Tempos de Ouro [10] – Circunstâncias deliciadas

Bebemos mais pela noite e eu descobri o que era a vida de um famoso. Várias mulheres aparecem em sua casa, vindo de todas as partes da cidade, como se todas tivessem recebido convites ao mesmo tempo. É um entra e saí da sua casa que eu nunca vi igual. São empresários, pessoas famosas e os agentes do Yudi, ele não queria muita fama, apenas manter os seus fãs por perto.

Yudi canta e recita poesias românticas, o maior sexy single do Japão, fez uma festa na casa dele na zona sul. Apareceram varias mulheres e ele me disse para esquecer Sári. Ouvi seu conselho e decidi não causar nenhum transtorno naquela noite, então segui seu conselho. Fiquei com duas garotas que me embebedaram e colocaram drogas no meu copo. Fiquei inconsciente e elas me roubaram. Acordei com Sári cuidando de mim.

Me apaixonei pela sua atitude, ela tinha aparecido na hora em que eu mais precisava e menos esperava que ela aparecesse. Me afastei do Yudi para ficar com Sári. Era o certo a fazer, pois não tinha como sobreviver a todas as suas festas e ressacas.

Eu estava em casa quando ouvi meu telefone tocar.

– Cara, por favor, venha até aqui, é urgente! – disse Yudi na linha.

     Fui o mais rápido que pude temendo que ele estivesse tendo alguma crise de tanto usar drogas. Chegando lá, Yudi me recebeu com um sorriso sarcástico nos lábios.

– Seu filho da puta, me deu um baita de um susto! Pensei que estivesse morrendo. – disse a ele.

– E estava meu velho, é um saco ficar aqui sozinho. Vamos escrever algumas poesias. Você está me devendo, lembra?

Infelizmente ele estava certo. Yudi tinha me apresentado uma das garotas mais fascinantes que eu já tinha conhecido, e ajudá-lo a escrever alguns versos não era grande coisa, eu podia fazer isso tranquilamente.

     – Tudo bem, mas não preciso das suas drogas, eu funciono melhor sóbrio, entendeu?

– Meu velho, nunca conheci alguém tão careta como você.

– Eu quero que você se foda, seu droguinha.

– hahahahaha, por isso que gosto de ti, meu velho. Vamos, quer uma cerveja?

– Isso eu aceito, está gelada?

– Trincando!

Yudi foi até a cozinha e eu me sentei na cadeira do seu escritório. Era um belo lugar, totalmente planejado, de frente para a piscina, uma paz e beleza arquitetônica indescritível. Escrevi os primeiros versos quando ouvi passos de salto alto subindo as escadas, vindo direto para o escritório, e eu não me lembrava do japonês se vestindo de travesti.

– Olá, você que é o verdadeiro poeta, então? – perguntou a moça que vestia apenas um roupão e salto alto.

– Quem é você? – indaguei.

– Sou uma amiga do Yudi, me chamo Ruby.

– Ah… sim… Ruby. Sou o Victor.

– Sei quem é você. Se apresenta naquela boate. Sempre com palavras eróticas, lindas fantasias.

– Muito obrigado, eu acho. – respondi timidamente.

– Não precisa ficar sem jeito… pelo visto está sóbrio não é?

– Sim, estou esperando a cerveja, mas acho que o Yudi deve ter se entretido com alguma droga lá em baixo.

     – E está mesmo, acabei de vê-lo mandando um tiro pra dentro, você deveria fazer o mesmo, é a melhor ferramenta para a escrita.

– Minha linda, se fosse mesmo, ele seria o melhor escritor de São Paulo.

– De São Paulo não, mas no Japão ele faz um baita sucesso.

– É, verdade…

Ela se aproximou, com seu cheiro de colônia barata. Tirou um saquinho do meio dos peitos e se sentou a mesa comigo.

– Você tem um cartão? – me perguntou.

– Espere – disse enquanto procurava nos meus bolsos.

Ruby se levantou lentamente, rodeou minha cadeira, se debruçou em mim e tirou um cartão do bolso da minha camisa.

– Ei… eu não lembro de ter nenhum cartão na minha camisa!

– Relaxa bobinho, você vai gostar.

Sentou-se novamente, esparramou o pó na mesa de vidro e alinhou uma fina carreira com o cartão, que logo guardou nos seus peitos.

– Vai em frente poeta, essa corrida é sua.

Vi toda a minha vida pacata e careta numa fração de segundos. Olhei para Ruby e a vi mandando beijos para mim com seus lábios pingando de batom. Aquela era a minha corrida. Inclinei-me, tampei uma das narinas e funguei, mandei a carreira inteira pra dentro, cheguei ao final da corrida.

– Calminha aí iniciante, era só pra sentir o cheiro. – disse Ruby aflita.

– O que? Não era tudo? Como assim? – perguntei nervoso.

Ela ficou em silêncio me olhando, até que não aguentou e caiu na gargalhada.

     – Estava só brincando, você devia ver a sua cara, bobinho. Foi hilária, vê se para de neura, relaxa, curte aí, tem muito mais.

– Sua danada – me levantei e fui em sua direção – você se acha engraçada, hein?

Encostei meu rosto no dela encarando-a. Minha visão estava esquisita, o sangue corria mais rápido, meu corpo estava mais forte e disposto, como se eu fosse um gerador de energia.

– Olha esses olhos dilatados, era isso que eu queria ver. – disse ela.

Ruby só precisou esticar seus lábios para tocar os meus. Me beijou sorrateiramente e eu não tive como negá-lo. Tínhamos dividido um momento único na minha vida e merecia uma comemoração a altura. Desabotoei o primeiro botão da minha camisa, quando ouvi novamente passos subindo pela escada.

Me recompus e sentei rapidamente na cadeira, devo ter feito isso em menos de um segundo. Peguei o lápis enquanto minha mão tremia. Tudo tremia. Yudi estava com minha cerveja na mão e o nariz todo branco.

– Ei, ei, meu velho, vejo que andou colocando essa boca nas minhas terras. – disse ele.

– Que nada, japa, foi só um impulso.

– Não tem problema nenhum, é preciso dividir para conquistar.

– Bom, se você diz, quem seria eu para contestar.

Ruby se levantou e foi até Yudi, pegou a cerveja da sua mão e abriu girando a tampa de baixo do antebraço. Mulher de fibra.

– Uhhh, essa é a Ruby que eu conheço, tira esse roupão meu amor, vamos brincar. – disse Yudi já alterado.

Ruby deixou o tecido azul bebe cair deslizando pelo seu corpo escultural. Antes mesmo que o roupão tocasse o chão, eu já estava vendo estrelas. Ela se agarrou no japonês e ele a trouxe no colo até mim. E naquele dia decidi não falar sobre as irmãs, devido as circunstancias delicadas.

 

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