Limitação informativa

Abro o meu celular, e entro na minha rede social. Lá esta a informação que me deixará por dentro de tudo. Apenas passo os meus olhos pela manchete. “Menino de doze anos faz duas vitimas a essa noite”, vou direto para os comentários. “tem que morrer”, “quem tem dó leva pra casa”, “queria ver se fosse com sua família”. Como eu irei formar a minha opinião?

Pulo desse pico e vou para outro. Passo os olhos pela manchete sobre a morte de um grande ídolo da música popular. Tem uma multidão comovida, estranhamente maior do que as que o seguia enquanto era vivo. Dentro delas existem suas divisões. Aquelas que o acompanhava desde o inicio de sua carreira: a minoria. A maioria que se resultava em consumidores de musicas comerciais e tendências. Porém, tinha uma categoria muito peculiar, aqueles disseminadores de ódio. A fonte do ódio coletivo. Os não-fãs que denegriam a imagem do artista já falecido e ainda se utilizavam desse fato para diminuir o efeito de sua morte. Não bastando essa divisão especifica diante da morte de um ser humano de nome na mídia, um cronista se doou a contribuir com a literatura para divagar o seu conhecimento sobre os acontecimentos e comportamentos sociais do seu dia-a-dia e foi hostilizado pelos fãs do pobre morto. Criou-se então um julgamento para acusar aqueles que gostavam de sua musica e para os que não gostavam, mas quem garantiria que iria se safar aqueles que sentiam empatia e comoção pelo próximo, talvez para seguir o embolado da multidão que chora. Sorrir é tão bom quanto chorar.

Fechei o meu celular e então me desconectei do mundo. Afinal, meu mundo é minha rede social, finalmente nossa realidade ficou pratica e simplificada. Podemos lidar com todos os problemas sociais num simples toque na tela ou num clique, será mesmo?

Decidi voltar para o mundo e ver novamente todos os problemas que estavam acontecendo em minha volta. Atriz enche o corpo de silicone e quase morre, vai parar na UTI e muitos se comovem, outros querem sua caveira. Não são adeptos ao investimento na beleza física, possivelmente é a camada da sociedade proletariado que não pode bancar esses tipos de cirurgia. A moça é tão audaciosa que pousa toda estourada pros jornais e isso causa mais comoção, mas não entre todos, tem muita gente mal querendo ver mais mal ainda pra se alimentar. Ela passa dessa fase ruim e se torna evangélica, e como se não bastasse, lança a sua linha de roupas evangélicas e mais uma vez Deus derrama os seus frutos/bens sobre os seus fies.

Desço a roleta do mundo e vejo igrejas enriquecendo com o dinheiro dos seus fies. Mas tem aqueles que falam mal disso e criam as suas conspirações dizendo que os pastores estão roubando o povo. Não aguento tanto julgamento desses reaças mal informados e julgadores. Desço mais um pouco e vejo a manchete “fies jovens se caracterizam soltados e marcham para Jesus”, nessa mesma igreja foi encontrado armamento pesado. Graças a Deus estamos nos armando contra o mão. Nada melhor do que fazer a justiça em nome de Deus assim como na hora de captar a renda de cada integrante da empresa religiosa em seus variados seguimentos, seja ele de oração, exorcismo, enriquecimento ou investimento na obra de Deus.

Mudo de canal ou melhor: desço mais pela roleta e muitas outras manchetes me escapam, mas eu já não estou com tanto tempo para ler tantas matérias assim, está na hora de tirar a minha foto com os braços esticados para cima e dando aquele sorriso, preciso mostrar para os meus amigos que estou muito feliz e bonito, afinal, o mundo nunca esteve tão tranquilo e monitorado.

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