Crônicas da meia-noite

Era meia-noite quando em frente a capela amarela do centro eu te esperei. Estava escuro e eu não a vi dando voltas no quarteirão, como se não fosse eu quem ela estava querendo. Eu compreendo as suas preferências por conta das suas referencias, e no meu quartinho fiquei pensando onde você poderia estar. Fui até a casa de flores tentando encontrar uma rosa que parecesse com o seu rosto, mas só tinham flores escuras. Nada que fosse igual a você. Cores que eu não conhecia, cada uma dublando o seu prazer da meia-noite.

Saí muitas vezes esperando encontrar você em alguma dessas esquinas, mas fui abordado por vidros quebrados de uma combi velha. Cai pelo chão e me ferrei todo, você estava longe demais para me acudir. Fiquei no chão agonizando em silencio enquanto os outros carros passavam por mim. Era como se o farol nunca ficasse vermelho e infinitos carros passavam, ninguém conseguia em ver. Me arrastei até minha casa e deixei que minhas feridas me necrosassem, mas não fora feito.

Eu não deixei de ficar em alerta, a qualquer momento você poderia aparecer e eu precisaria ficar ligado. Em todos os meus lados, todos que me olham. O vocal tentava me avisar sobre os perigos, mas estava embriagado em lembranças, e fui pego desprevenido. Correndo da fatalidade de ser o seu freguês, apanhando nos pontos vitais do corpo, se encolhendo ao ponto com os pontas-pé me tocam. E esse é o fim para mim. Enquanto você chora na frente do espelho, penteando o cabelo e se lembrando da noite em que não me encontrou na rua em frente a capela amarela.

Você nunca se esquecerá de que foi meia-noite em que mudou totalmente o seu destino. Quando andou pelos outros becos abandonados querendo habitar, se desencontrou do meu caminho e me deixou esperando-a em meio de tanto perigo. Nunca imaginara que eu teria ficado na pior, sem saída em meio ao mar de ódio, e que esse poderia ser o meu fim. Não pensou no quão cinzas as pessoas estão por dentro e permitiu que eu tomasse a rota da minha triste chegada. Falhou em me avisar sobre as curvas das ruas de São Paulo, e não tivera outra esquina mais brusca para ter me pego e surrado.

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