Um real

Tem um grande problema em ser engraçado ou pensar que é engraçado. As pessoas ficam pedindo por piadas, iguais elas pedem mamadeira para a mãe quando são crianças, é um negocio chato. Quando eu era garoto eu tinha fama de ser o palhaço da escola, o foda é que hoje eu sou o palhaço das mulheres, mas na escola, então, na escolinha eu era tão engraçadinho que viviam me pedindo pra fazer piada. Puta que me pariu, eu nunca conseguia fazer quando me pediam, parecia que colocavam um peso do mundo nas minhas costas e não saia um A da minha boca. Era foda, mas que merda, custa esperar um estante? Eu vou fazer a piada, uma hora ou outra, mas não precisa ficar me atormentando pedindo “João, faz uma piada, me conta uma piada, me fala a boa aí, eu quero rir, me faz rir, conta uma piada de português”, mas aí tudo bem, eu como um bom palhacinho decorei uma e contei “o português que era muito pobre presenteou o seu filho com um vídeo game e disse: filhão, cuida bem do vídeo game porque o papai precisou vender a televisão pra comprar.

Bom, é uma merda, eu sei, mas na época, pra aquela criançada de doze ou treze anos era um espetáculo, eu tava na fase de cobrar pra poder falar as minhas perolas e não sei porque diabos eu não cobrei, aqueles bando de otários me pagariam mesmo. Assim como num seriado de humor que eu vi uma vez, o garoto cobrando pra molecada olhar a playboy, ele conseguiu uma boa grana, pena que depois o seu pai lhe tomou, porque a playboy pertencia a ele, se não me engano esse cara era o Jullius, e eu estou falando do Chris, a melhor criação do Eddie Rock. Aplausos. Eu fumo maconha faz pouco tempo, não tem nem dois anos eu acho, mas devo fazer três logo, e porra! Existe preconceito pra caralho com quem fuma uma maconha, viu? Quando me vêem com cigarro ninguém diz nada, mas a maconha… vixi Maria mãe de Deus, aí é outro papo. Mas eu sei por que, eu sei bem de onde sai todo esse ódio contra a verdinha, sabe de onde é? Incrível Hulk. Ele sempre foi odiado por ser feio e ter um dos piores filmes da Marvel, to falando daquele antigão, que o cara tinha o cabelo de batoré e parecia ter pintado o seu corpo com tinta guache.

Ainda bem que os tempos mudam e a tecnologia alcançou o ser humano, se não a gente tava ferrado, nem o capeta ia querer as nossas super produções. O assunto é maconha não é mesmo? Dane-se! É droga! Ahhh! Droga! Como se tudo o que nos vicia e nos deixa dependente também não fosse um tipo de droga. Açúcar e sal são as duas drogas mais viciantes e escondidas que temos na nossa sociedade. Eu posso parecer um idiota falando sobre esse papo serio e moralista, mas estou exercendo a minha função. Sou um branco pobre, que gosta de mulher e que fica inconformado com as coisas que acontecem ao meu redor. Eu tenho o direito de protestar quando encontro alguma coisa errada, e o errado nisso é falar mal de nós que fumamos, mas encher a porra da cara de cerveja e cachaça, coisa que nós também fazemos! Quando eu falo “nós” eu me refiro a mim e a todos que concordam comigo ou que pelo menos estão entendendo o que estou tentando falar. É claro que ta fácil, nem comecei a enrolar a língua como se estivesse com convulsão mental ou algo do tipo, monologo não é pra mim. Desde sempre eu notei que sou muito pretensioso na hora de fazer alguma coisa e muito mais quando me sento pra escrever. Eu tento ganhar o mundo com as minhas palavras e me tornar o idealizador.

