Paixão, amor e descarte

A paixão é a ausência temporária do juízo. A paixão é incendiaria, o amor é a paixão serenata. E isso nos faz saber que não existe amor a primeira vista e sim paixão, porque o amor a primeira vista suporia algo que o amor por si não tem, que é a capacidade de incendiar. Não que não possa ter dentro do amor situações de paixão, aliás, é o que da graça ao amor. A ideia de uma paixão é a de que quando serenata ela ganha amorosidade. Então quando alguém lhe pergunta se fora amor a primeira vista, você deve dizer que em primeiro veio a forma de paixão que se tornou amor, mas depois de ter queimado o que necessitará queimar, pois o amor não se constitui sozinho, ele precisa de bases pra se ter formas, e a forma de amor mais vazia é aquela pela qual nãos e entende a importância da paixão.

Temos a ideia de enxergar a paixão como forma negativa de sentimento, pois dela que provém atos irracionais e impulsos, mas a paixão é a forma de incentivo a luta até mesmo quando não temos mais forçar para lutar, ou então ela serve como encarnação de motivos para continuar algo que será possivelmente benéfico para você e outros. Se nos apaixonarmos por atos que podem ajudar boa parte da população e alcançarmos o amor por isso, será a chave para se viver em harmonia, porque quando nos preenchemos por afeto e empatia, não sobra espaço para o cultivo do ódio e da desordem, que nada mais é do que o conflito entre opiniões em um mesmo estado.

O livro na nossa estante pessoal é a forma de não-propagação de informação, pois ao invés dele estar juntando poeira parado, ele poderia fornecer os seus conhecimentos para o próximo. O bem que temos e que fica sem uso é como um furto, pois estamos deixando ausente a fonte de conhecimento de outra pessoa. Os livros devêm entrar num fluxo rotatório, permeando o conhecimento coletivo e o compartilhamento de ideias, algo que está sendo destruído pouco a pouco com as salas de bate papo e redes sociais.

O intelectual de hoje troca informações morais e filosóficas com pessoas sem embasamento estrutural, perdendo erroneamente o seu tempo e criando conflitos desnecessários, pois não entendemos mais sobre discussões de intercambio de conhecimento, e sim disputas de razão. Cada um é dono de sua razão única e exclusiva, e nada o faz repensar nos seus conceitos e nem mesmo ouvir o do próximo. O único motivo e prazer pelo qual o individuo entra em discussões virtuais é para impor a sua opinião e concretizar a ideia fixa dos seus propósitos, sem levar em conta as opiniões alheias e contrarias as suas.

Partindo da possibilidade de separar vários grupos com ideias semelhantes, é onde há espaço para o ódio dentro dela, onde os indivíduos carregam suas convicções divinas e buscam conflitos ideológicos para criar guerras de culturas e condicionamentos que eles entendem como certos, mas que para o outro pode ser a personificação do errado e do pecado. Esse é o circo de sábios que agem como burros quando não conseguem intercambiar informações e só trocar xingos e desavenças.

Há situações em que não podemos evitar o caminho de se chegar ao equivocado, então não podemos apenas evitar o caminho, mas podemos chegar até o final, evidentemente não são todos os equívocos que serão imperdoáveis. A ideia de uma sociedade que trás a filosofia ética para o seu plano, não pode não ser exemplar, pois um líder tem que ser exemplar naquilo que faz, pois ele é altamente instrutivo no que faz.

Mandela dizia “ninguém nasce odiando”, para se odiar precisa aprender a odiar, então não perderemos o nosso tempo aprendendo a odiar, e sim a gostar. Augustinho resolve isso partindo do ponto de que não há por parte de Deus, que é um ser de bondade, a criação do mal, o que ele cria é a liberdade para o humano. E o humano pode escolher o bem e o mal é a ausência do bem. Quando o bem se ausenta o mal vem a tona.

Existe algum humano que não seja recuperável? O senso comum e moral diria que não, mas o convívio com alguém que não teve a conduta de ser recuperado e então teve a capacidade de escolher se recuperar ou não, pode ter o discernimento na hora da sua escolha, e com motivos para ambas as decisões.

