Mundos paralelos

Somos todos frutos do nosso próprio passado. O espelho de tudo que já fomos e deixamos de ser. O resíduo de um futuro planejado. Somos o que deu pra ser, é o que tem pra hoje. Somos muito mais do que imaginamos, sendo que a imaginação permanece na inexistência e quando algo físico se torna real, vai além do que podemos explicar, e o que é se realizar, afinal?

Transferimos o prazer para momentos espetaculares ou incomuns, deixamos de lado o principal motivo que nos deixa capaz de sentir prazer, que é a vontade inócua de sentir, basta querer sentir. A mente é tão forte que conseguimos escolher qual sensação que sentiremos. Se é mais intenso, raso ou misto. É tão hilario ser o único que entende o que se passa dentro da cabeça, e o mundo está longe de saber o que você tem a dizer.

É preciso ser amigo para ficar próximo, mas e quando nos afastamos sem querer? Sem saber o motivo ao certo? Eu sou assim por minha culpa. As pessoas andam tão estressadas, preocupadas com os seus próprios narizes e rabos, enquanto clamamos por socorro bem baixinho, sem querer atrapalhar ninguém. Grita, grita, grita, tão baixo que as formigas não te escutariam, nem os animais selvagens, nem os peixes pescados.

Voltamos para casa e fingimos que está tudo bem. Nos sentamos a mesa e comemos com nossa família, ninguém conhece ninguém. Onde estão os meus amigos? As pessoas mais próximas de mim, que conhecem cada passa que eu dou. E eu pergunto deles? Preciso conversar com os meus pais. Eu só tenho mãe, e sinto que não a tenho, é esquisito. Um dia fui um filho exemplar, hoje sou a sombra do que tento ser todos os dias, mas não consigo ir até o final.

Os batimentos estremecem as minhas vistas. Como se eu sentisse o coração do mundo batendo. É frenético, como eu ouço as mãos tocando no tambor e a caixa de som do meu computador irá estourar, junto com os meus tímpanos e veias. Mais alto! Mais alto! Quero ouvir com o corpo esse som. Ouço, ouço, ouço. É o que tenho a fazer no momento: ouvir a guitarra, o ecó da voz aguda cantando lentamente.

Todas as reclamações não tem sentido quando você pode flutuar. Os problemas do mundo não são mais seus. E a mortalidade do ser humano é tão banal, em Júpiter são todos imortais. Num mundo vermelho, com outros grandes planetas em cima de nossas cabeças, qual a minha preocupação? Paro, friso a parte mais longe do céu e sinto que posso flutuar, quais acordes de violão me acompanharão?

Gosto do fogo que me esquenta quando sinto a cabeça fria. Gosto do gelo que me refresca quando o corpo pulsa quente, quase derretendo. Gosto de como me sinto do seu lado. Como se minha outra metade tivesse encontrado finalmente o encaixe, e eu não posso desistir antes de juntar todas as partes do meu quebra-cabeça. E como quebro minha cabeça, são tantos tombos e desastres. O mundo se afundou no caos cinza de metal, e não há flores que perfumem o meu jardim de pedras. Duras rochas. São fragmentos de montanhas movidas, tão distantes do chão, tão perto do céu, lá onde quem pensa flutua. Estamos todos flutuando no universo, afinal.

Pensamentos, memórias, imaginações, alucinações de um mundo melhor sem se mexer para mudá-lo. Sem saber como melhorá-lo. E eu que já fui o futuro do mundo hoje sou o presente do que podemos presenciar, e nada me de dizer que já fomos melhores, cada dia é pior que o outro, estamos caminhando para o fim.

Tantos sorrisos falsos tentando disfarçar o nosso caminho para a morte natural, que perdi o interesse em tentar da maneira comum. Só deixo que o tempo passe, e leve com ele todas as impurezas e negatividades, e te deixe a força necessária para flutuar, enquanto todos se matam, você flutua, junto dos pássaros e mundos paralelos por aí. Qual é o seu?

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