Tarde embaçada

Irei escrever este livro, mas a cada pagina que eu terminar, irei rasgar e queimar para não sentir nem o rastro dessas historias. E que a fumaça dessa maldita música em forma de romance vá para o inferno com todas as outras formas de amor que exista, eu não quero sentir mais isso, é muito forte para mim.

E abri outro litro de Whisky, nada era mais lento do que beber e ver as nuvens passarem lá fora. Isso é tudo o que você irá ver por aqui: bebida, nuvens, céus, amores, desamores, mulheres e vidas que foram ou não vividas. E eu começo.

Bia me seduziu. Ela ainda era uma garotinha, mas mentia muito bem, eu não sei quem que foi que a ensinou, mas ela me enganou direitinho, talvez essa tenha sido a primeira vez que eu fui traído por uma mulher. Nada mais justo do que ser ainda na puberdade.

Aconteceu mais ou menos assim, ela queria me levar pra sua casa e dizia que íamos conversar, eu cai na dela, ainda não tinha tanta malicia no olhar, mas me lembro que um dia antes do encontro eu faltei no meu curso de inglês e fui correr. Aquele não foi um dia comum, eu corri por dez quilômetros e nem tinha notado, eu simplesmente não cansava e quando eu que estava em outra cidade tive que voltar. Na volta pensei em tatuar meu corpo, talvez Bia fosse querer vê-lo no dia seguinte, e eu com um dragão no braço não ia ficar nada mal.

Corri pra ficar em forma, me sentia despreparado, como se ainda não tivesse treinado o bastante ou algo do tipo. Tirei a ideia da tatuagem da minha cabeça e continuei correndo de volta pra casa. Quando foi a noite eu me banhei, só que nesse dia eu demorei. Fiquei olhando para o meu pinto, vendo de que forma ele poderia agradar a Bia. Bom, ela é uma garota e não possui um, então só por esse fato eu já agradaria ela lhe dando como presente.

Ele estava cabeludo, dei um trato com a tesoura e fiquei muito mais charmoso. Acordei no outro dia como se nem tivesse dormido. Os meus olhos estavam vidrados e eu não conseguia pensar em mais nada a não ser o encontro com Bia, lembro que nos encontramos no terminal e um senhor de rua disse a ela que era mestiça, e ele acertou. Não entendemos e demos muita risada. A autenticidade de Bia beirava o céu, ela era explosão de animo e espontaneidade. Eu tinha medo do que ela poderia falar ou fazer, mas esse medo era simplesmente vergonha, eu que era tão fechado, como uma ostra escondendo a perola.

Nós conversávamos como amigos, nada de casal. Eu pensei que aquele momento fosse ficar só daquela maneira mesmo, mas quando fomos chegando eu notei que ela jogou o seu corpo para frente, dizendo que estava cansada e que iria se deitar quando chegasse, mas que antes iria tomar banho. Na verdade ela não comentou sobre o banho, só quando chegamos mesmo. Subimos a escada de espiral e viramos a direita, ela foi direto para o seu quarto e jogou a bolsa no chão, caiu que nem peso morto. Fui até ela preocupado com que não tivesse desmaiado, e lá estava ela, balançando os braços como quem faz anjinho na neve, e eu fixei os meus olhos no seu, via ela me chamando em silencio e eu não podia negar, o meu corpo entendia que tinha que ir até o dela e que isso era o mais certo e justo a se fazer, então eu o fiz.

Me aproximei assustado de Bia, não sabia como agir, eu não era homem o bastante para ter o controle das coisas, a minha pureza deixava a virgindade escancarada para quem quisesse olhar, até porque quando coloquei a mão na bunda de Bia, por dentro de suas calças, foi a vez em que mais me senti másculo e aquilo me agradou além dos vídeo games e brinquedos da minha idade. Ela já se acostumara, dormira de conchinha até com o seu ex namorado, e eu pensando que teria que ensiná-la a como fazer.