Aquele cara que forma as opiniões e enquanto isso ta percorrendo a minha mente eu me sinto o Cara, mas depois que passa alguns minutos eu torno a minha posição de merda. É isso que eu sou, um merda, mas não sou merda das pequenas não, eu fedo um pouco e tenho proporções relevantes no chão. Então, cuidado quando for pisar em mim, eu posso grudar. Vamos lá! Eu vou tentar tornar isso um monólogo de verdade. É engraçado como quando eu não quero criar um monologo é quando eu consigo, e então quando eu quero a pretensão me pega e eu fico cego de tanta vontade escrever alguma coisa boa e rápida que meus pulsos coçam, e a cabeça também e aí eu penso “nossa, é a pulga atrás da orelha”, mas eu acabo me lembrando que minha gata chamada Nala tem pulga de verdade, e eu preciso passar uns cremes na onde o verme me picou e tentou retirar todo o meu sangue, até porque não bastava ter tentado assassinar a minha gata, o piolho quer matar a família inteira, é isso?

Vou confessar pra vocês, eu sou pretensioso pra caralho, acho que nunca existiu um cara tão ambicioso quanto eu. É coisa de sangue, eu acho. Quero lançar tudo o que escrevo, quero comer toda a mulher que eu converso e quase sempre eu consigo. Só ta me faltando ficar famoso logo pra ter vip nas balada e tudo o que um artista esbanja. Quero poder cagar na cara dos outros e dizer “quanto fica? Eu pago o preço da sua dignidade” e sair fora como se fosse o dono do mundo. Eu lembro quando o Michael Jackson entrava com seus filhos nas lojas e eles compravam de tudo sem nem olhar o preço, essa era a sua marca para o consumismo, compro mesmo e nem preciso saber da província do produto e nem me importa se ele for fruto de mão escrava.

Epa, epa, epa. Tá tudo ficando politicamente correto e nada de monologo, poxa. E eu que pensava “porra, isso é faço, basta eu escrever tudo o que vem na cabeça que ta feito”, vai pro caralho quem pensa igual a mim, ou pelo menos pensava. Porque é difícil notar o quão difícil é se concentrar na historia e no coco que não sai do seu cu enquanto você ta impotente em cima do trono, tentando fazer algum tipo de arte. Com as duas ferramentas eu sou bom, tanto intestinal quanto literária, mas uma sempre se sai melhor do que a outra, então é melhor ter mais papel higiênico por aqui. Eu garanto que se todos nós estivéssemos em um ambiente fechado, um dependendo do outro pra sobreviver, e todos nós cagamos muito, e eu vou cagar e acaba o meu papel, caso eu ficasse bem necessitado mesmo e pedisse um rolo inteiro para um de vocês, algum me daria. Porra, somos egoísta pra caralho e não tem mal nenhum em assumir isso. Eu mesmo sou o cara mais egoísta de diadema e vocês sabem disso, mas é lógico, só não venham até minha cidade porque ninguém perdeu nada aqui, mas se vier vai perder. HAHAHAHAHA, é mania falar mal de Diadema, mas aí eu pego neguinho que mora no capão redondo falando mal daqui, aí eu fico meio? Ã? COMO ASSIM? Ou então quando me aparece aqueles pobres metidos a classe media alta, tentando dialogar comigo e me provar que Itaquera e Guaianazes não é tão perigoso assim, ta bom, me conta outra. Passar fome é fácil, agora quero ver dar um dinheirinho pra quem ta passando. AHHH!!! Mas aí é quando conhecemos as pessoas, porra. Quando estamos nesses tipos de momento perto delas, observando na moita, será que ela vai ajudar o pedinte? Será que ela vai peidar na frente de todos e disfarçar.

Será que ela não vai cantar o namorada da sua melhor amiga? Eu acho difícil, porque eu sou o namorado e eu sei como que um cara que começa a namorar é ovacionado, mas o foda é que quando ele tava solteiro ninguém nem fazia ideia de que ele podia existir, nem mesmo sua família, é verdade Eu vou parar de fazer promessas pra vocês, ta mais que na cara que eu não sei o que é a porra de um monologo e nem como fazer um. Bom, na verdade, saber eu sei, quem é que não sabe ir no Google e ler? Mas fazer que é foda. Vagabundo nasce com os braços curtos e os dedos gordos que é pra ser difícil a movimentação mesmo. Mas e eu? Que fico repetindo as palavras? Que fico nesse mundo ilusório de que eu escrevo bem, e de que algum dia vou me encontrar com minha vocação e esse será um grande dia, porque enriquecerei nessa vida medíocre. Mas que merda, a visão de vida perfeita da maioria das pessoas é ser rico, bem sucedida e por aí vai. Só que eu não fiquei assim e pela sorte que eu tenho é bem capaz de nunca ficar.

