Sofrimento compartilhado

Se a minha mãe tivesse tido mais tempo pra nós ao invés de trabalhar todas as noites ininterruptamente, Clarice deveria ter crescido de outro jeito, com mais coração. Ela dizia que eu não era irmão dela e que minha mãe tinha me encontrado na lata de lixo. Por sorte eu descobri que todas as irmãs mais velhas diziam a mesma coisa para os seus irmãos. Mas Clarice era diferente, ela ficava parada na sua cadeira de computador durante horas, sem falar nada, olhando fixamente para  o seu computador enquanto ele estava desligado. Eu gostaria de poder usar, mas ela não deixava nunca. Eu avisava a minha mãe antes dela sair e ela pedia pra que Clarice deixasse que eu usasse e ela dizia que sim, que tal hora eu usaria, mas depois que ficávamos sozinhos eu descobria que era mentira. E ela ficava parada, imobilizada como se tivesse congelado e eu passava pela porta do seu quarto e não fazia barulho, não queria que ela acordasse.

Certo dia tomei coragem e entrei no quarto dela enquanto ela estava congelada. Fui na ponta do pé e afastei a sua cadeira do computador. Eu queria muito jogar o novo jogo de corrido. Coloquei o cd e fiquei de pé de frente ao teclado. Olhei para trás e Clarice estava parada como eu tinha a deixado. Seus olhos estavam todo branco e ela parecia dormir. Minha vontade de jogar era maior do que o que eu poderia pensar sobre o estado dela, afinal, ela ficava assim todos os dias, que mal seria eu usar esse tempo para aproveitar o meu jogo novo? Os carros eram tão verdes que pareciam os mais rápidos do mundo.

Joguei durante cinco minutos até que ela me tocou nos ombros, me puxou lentamente para o seu colo e seus olhos continuavam brancos.

Me sentei e tentei não te olhar mais no rosto, Fechei meus olhos e fiquei balançando com a força do corpo dela, ia para frente e para trás, seus braços cruzavam meu corpo mas não me tocavam de verdade, ela sentia repulsa de estar perto de mim,  mas se mantinha por mais tempo possível. Eu não entendia as maluquices dela. Minha mãe dizia que ela era normal e que só precisava de um namorado, O garoto mais próximo que ela tinha era o Bruno. Alto e usava óculos, agia como um homossexual e nunca deu sinal de que pudesse ser interessado nela. Nós nunca tínhamos conversado até que ele chegou de um encontro que teve com ela e decidiu me contar um segredo que tinha guardado por mais de um ano.

Bruno me contou de quando ele e minha irmã foram para o passeio de escola junto com a turma deles. Minha irmã estava calada a viagem inteira e quando chegaram no parque ela ficou agitada, se perdia da turma todo o tempo e quando reapareceu pela ultima vez chamou Bruno para andar com ela, ele foi por curiosidade e eles entraram num buraco escuro. Dentro desse buraco cheirava muito mal e ela mostrou que tinha um ninho de pássaros com os filhotes todos mortos, e ela segurava os ovos quebrados com os passarinhos mortos dentro. Ele saiu correndo, mas ela o derrubou e o fez vê-la queimar todos os animais que tinha juntado. Ele ficou maluco depois daquilo e sumiu. Voltaram a se encontrar e ela explicou o que tinha acontecido com ela pra ela ter matado todos aqueles animais e ter agido tão estranhamente assim. Eu não sabia o que falar, o sofrimento não era só meu.

Com as atitudes que Clarice tinha ela não ia conseguir namorar tão cedo, e para melhorar tinha me estragado, e eu não conseguia me aproximar de nenhuma garota, todas iriam abusar de mim como se eu fosse um boneco de prazer, e não importava o quanto eu chorasse, elas não parariam de manipular minha mão por suas nadegas, e seus cús, e suas vaginas e seus peitos e bocas. Pessoas pensam que homens não podem ser estuprados, mas elas não entendem que qualquer tipo de relação sexual que um indivíduo não queria pratica, mas é obrigado ou induzido a isso é uma forma de estupro, não tem níveis e nem meio abuso.