Sinto que sou sempre o ultima a saber das coisas, como se nada fosse exclusivo para mim, e isso me da saudade de tempos que eu nem vivi. É de cortar o coração ver uma pessoa sofrer tanto e não poder ajudá-la, ou melhor, não querer ajudá-la. Dinheiro não substitui afeto e por isso que senti a falta do meu pai quando era pequeno e só tinha a Bia como referencia para amor, nessa época minha mãe estava muito distante tendo que colocar comida na mesa. Eu mal a via, tinha que brincar sozinho para disfarçar a falta que sentia de alguém pra cuidar de mim.

Por mais inocente que eu fosse, aprendi a como agir em questão de segundos, algo que só os instintos de um homem poderia explicar, eu mesmo não consigo chegar numa resposta decente para relatar, mas agi, fui para cima de Bia como um louco insaciável.  Deitei meu corpo sobre o dela e a beijei de uma maneira que ela nunca mais fosse ser beijada.

Nossos lábios se cruzaram e na inexperiência das bocas virgens, nós nos esfregamos com vontade, e exalamos o tesão tão expressivo na carne. Ela me cheirava a desejo e realmente não tinha mais nada que eu desejasse do que despi-la e saborear o gosto do seu corpo moreno. Suas curvas não eram perfeitas, Bia tinha carne e poderia até ser chamada de gorda, mas as silhuetas tinham formas e das boas, tanto que sua bunda era redonda do jeito que achavam que era a perfeição, numa circunferência perfeita, arredondada, como se fosse o rosto de Deus, e seu corpo era divino quanto.

Minha loucura estourou quando abaixei sua blusa e engoli os seus mamilos marrons. Eles enchiam a minha boca e eu podia sentir que nós fazíamos parte um do outro, e que aquela era a nossa tarde. Lá fora, homens trabalhavam pesado em alguma construção que nunca ficou pronta, e parecia que eles podiam nos ver na cama, pelo chão, subindo as paredes. Minha boca descolava se desdobrando por todas as partes do seu corpo, e eu não tinha mais respiração pra me aguentar no meio das suas pernas. Eu ainda era um menino e não tinha experimentado o gosto de uma buceta. Na minha cabeça ela podia ter qualquer saber, e poderia até ser acida, e queimaria a minha língua. Mas não, e Bia me garantiu isso quando empurrou com toda a sua força a minha nuca contra as suas coxas, fazendo os meus lábios encontrarem com os lábios dela, e nos beijamos novamente, dessa vez ainda mais apaixonado e úmido com a saliva do tesão. Ela babava seiva de prazer e eu me lambuzava na sua cachoeira vaginal.

Usava meus dedos rapidamente, como se fosse alguma maquina que precisasse de pressão. Não entendia da sensibilidade feminina e nem conhecia meu velho amigo Clitóris ainda.  Abusava da força ao massagear toda a buceta, com estocadas de dedo a cada meio milímetro de segundo. Bia gritava, não tão alto para uma virgem, mas nem tão baixo para a garota mais safada da cidade. Eu não a sentia dividida, mas deveria, pois não era verdade o que me dizia sobre os seus conhecimentos sexuais, tinha muito mais habilidade do que eu em oferecer prazer, ela era o poço mais novo de prazer da cidade, como uma garota proibida para mim, e eu me desfiz em suor.

Penetrava dentro de Bia como penetrava no tempo, consequentemente mais lento a cada momento. Sem parar, sentindo cada contato, e meu peito poderia explodir a qualquer momento. A tarde não passava, era como se estivesse ficando cedo, e não tinha relógio por perto para comprovar isso, Eu me sentia em outro lugar, qualquer outro que seja diferente do real, pois eu me enchia tanto de prazer que sentia emanando por todas as minhas entranhas, enchendo Bia como uma mangueira, e ela gemia baixinho, feita uma gata manhosa.

Pedia para que eu fosse mais forte e mais fundo. Ela estava me provocando, sabia que eu estava dando tudo e mim e ainda queria mais, como se eu não estivesse saciado a sua vontade, eu era tão inseguro que recebia isso como ofensa, até que eu aumentei o ritmo, fui além do que o meu corpo permitia. E enfim ela gemeu alto, como se tivesse sentido dor, mas não a que faz chorar, a dor que é a chama do prazer. E eu a deixei cheia de fumaça por dentro, toda queimada e assada, a tarde não acabava e nossos corpos ficavam juntos, tão colados que grudavam, e ela jogando seu cabelo para trás, se contraindo enquanto eu via tudo mais embaçado, e parecia estar em outro mundo. Se eu não fosse capaz de contar isso, eu juro que não tinha vivido aquilo de verdade. Bia toda suada, rebolando, eu segurando a sua cintura, e o teto embaçado, os homens lá fora quebrando tudo, construindo, e nós na dança horizontal, reproduzindo, ou pelo menos na ideia de fazê-lo. E nada mais poderia acontecer se não a nossa transa, o que entendíamos sobre selamento final do amor, o Amor.

