN! Corro deles, olho para trás e a raposa está muito perto de mim, prestes a me pegar.

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