Eu não era o seu namorado, definitivamente não era, mas Clarice não entendia essa minha teoria, para ela eu era o seu escravo, seu boneco e seu marido. A maior parte do tempo ela ficava entretida com o computador, mesmo que ficasse parada sem ao menos mexer nele, mas eram as minhas folgas das suas loucuras. Eu tentei parar minha mãe, pensei que pudesse impedi-la de sair para trabalhar a noite, e por mais que eu entendesse que fazê-la ficar seria não comer no dia seguinte, a minha ânsia por me ver longe das mãos imundas da minha irmã.

Ir para o meu pai era escapar por um final de semana do sufoco que era o quarto de Clarice. Eu não sentia amores pela casa do meu pai, ele não tinha renda fixa então não tinha como morar numa casa legal. Rose ficava em cima da cama enquanto eu tomava banho. Meu pai vinha me secar e nos deixava sozinho no quarto. Ela não tirava os olhos de mim, era dois anos mais nova do que eu, mas era como se a gente tivesse a mesma idade, e eu não gostava de usar roupas perto dela.

Deixei que ela segurasse a toalha enquanto eu me deitava do seu lado. Nos cobrimos e descobrimos que tinha um mundo particular no escuro daquela cabana. Peguei nos seus peitos que ainda eram ervilhas e me lembrei dos de Clarice, que eram bem maiores e rosados. Rose tinha cor de papelão molhado, por conseqüências as suas curvas eram sinuosas por mais que ela fosse nova, e seus lábios eram grandes, tanto que podiam amortecer o seu corto de encontro com a minha virilha. Seus dentes machucavam a minha glândula peniana, até que ela tirou sangue do meu pênis, foi quando ela parou de usar a boca. Eu fiquei com medo e corri para o banheiro, segurei o choro para ninguém perceber e não a culpei. Lavei e me sequei, o sangramento parou depois de alguns minutos e fomos para sala. Eu estava pálido, pois sempre ficava com medo de perder o meu pau, mas nada de grava tinha acontecido. Clarice  olhou para os meus olhos e deu uma risada maliciosa, era como se ela soubesse do que tinha acontecido no quarto.

Na noite desse dia Rose veio me acordar enquanto eu dormia. Estava com cara de assustado e tinha acabado de parar de chorar. Me dizia algo como “foi ela que mandou”, e pedia desculpas. Não entendia nada do que ela falava porque ainda estava dormindo, e mais tarde naquela mesma madrugada comecei a juntar os pontos. Rose queria dizer sobre a dentada que meu deu mais cedo, e eu não poderia mais vê-la desde então.

Foi quando meus pais não se viram mais. Clarice estava tão perigoso que meu pai tinha que se manter longe, como se não existisse, e era isso que minha mão enfiava nas nossas cabeças, a não existência dele, assim como os ateus quando se tratam de Deus. Minha mãe não ia mais poder ter outro encontro com meu pai como o ultimo, enquanto o namorado atual dela estava em outro país nos mandando dinheiro do seu suor, ela se deitara com meu pai no seu quarto. Nós estávamos na sala, eu, Clarice e Rose. Clarice estava no computador como sempre, e eu e Rose conversávamos como se finalmente fossemos irmãos. Eu sabia que aquela seria a última vez e por isso seria mais demorado, mas não ia intervir, todos precisavam se manter vivo, e se eu poderia contribuir com isso, iria fazê-lo.

Bruno tentou me dizer a todo o momento, por isso ele se fingiu de homossexual, sabia que chamaria a minha atenção pelo jeito dele ser diferente dos outros garotos e assim nos aproximaríamos, ou ele teve medo de que eu pudesse perceber que ele estava gostando de mim? Enfim, ele deixou as pistas para que eu descobrisse por conta própria de que Clarice tinha sofrido abusos, e isso era de quem eu menos esperava. Logo lhes direi sobre Diogo.

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