Dependendo da nossa concepção sobre a transa em que temos com alguém é que denominamos qual o sentimento que nutrimos por ela. E é certo entender transa como não amor, e amor como um eu te amo. E precisamos transar sempre para manter esse selo de aprovação pela visão de todos, mas só temos que demonstrar para o outro, e esquecer dos outros lá fora. Esquecer das batidas do martelo da construção que nunca terminara. E eu fico curioso de saber qual o tipo de casa sairia daqueles homens. Tão alegres e silenciosos em trabalhar, quem agüentaria aquele sol enquanto a cama estava fresca, e um tanto molhada de tanto cavalgar.

O telefone toca no outro quarto. Bia tem que ir atender, eu fico bravo por ter de parar a transa que estava barrando as três horas, mas podia ser sua mãe e ela tinha que saber a que horas ela chegaria. Eu a segui pelo corredor comprido da sua casa. Chegamos ao outro quarto e ela se jogou na cama toda nua, e pegou o telefone levando até o seu ouvido. Seu corpo dobrado na cama me descontrolava por dentro, e eu nunca tinha me sentido tão doente por alguém assim na minha vida.

Me deitei sobre o seu corpo a base de beijos e Bia tentava me afastar. Não era sue irmão, mas era o ex dela do rio de janeiro e ele não entendia que a vida em São Paulo continuava, e que ele não ia manter ela ilesa aqui do outro lado da cidade. Ouvi ela e suas promessas de que ligaria para ele depois, e que ele não precisava ficar ligando a cada hora para ela. Acho que ele iria demorar pra entender, mas uma hora tomaria jeito e a esqueceria, eu era o novo idiota que ela usaria, esperei que fosse da melhor forma.

Não deixei que ela ficasse em paz enquanto falava com outro no telefone, essa nossa guerra de masculinidade com outros homens dura a muitos anos. Esperei que Bia desligasse o telefone e voltamos para o quarto, eu não tinha nem sombras de cansaço e ela comentou algo sobre dar o meu horário, algo que eu não queria ouvir tão cedo.

Voltamos a nos amar pela tarde. Os homens tinham diminuído o ritmo das marteladas e era mais fácil ouvir os gemidos de Bia. Eram inaudíveis, eu os ouvia sussurrando no meu ouvido como se fossem pedidos de mais, ela queria mais de mim, tudo que eu tivesse para enfiá-la. Sua boca ficou sedenta e ela se ajoelhou na minha frente, colocando a ponta da cabeça do meu pau perto dos seus lábios. Fechei meus olhos e senti que iria ter uma das minhas melhores sensações e fiquei firme para sentir. Ela engoliu ele lentamente, com toda a destreza que poderia ter, e eu segurei a respiração, estava sendo sugado.

Segurei seu cabelo como se ela fosse minha puta e ela consentiu. Balançou o pescoço e gingou com o meu pau dentro da sua boca. Me babou inteiro e ajeitou o quadril no meu. Sentou e subiu, inclinou e voltou a sentar, esses eram os momentos que o meu mundo parava, e eu sentia a cada contração da sua vagina se dilatando para o meu pau se encaixar. Ele babava se auto-umedecendo e penetrando com mais facilidade no canal entre as pernas de Bia. Metendo, metendo, metendo, com toda a força que eu nem imaginava ter. Suando frio, com a boca seca e os corpos se roçando, entrando em atrito quase que imperceptível. Subindo e descendo. O cabelo de Bia cobria todo o seu rosto e meus olhos se abriam em frações de segundos para ver o rosto dela se contraindo, tomando diversas formas, e eu sentia que minha boca não se fechava, e eu olhava para o lado e tudo era embaçado, os pedreiros tinham ido embora e o som da brisa batendo na janela era a nova música, e o céu não tinha pego outra cor, ainda era tarde, ainda nos amávamos e eu não queria parar, não tinha nada melhor do que pudesse fazer mais além de amar Bia.

