Mais ou menos cinco Haitianos

Olha como nos complicamos a porra toda. Os hospitais foram construídos para atender as necessidades da população. Na constituição brasileira abrange os nossos direitos como humano, até então está tudo muito lindo, até que você Haitiano leva tiros junto com seus amigos, por um individuo que se intitula o “salvador dos empregos para brasileiros”, e tem que voltar pra casa porque nenhum hospital quer te atender.

A questão não é querer te atender ou não. Você tem um buraco no peito, porra. Não é possível essa indiferença dos profissionais da saúde com quem eles sabem que irão morrer caso não forem atendidos. Eu tento encaixar quais são os critérios na mente de um ser humano para fazer essas escolhas naturais de quem vive ou não. Salvar a vida de um brasileiro ou de um imigrante?

Sem duvida é uma decisão que poucos teriam a capacidade de responder corretamente. Entretanto qual o correto? Etnia, cor de pele, idioma… tudo isso não se torna nada quando estamos pela vida e a morte. Mas você é obrigado a voltar para casa e sentir as dores do falecimento e chagas chegando, bem no seu sofá, com seus filhos e esposa olhando, chorando e sem poder fazer nada, além de um simples curativo com álcool pra não infeccionar tanto.

– marido, quem fez essa maldade com você?

– os frutos do sistema.

– mas os hospitais deveriam te atender.

– tanta coisa deveria ser feita, a vida de um negro Haitiano não irá pensar na balança de mediocridade deles.

– papai, porque você está sangrando?

– garotão, isso daqui é o suor do papai, não se preocupa.

Vestiu a camisa e escondeu as feridas. Nada de novo no fronte, é a rotina de quem está tentando sobreviver de alguma forma, e as terras do “povo solidário” poderia ser a melhor escolha – talvez num futuro que nem exista – e eles continuam, concentrados no centro de São Paulo, vendendo seus produtos, recebendo a truculência dos nossos frutos. Por um lado são trabalhadores se qualificando da maneira que podem para sobreviverem do que conseguem nas ruas, do outro lado são a mesma coisa, seres humanos que escolheram trabalhar pra avançar ou sobreviver, você escolhe como vai fantasiar a história dos negros que falam esquisito.

Ainda bem que você que está me lendo agora não tenha nenhum parente Haitiano sendo assassinado pelo simples fato dele existir por aqui. De graças a Deus por não ser um Haitiano e por mais que você tenha problemas, nenhum deles estão sendo decididos com um revolver a queima roupa tentando acertar os seus pontos vitais.

Esquente seu café, coloque as pantufas, ligue a luz da sala e sente-se no sofá com seu computador no colo. Abre a janela do seu mundo virtual, tome um gole do café quente e amargo, e veja o que anda acontecendo no mundo inteiro. Não se preocupe tanto com os fracos e oprimidos, não há nada a ser feito “eles escolheram isso”, são questões de escolhas, não é mesmo?

Escolha deitar a cabeça no seu travesseiro sem pensar no que pode estar acontecendo em casas como a sua, ou com pessoas como você. Não esqueça de anotar: baixa perspectiva de vida. De manhã quando acordar poste uma foto da natureza com o sol, será um ótimo bom dia.

E quando acordar de verdade, tente fazer do seu dia o melhor dia.

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