O humano é o lugar do sagrado, e o sagrado não é a impossibilidade do mal, e sim a recusa. Não é a impossibilidade do mal vir a tona, mas é o afastamento. Portanto a fratura ética como o mau caminho é sim uma questão de escolha, e tendo isso: a ocasião não faz o ladrão. A ocasião favorece a inclinação a uma escolha trivial.

Não há racismo e nem descriminação possível se não houver um ambiente em que isso foi incentivado e semeado. Quando é contado piada racista ou piadas que são homofôbicas, ou piadas que são ligadas a violência étnica ou quando se trabalha com alguma forma de preconceito, isso tudo tem haver com exemplaridade, e além de tudo, falta para quem pratica isso a virtude da piedade.  Piedade não é pena do sentido de ter dó, mas pelo contrario, piedade é um espírito de acolhimento que não é como eu, mas por não ser como eu, não significa que seja menos do que eu, significa apenas que é diferente. E por isso não existe o fator igualdade, porque essa ideia se torna utópica analisando as diversidades de culturas, morais, condicionamentos, costumes, religiões e diversos outros aspectos que tornam cada ser unicamente diferente do outro.

A exemplaridade vai definir o caminho certo a ser seguido. Por isso um líder deve ter plena consciência de seus atos, pois ele está conduzindo juntamente com os seus atos uma nação. Ou até mesmo se fosse um grupo menor de pessoas, ele deve conduzi-las de maneira que as beneficie e não as prejudique, pois ele se torna responsável pela carga instrutiva que ele carrega com sua posição, e responsabilidade não é transferível. Por isso que não devemos colocar os nossos direitos nas mãos de quem não nos conhece.

Gandhi dizia “seja a modesta que você quer ver no mundo”. Seja e não apenas fale. O ato se ser vai muito além do que apenas propagar, por quanto que um indivíduo presencia você sendo algo é mais intuitivo do que, quando ele lê o que você gostaria que fosse feito. Por isso a natureza do exemplo não pode ser esquecida em nenhum momento, e na família isso é decisivo.

Mario Sergio Cortella nos traz um exemplo magnífico de ter um pai exemplar, que é quando ele diz sobre o seu pai já falecido que era bancário,  e eles moravam em londrina, rodeado do barro vermelho e bonito, porque não havia estradas e nem asfalto na época. O pai dele chegava do trabalho por volta das seis e meia da tarde, tinha vindo de jipe, e entrava em casa todo coberto por poeira, e ele acha interessante o fato de ser bem humorado pois aprendeu com o condicionamento de seu pai, quando ao invés de entrar em casa praguejando, ele dizia o quanto tinha sido abençoado pelo jipe ter quebrado e não estar chovendo no momento, ou por ter acabado a gasolina a somente dois quilômetros de um posto. Por mais engraçado e cômico que seja, isso não é pensar que as coisas estão certas mesmo elas não estando, e sim ter a visão debruçada sobre o que faz crescer ao invés do que fenece. E a sabedoria está em cima do que entendemos como fato e por mais que não possamos arrumá-la, também não iremos nos desesperar por ela. E por isso que a capacidade dos mais idosos de nos transmitir sabedoria precisa ser revigora, levando em conta a serenidade em que é passada as experiência já vividas e resolvidas, mas estamos perdendo isso.

Na áfrica se diz: quando morre um velho é uma biblioteca que se incendeia. O que se perde de conteúdo? E isso não é fazer a elegia tão somente daquele que é idoso, mas não descartar a possibilidade do mais velho de ter assimilado mais experiências e conseguir de certa forma nos expressar os seus conceitos.

Hoje tudo é tão descartável e passageiro que as informações que absolvemos são descartadas como que automaticamente, e não se é extraído o necessário para formamos nossas estruturas básicas, e nos perdemos em meio de tanta forma de sabedoria, sendo que há mais informações do que necessitamos para nos manter informados. É importante ter sem que aquilo que você tem te tenha. Não seja possuído por aquilo que te possui, ou seja, não seja propriedade da sua propriedade.

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