Ela se deitou e eu coloquei meu corpo sobre o seu. Não tinha mais dificuldades para empurrar o meu pinto por suas pernas, eles entravam como se já soubessem o caminho certo e eu estocava como se fosse a ultima vez, a cada metido um suspiro, e esticava o meu pescoço para cima, puxando mais forças para continuar penetrando-a e seus olhos me olhando, como que me analisando, vendo até onde eu conseguiria ir, e sua boca sorrindo para mim, debochando do meu potencial, e seus lábios tremendo, dizendo que eu era fraco, e não conseguia arreganhá-la, e eu sem nenhum pudor e totalmente tomado pela vontade de rasgá-la lhe arrumei na cama, endireitei meu corpo e afundei a estrutura do meu pau, fincando em terras desconhecidas, retirando os resíduos do seu lacre virginal, lhe mostrando a melhor parte de ser mulher, na contração interna das partes intimas, levando ao seu primeiro orgasmo, tão tímido e desconhecido como o tesão na juventude.

Tirei a sua pureza que se escondia por suas entranhas e ganhei novo corpo corrompido pela ambição dos seus prazeres mais ocultos, e a beijei como se fosse o meu pedido de desculpa, tentando dizê-la que ficaria, mas que sempre nos amassemos daquela maneira, pois faria bem para mim. Fechei os olhos e continuei percorrendo os caminhos de Bia, suando o máximo que um ser humano transpira, e sussurrando palavras de puro prazer para ninguém ouvir. E as paredes sabiam dos nossos segredos, só elas viam tudo o que se passava em cima da cama de Bia. E os corpos queimados, inflamados dentro e fora por chamas incandescente de puro prazer carnal se moviam em sincronia, era a hora de terminarmos o espetáculo copulativo.

Ficamos deitados, ouvindo o barulho das crianças que passavam na rua, e de todos os carros que corriam nas ruas de São Paulo. Deitamos de costas para o teto que sustentou tamanha paixão a dois, e víamos as gotas do lençol ensopado pingando no chão, era até possível sentir quando elas tocavam no assoalho se desfazendo na poeira do solo.

Eu a tinha nos meus braços suados. Ela escorregava a medida que tentava se mexer e isso era o mais perto de me sentir homem que eu podia sentir. E os seus cabelos emaranhados nunca foram tão lindos antes. Bia não se sentia bonita nua na minha frente, a vergonha pós sexo a dominara de maneira que ela colocava o pouco tecido do lençol para cobrir o corpo das minhas vistas. Isso a deixava tão feminina que eu comecei a ter a minha ideia de perfeição numa garota atrás desses gestos. Como se ela tivesse que ser a mulher mais experiente na cama mas fora dela um anjo que nunca fora tocada.

Eu era feliz com esse pensamento e não tinha vergonha de dizê-lo, mas hoje tenho, e por mais que tenha trocado a minha forma especifica de pensar numa mulher ideal para mim, ainda trago comigo esse pensamento de encontrá-la como se fosse um tesouro perdido, ou algo que o valha.

O final do nosso momento foi magnífico. Fui embora depois de receber um beijo de até logo, e não um de Adeus, como costumamos receber. E fiquei feliz por existir. Como se antes ainda não houvesse vida digna de ser celebrada. E não importava estar mais de meia noite na rua, eu tinha virado homem, e tive uma mulher nos meus braços. Uma mulher ainda garota e que eu não sabia até quando se manteria ali, mas eu a tive, sentia todas as sensações que acabará de presenciar e a sentira nos braços, comigo, ali, como se esperasse o ônibus junto a mim, me beijando dos pés a cabeça, e todo o mal que eu guardava se libertou, eu só sentia a sensação de flutuar enquanto andava. E a noite engolia todas as formas de inseguranças que eu tinha sentido, eu tinha entrado em corpos novos, receptores de corações pulsantes, e nunca houve dia que meu coração bateu mais rápido do que naquela tarde embaçada com Bia.

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