Bom, novamente, isso não parece nada. Na verdade, pensava que existia o gênero “dialogo”, porque fico conversando comigo mesmo e eu acabo levando a serio esse costume, e depois quero ficar reescrevendo tudo o que fora dito, mas sem nem saber da metade do que eu falei. E é sempre muito louco, porque nunca me lembro do que eu disse, de verdade, e ainda fico me sentindo um idiota que fala comigo mesmo e não tem uma alma viva pra poder se abrir. Por um lado é besta e por outro é triste, assim como fazer aniversario e não ter dinheiro nem pra comprar uma Dolly pro pessoal beber, enquanto batem palmas e comemoram a chegada da sua morte. As pessoas deveriam repensar sobre o que elas batem suas palmas. Meus familiares eram ricos, e eu achava isso porque eu via Danone na geladeira deles e bolacha de recheada no armário. Esse era o meu perímetro de riqueza, as vezes um carro na garagem também te tornaria rico. Eu nunca tive carro ou pude ter algo além de arroz e feijão pra comer. Cada um cria o seu parâmetro de riqueza e pobreza não é mesmo? Será que esses assuntos podem se tornar um bom monologo, eu continuo achando que não. Com certeza vai ter gente que ao ler dirá “ah, mas isso daqui são apenas um monte de palavras idiotas e não tem nada a ver com o que o autor queria dizer” e realmente, você está certo.

Mas quem disse que eu devo fazer algo certo? Qual a noção de certo ou errado? Vocês comem ovos que saem do cu da galinha, e isso é bom, não é mesmo? Eu aprendi a gostar de ovo esses dias, mas foi comendo vários, porque não tinha outra coisa pra engolir, então, por necessidade eu aprendi a gostar. E isso aconteceu com a carne de panela. Eu não suportava nem o cheiro, mas depois que uma buceta necrosada empesteou a minha casa com um odor de matar, eu passei a comer de tudo o que antes pensava que cheirava mal. Rico pra mim é quem pode ir ao parque Ibirapuera todo final de semana e ainda acorda tarde durante a semana, sei lá, os parâmetros podem mudar ao decorrer do dia. Eu sempre leio sobre o que quero escrever.

E eu li que o monologo é quando falamos sobre algo nosso, como se fosse um segredo, uma confissão sendo dita pra ninguém e ao mesmo tempo para todo mundo. Eu teria que criar uma platéia imaginaria na minha cabeça e me dirigir a ela, mas falando comigo mesmo. É uma doideira, mas eu gostei dessa porra. Só que a pretensão começa a subir sabe? E toma conta de mim, e eu fico esse chato pretensioso tentando escrever ideias legais pra vender depois.

Eu sou um vendido, mas não totalmente. Sempre fico falando de fazer as coisas com a alma, porra, alma é tudo não é mesmo? Tem o papo de espírito também, mas não aquele que a gente ouve na igreja, HAHAHAHAHA, lá dentro é tudo manipulado, caramba, será que isso é difícil de enxergar? Não tem mais essa de ir pra igreja ouvir o pastor, mas sair de lá e fazer tudo errado. Os novos tempos estão sendo todos vendidos. Você não vê? Porra, deixa de ajudar o cara que mora na rua quando ele pede um real. UM REAL! É isso que ele te pede e você fala “AHHH, eu não tenho, desculpa” como tem a capacidade de pedir desculpa? Desculpa pra que? As merdas das suas desculpas enchem a barriga de alguém? Não, não!! E isso não é revolta, viu? É realidade de quem ta andando na rua e não vê quem é dela. Caminhando sabe pra onde? Pra igreja dar dizimo. Hahahahaha, eu lembro uma vez quando eu dei o meu dizimo, mas lá na minha igreja não tem esse nome, era outro. Mas eu dei, cara, eu não tinha uma grana no bolso, mas eu dei o que eu pude. Sei que Deus ficou feliz por isso. Chega de ser religioso, eu não to conseguindo começar esse monólogo dos Diabos.

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