Mudança, memória e ódio.

A única coisa permanente é a mudança. Não se toma o mesmo banho em um mesmo rio, pois depois de ter tomado banho nele, nem você e nem o rio serão os mesmos. E essa maneira de evolução natural nos torna evolutivo, e por isso deveríamos ser naturalmente contentes por estar em constante mudança, e que se fizermos dessas mudanças para o melhoramento do nosso intelecto, nos tornamos melhores do que já fomos, e essa é a base do ciclo da teoria da evolução. Quando o leitor tende a perguntar para o autor o que quer dizer alguma palavra em seu livro, um dos dois é burro, se de fato os dois não forem, mas caso forem eles estão partilhando de um fenômeno que é a burrice coletiva.

Nós não temos ódio, nós temos memória, que acima do ódio eu não posso apagá-lo e nem esquecê-lo. E é em cima dela que eu formo o meu ódio, na maioria das vezes eu posso cultivar o ódio de algo que eu não conheça completamente, pois o ódio emana a não compreensão sobre algo, e tudo o que não entra na nossa cabeça fica mais propicio á que odiamos, como se fosse a saída para nos manter longe disso, e então em segurança dentro da nossa bolha de conhecimento. Quando o homem aceita a ideia de que sabe de tudo ele aniquila as suas chances de aprender mais, pois o ego toma conta dos nossos bloqueios mentais, e é capaz de nos fechar dentro da nossa bolha, o que é o caso de muitos pseudo-intelectuais modernos.

Memórias boas são chamadas de glorias, e as ruins são as que eu me culpo. E a percepção de bom e ruim beira a categorização do certo e do errado que nasce nos exemplos que absolvemos no decorrer do nosso desenvolvimento. O nosso mundo na verdade é a construção que temos na memória, pois sem ela passamos a não conhecer mais nada, e acaba o nosso mundo, como se ele nunca tivesse existido. Como se você conhecesse a cidade de São Paulo após ter percorrido por cada esquina dela, e de repente perder sua memória, isso quer dizer que o seu conhecimento sobre a cidade não mais existirá e ela voltará a ser uma novidade para o seu conhecimento.

A ideia de recordar é a filtragem das lembranças pela memória, que as revivem e fazem ter os mesmos sintomas da primeira vez, e isso se renova com menor potência a cada vez lembrada. Como se ela fosse se desgastando, mas isso é levado em conta por causa do armazenamento de outras informações que recebemos direta ou indiretamente.

A vingança é o ódio que você toma desejando fazer o mal para a outra pessoa, que de fato não tem o seu perdão, pois o que ela fez ultrapassou os seus requisitos capazes de serem perdoados. E não há desculpa que te tire o desejo da vingança. Há uma diferença entre a desculpa e o perdão. Eu posso te desculpar, mas não perdoar. O perdão é a promessa do esquecimento. A vingança é a ausência do perdão.

Nós não somos um ser confiável para lidar com a justiça, porque nossa capacidade de falhar é gigante, e é arriscado ter essa responsabilidade em mãos, estamos propensos a me vingar, como se isso me fizesse feliz. Pensar que a vingança lhe dará o gozo do final é vazio demais. E por mais que sentimos o desejo de “dar o troco”, essa é a ideia que irá contra a justiça, pois não se deve defender um murro com outro murro, porque estaria usando a violência contra a violência, gerando mais do mesmo e não acabando com o que entendemos como mal. O ódio nos corrói.

Apertar a mão de Mandela não é como apertar a mão de um homem, e sim apertar a mão da decência. Porque esse homem exala a essência da decência em cima da sua carga intelectual e moral. Ele se sentou com os seus próprios carcereiros, depois de ter ficado vinte e sete anos preso. Sua capacidade de não executar a vingança – o que não exclui o fato de existir a vontade da mesma – o torna superiormente mais evoluído do que a humanidade até então. O mesmo encontramos em Sócrates.

Irmã Dulce dizia que nós temos que ser a última porta que alguém ira bater. Pois não devemos negar ajuda ao próximo se entendermos que estamos partilhando de ajudas constantes e que o coletivo que faz a verdadeira força. Um homem forte consegue derrotar meia dúzia de homens individuais, mas não um coletivo.

Quem exagera o argumento prejudica a causa. Ser pessimista tem um componente de ser vagabundo, contudo, todo pessimista é vagabundo, porque a melhor coisa que um vagabundo pode fazer é achar que nada pode ser feito, e isso te deixa na posição neutra. O que torna a pessoa contente com o estado atual, e sendo contente você automaticamente é a favor, e quem é a favor da mentira e da corrupção se torna aliado. A omissão tem o mesmo efeito do que a afirmação.

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