Pelo mal que você causou

A moça meiga que um dia era flor, mas agora já se flor…

Perdeu a meiguice no olhar e assim, como se o amor fosse vento,

Como se fosse poeira em uma casa velha esquecida,

Dissipou, partiu, varreu, morreu, voou pra longe;

Pelo mal que você a causou.

De tantas bocas que tinha a noite,

A única que tinha língua feriu pra sempre quem pra sempre amara,

Agora ela é dor. Espinho que machuca quem dela se aproxima.

Ferida, corte, pedra no caminho, topada que sangra;

Pelo mal que você a causou.

Procura quem vai ouvi-la e tudo que lhe cerca são paredes.

Duras, imóveis, frias, perenes, estáticas, quase ela, mas paredes.

E que ainda valem mais que ela – assim julga – , pois apoiam-na enquanto chora e desaba em dor.

A dor de hoje não ser mais humana, antes monstro;

Pelo mal que você a causou.

No ápice do seu desespero, tem paúra em pensar,

Um ser mutante assim sem fé, sem afeto, sem motivos, sem forças de ser,

Um olhar ermo no mundo, perdido em inócuo labirinto,

Sendo razão do sofrer de quem deveria ser contentamento e amor como sempre foi.

Assim ela vive hoje, pelo mal que você a causou.

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