Entrando em cena

  1. Entrando em cena

Não tinha outra coisa em que pensar se não em Bia. A saudade que o meu corpo tinha do dela não era suportável para o meu corpo mortal. E não via a hora de ser chamado para vê-la de novo. Pensei com toda a minha insegurança de que isso não fosse acontecer, mas demorou apenas uma semana e nos encontramos. Foi difícil de convencê-la a me levar para sua casa, mas eu consegui. Pedi pra que ela me fizesse um bolo e Bia aceitou, iria ser de chocolate. Ela não era a chefe de cozinha que um restaurante chique contrate, mas sabia do que estava fazendo.

Ficou toda suja de farinha enquanto tentava fazer a massa pegar forma. Eu a ajudei da maneira que pude. Tive espasmos de prazer enquanto tentava beijá-la. Ela tinha me dito que nós não íamos poder continuar fazendo aquilo e que ela tinha prometido para o seu amigo/ex de que não iria se envolver com mais ninguém. Papo. Eu não dei muita importância para isso, porque anulava completamente as minhas vontades.

Fiquei insistindo, tentando arrancar um beijo que fosse até que subimos para o quarto. Eu não a deixava quieta, para todo o canto que ela ia eu ia atrás. E então quando estava de frente ao seu guarda roupa escolhendo algo para vestir e a agarrei e caímos na cama. Eu subi em cima do seu corpo e a imobilizei, aproximei meus lábios e a beijei a força, com tanta voracidade que a deixei sem ar. Bia prometeu que deixaria eu fazer o que quisesse com ela se a deixasse ir tomar banho. Ela mexeu com tanta farinha que se sentia grudenta. Eu pensei bem e seria uma boa. Libertei-a dos meus braços e ela se foi. Me pediu que ficasse de baixo da cama caso o seu irmão mais novo resolvesse passear pela casa.

Eu aceitei e fiquei uns bons minutos de baixo da cama cheirando o mofo do quarto. Não aguentei e sai de lá. Não tinha problema nenhum em ficar sentado na sua cama te esperando. Até que a porta range e um pequeno corpo entra. É o seu irmão, que apareceu feito um fantasma, me olhou, eu mexia no meu cadarço. Ficamos alguns segundos eternos nos olhando e então ele foi embora. Fiquei atônito, não sabia qual a gravidade dele ter me visto. Bia não tinha me falado nada sobre o seu irmãozinho.

Antes que eu pensasse em mais coisas ela apareceu. Vestia uma camisola quase transparente e estava mais cheirosa do que uma flor. Tentou em enganar fingindo dor de cabeça, mas eu a agarrei de novo. Te envolvi em beijos e caímos na cama, ela finalmente sentira vontade de me ter, e eu sugando-a todo o suco possível dos canais do teu corpo. Os lábios da sua buceta estavam roçando nos meus finalmente, e eu sentia o seu sabor de vida.

Coloquei Bia de quatro e consegui penetrá-la, era a única posição que ainda não tinha conseguido. Fiquei feliz e ainda mais tesudo por penetrá-la. Sua bunda perfeitamente redonda se encaixava no meu quadril da forma mais simétrica possível, e qualquer um poderia dizer que formávamos uma única peça no quebra-cabeça do amor.

Com as cinturas coladas e os corpos indo para frente e para trás não tinha como escapar da minha paixão proibida, Bia mexia comigo mais do que a terra se movia em orbita, era algo inexplicável, que nenhum homem poderia relatar em palavras, e se estou conseguindo te contar tudo isso é porque aconteceu de verdade e eu fico feliz por isso. Bia me mostrou que viver não era apenas deixar que o meu pulmão respirasse, mas sim que desse um significado para ele bombear o ar que me deixa acordado. E eu não podia perder nenhum momento das minhas metidas em Bia. Por dentro de todo o seu corpo, que me pertencia mais uma vez numa tarde laranja.

Não pude usufruir tanto da sua posição mais prazerosa. Um carro entrou pela garagem da casa de Bia e nós ficamos assustados, era a sua mãe chegando. Nós sabíamos que aquele momento chegaria e eu estava em apuros. Me escondi durante horas e só consegui ir embora quando sua mãe foi tomar banho. Me lembro que ela não se despediu de mim como alguém que perde um ente querido e que não queria que acontecesse, mas sim como alguém que se liberta, que fica livre enfim.

Ela apareceu um tempo depois me dizendo que poderia estar grávida e que se caso isso fosse verdade, eu não precisaria se preocupar porque seria a ultima pessoa em que ela precisaria de ajuda. Eu fiquei detonado com aquilo porque pela primeira vez na historia uma mulher se mostrou mais capaz do que o homem, e não dependente dele, mas que isso me doeu como uma facada, doeu. Fiquei calado, não tinha o que dizer, tentar salvar algo que já tinha sido concreto um dia era bobeira, talvez só eu tenha amado.

Decidi que deixaria com o tempo, ele ia cuidar de nos juntar ou não. Poucos dias depois encontrei Bia com seu ex de mãos dadas, eu não podia suportar a cara daquele moleque. Ele andava de skate e era drogada, dos fortes mesmo. E eu corri até ela para acabar com aquela cena e me vingar da escolha dela. Não consegui dar um soco se quer nele, mas levei vários em compensação. Fiquei no chão todo estrebuchado, o cara não economizou energia para me bater.

Bia deve ter pensado que eu merecia, virou as costas e foi embora. No fundo, no fundo eu merecia mesmo, ninguém tinha me obrigado a me envolver com aquela garota.

