As irmãs

Quem é o melhor amigo do homem? Não me responda que são os cachorros, pois eu não confio em homem que não bebe. É irracional passar por tantos problemas sem ao menos tocar um pouco o céu, mas há aqueles que mal se preocupam com o que acontece, pagam outros idiotas para limpar suas próprias bundas, e o meu inferno se chamava Rafaela, e eu a matava em cada gole de Whisky que dava, como se realmente fosse capaz de esquecê-la, por mais que fosse uma única noite, pelo menos seria uma noite que eu dormiria.

Depois de algumas semanas duras eu consigo marcar de me ver com Rafa. Não é fácil, ela esta diferente, não é a mesma garota gentil de se conversar que eu havia conhecido e então quando eu a encontro no lugar marcado, ela esta com o seu novo caso e o meu chão se abre. É como se eu fosse traído, mas nós não tínhamos nada e o único culpado era eu, porque eu decidi me enfiar naquilo, e agora não conseguia mais sair.

O cara que esta com ela avança em mim, como se o mundo já não tivesse me batido o bastante e me da a maior surra que eu poderia receber. Ele me aplica todas as façanhas que aprendeu no exercito, mas nem assim consegue se sentir mais homem do que eu, talvez seja pelo motivo de não reconhecer o valor de uma mulher, e eu deixo que ele me bata. Sinto que ele precisa desse momento de explosão, e não custa nada alguns pontos na cara. Ele não cansa de me dar pontas-pé até que finalmente Rafaela o impede de continuar. Pensei que esse momento nunca chegaria em vida. Ele ainda continua nervoso como um cão com focinheira e eles me deixam ali no chão,  como se fosse um lixo que caiu fora da caçamba e eu junto os meus trapos e dou o fora.

Se o intuito do novo namorado de Rafaela era me derrubar, ele poderia ter certeza de que eu já tinha me encarregado disso e me afundei ainda mais no álcool. E a medida que eu ia varando noites bebendo, o desejo por expor essas historias hilárias e azarentas vinha átona, e o que eu podia fazer se não ler um bom livro do Bukowski?

Apareceu outra apresentação de Nabokov e eu fui. Precisava sair de casa e cheirar novos ares. Bebi mais do que deveria e fiz amizade com um dos famosos que se apresentava. Ele mandava bem cantando, tinha um perfil perfeito para as mulheres caírem em cima, o que era o contrario de mim, me identifiquei com ele. Era como se fosse a sombra do que eu queria ser mas não podia porque me faltava coragem pra tentar mais e mais.

Ele se apresentou a mim como Yudi, um japonês mestiço, mais moreno do que japa. Tinha o cabelo maneiro, espichado para cima como se fosse o popstar do ano e eu não duvidava daquilo.

No final da sua apresentação, todas as mulheres gritaram até as suas gargantas sangrarem e eu precisava de um pouco daquele brilho, antes que eu me perdesse por completo dentro da minha escuridão. Yudi desceu do palco e veio até a minha mesa, me pagou uma bebida e se apresentou pra mim formalmente, estava tentando me impressionar e eu não sabia o porque.

– Você é o único que não me olha com outros olhos por aqui amigo, pena que é um cara, se fosse uma mulher eu te daria um trato, que isso fique bem claro.

Ele era engraçado sem precisar forçar, não era como os idiotas que estávamos acostumamos a engolir nas televisões e jornais, com os seus dentes brancos e colarinhos, nos mostrando o que é ser animado, e eu estou me cagando para o que pensam sobre o humor atualmente. Yudi sabia fazer qualquer um rir.

Bebemos mais um pouco e ele me chamou para a sua casa onde estava hospedado aqui no Brasil, eu não tinha para onde ir então aceitei na mesma hora.

– Terá algumas garotas quentes lá, mas não quero tudo isso sozinho, aposto que você também consegue fazer um estrago, o que acha?

– Buceta é comigo mesmo, meu amigo japonês. É comigo mesmo, mas antes, vamos tomar a saideira.

– É assim que se fala seu filho da puta. Você também escreve poesias, não é mesmo?

– Quem foi que disse isso?

– Eu só li ao cartaz que esta na entrada.

Ele tinha razão, eles tinham me convidado para me apresentar e eu mal lembrava de ter aceito qualquer convite que fosse, enfim, eu tentava escrever algumas coisas. Nada muito sofisticado como os popstar do momento, eu nunca seria um popstar. Não escrevia o que era do momento, mas tudo o que eu escrevia eu não conseguia ficar um momento sem ler, e isso só eu entendia e compreendia a minha genialidade, e assim mesmo estava tudo bem.

Caroline e Sari. Duas irmãs ricas da zona sul. Logo quando eu bati os olhos na mais baixinha, eu tinha escolhido com quem eu passaria a noite, e para provar que me dei bem com Yudi ele escolhera a mais alta, assim, sem precisar negociar.

Bebemos até altas horas, e no meio das conversas contei a Sari que tinha vindo do Japão com Yudi e ela caiu, eu estava dentro dos seus requisitos, me senti um idiota por ter que se passar por quem não era pra conquistar uma garota.

Ficamos naquela noite, o beijo de Sari é viciante. E ela me desperta algo que não me deixa afastar dela. A noite é tão longa que dormimos e acordamos e o céu ainda estava escuro. Esperamos que ele clareasse para que Carol pudesse ir embora. Sari decidiu ficar mais um pouco.

A noite fomos para a virada cultural, bebemos e ficamos andando na rua até que encontramos um palco de rock, os amigos de Sari que estava com a gente queria ver a banda que estava se apresentando. Ficamos esperando eles sentado na calçada de frente a um restaurante de caminhoneiro. Yudi não ficava tão próximo de Carol, já eu e Sari não nos desgrudamos.

Enquanto Sari estava na minha frente com seu quadril roçando sutilmente no meu, fiquei ereto e com vergonha, não tinha onde esconder a elevação das minhas calças, então pedi pra que ela ficasse na minha frente até tudo se acalmar.

De manha foi difícil dizer tchau. Fui com ela até o metro e nos abraçamos na entrada. Eu não conseguia solta-la. Nos encostamos no muro de frente a uma loja de pão de queijo e ficamos nos beijando, eu sentia que seriam os últimos beijos, não economizei saliva. Sari me apertava como quem quisesse que eu entrasse dentro dela, e se eu pudesse teria feito.

Volto para a casa do Yudi e encontro bebendo, ele estava bebendo muito e não tinha dormido desde então. Ajudo-o a se sentar no sofá e falamos sobre as garotas. Sem duvidas fora um grande presente que ele me dera.

– Obrigado por tê-la me apresentado.

– Não foi nada, mas, preciso da sua ajuda agora, tenho que escrever algumas poesias para a próxima apresentação, conto com você.

– Eu não sei se dou conta, nunca escrevi nada tão serio, só vomito algumas palavras sem sentido.

– Já estamos conversados.

O filho da puta do japonês não da um nó sem ponta. Não tem como eu fugir do seu favor, amigos são para isso, talvez, fosse a melhor maneira de repetir tudo o que ele estava me mostrando, e não seria nada mal sugar uma estrela de forma licita.

  Compra no boleto e paga na lotérica
   Baixa aí que é de graça

amazon-iconsaraiva icone clube icone google play  icone agbook

      twitter 

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s