Foi quando em entreguei para a bebida, pra valer. Passei a beber todos os dias, sem parar e sem pensar no amanhã. Eu nem mesmo tinha perspectivas antes de ter conhecido Bia, imagina com o coração sangrando? Ela sabia muito bem como derrubar um homem e eu estava na posição de amante. Pensei que fosse o contrario e por um momento em que pensei tê-la fora o melhor que senti, quando o contrario seria o pior e a bebida me engolia como a noite engole a tarde.

Olhei na agenda de apresentações e tinha uma de Lolita, poderia ser interessante, eu queria saber como era sofrer por alguém tão nova. E quais eram o segredo do amor proibido de Nabokov, com certeza ele iria conversar comigo nos teus diálogos e Lolita seria a minha Bia, e eu com a mesma idade que ela, corrompido fora de hora, perdendo a minha inocência e ganhando a coroa de saudade e indignação, tinha outro melhor do que eu, e eu nunca tinha passado de uma segunda escolha, o amante perfeito que gosta e vive dela, ela tinha dois, realmente dois nas suas mãos.

Puxei uma cadeira e me sentei, não era o único de lá. Tinha mais uma garota se apresentando. Ela dizia os diálogos de Lolita como se fosse um longo monologo que retratava desde o começo do romance até o final dele, seria o final mais triste. Humbert Humbert sozinho, com a platéia vazia e só as minhas palmas para parabenizar a sua apresentação.

Antes que descesse do palco, a garota recitou o poema que deu origem a obra de Lolita, era a poesia de Nimphets. As ninfetas. Nabokov tinha criado a palavra que seria mais usada no cenário jovem. E ela sabia de todos os detalhes do ucraniano, como se tivesse conversado antes dela apresentar. Fiquei maravilhado com tamanha atenção que ela deu para a sua performance. O meu coração vibrava assim como quando eu li pela primeira vez o livro. E ela era a Lolita do palco.

Tão viva quanto a jovem de doze anos das paginas desbotadas de Nabokov. Esperei que ela terminasse e então aplaudi, com o som ecoando pelo palco vazio. Ela se assustou, não esperava que tivesse alguém a vendo. Eu sorri, para que ela tivesse segura de que tinha feito um bom trabalho. Ela fechou os olhos e engoliu a honra de atuar tão bem, representando os infortúnios de uma garota tão nova com desejos tão adultos.

Ela desceu e se apresentou para mim como Julia, eu decidi chamá-la de Jiyu, mas isso eu explico depois. Ela tirou o seu livro da sua bolsa e tinha capa azul, o meu era a de capa branca com a boneca loira sentada num fundo transparente. Por mais diferente que fossem era a mesma historia, e uma terceira estava acontecendo naquele mesmo momento. Sua franja não escondia a timidez de Jiyu. As sardinhas no teu rosto coravam junto com sua bochecha e eu a disse que tinha achado a coisa mais bonita do mundo sua apresentação. Ela não sabia onde enfiar a cara e nem eu diria onde poderia ser.

Ficamos debatendo sobre a complexidade da historia de Lolita e ela me calou com um beijo. Eu não sei porque fui escolhido mas não poderia ser outra pessoa. Ela afastou os seus lábios do meu e voltou a conversar normalmente, como se nada tivesse acontecido, para mim era motivo da terra parar e eu ter borboletas no estomago, como se sempre fosse a primeira vez que eu me emocionasse, ou que meu coração batesse rápido.

Jiyu pediu para que eu recitasse também, pois não era justo apenas eu ser o jurado. Eu não era tão fã de contracenar, na verdade até era, mas a timidez era tão grande que eu travaria. Aceitei o pedido, era tempo de mudar. Ir além.

Subi no palco e Jiyu se sentou tranquilamente na cadeira mais próxima. Fiquei olhando para um ponto fixo no nada e as palavras foram saindo, eu não me sentia dominando a situação, era como se estivesse no piloto automático, mas podia ver que fluía, e ela ria e suspirava, como se eu tivesse fazendo parte da cena e eu era o palco vivo.

Por sorte eu tinha escolhido Bukowski. Na época não o conhecia tanto, mas Jiyu tinha gostado da minha escolha. Ambos estavam interessados e isso poderia dar bons frutos. Convidei-a para tomar uma cerveja e conversar mais sobre como fomos parar no palco juntos.

Jiyu falava de uma maneira tranquila como se não fizesse força nenhuma para que suas cordas vocais emitissem sons. E era bom ouvi-la falar, como se fosse meditação numa montanha bem alta, tocando o céu e ouvindo só a brisa bater contra meu rosto, e ela falava, falava, falava. Falou tanto que entardeceu e tivemos que pegar um quarto. Estranhei Jiyu ter dado a ideia para tal. Imaginava as mulheres mais difíceis, mas seria bom para mim de qualquer maneira.

Deitamos na cama e ela se afasta. Me aproximo sem perceber que estava indo além do que deveria. Beijo Jiyu e tento tirar a alça da sua camisa, ela segura a minha mão e me olha no fundo dos olhos, sem me dizer nada eu consigo notar que ela não queria ir além daquilo.

– eu prefiro esperar.

Eu não sou do tipo que obriga uma mulher a fazer o que ela não quer, mas não desisto fácil. Continua beijando-a pelo pescoço e roçando o meu dedo pelas curvas do seu corpo. Mas ela volta a dizer que prefere esperar e a sua palavra é a última.

Dormimos abraçados, sinto ela chorar mas estou cansado demais para descobrir o motivo das suas lagrimas e acabo pegando no sono. Quando acordo, assustado com medo de vê-la chorando a noite toda, não encontro mais Jiyu na cama. Ela partira.

  Compra no boleto e paga na lotérica
   Baixa aí que é de graça

amazon-iconsaraiva icone clube icone google play  icone agbook

      twitter 

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s