Penélope

Fios ruivos, pintados com tinta. É difícil conhecer uma ruiva que seja natural, eu sempre fiquei nessa busca insaciável, mas estou vendo que terei que desistir, ou deixar que elas venham até mim sem pressão. Não está escrito na minha testa que tenho uma queda por elas, mas conversando comigo irão notar.

Penélope, esse era o nome da criatura do cabelo vermelho de tinta. Ela era um tanto estranha, na questão de auto-julgo. Era até engraçado, ela queria me conhecer, estava em busca de um namorado, e viu em mim a oportunidade disso acontecer. Por mim, tudo bem, queria conhecê-la também, não temos outro caminho a trilhar a não ser do conhecimento e exploração do desconhecido.

Ela foi a uma de minhas apresentações, num sarau em São Paulo. Chegou logo no comecinho, foi uma das primeiras pessoas a ir. Disse que tinha lido algo bem romântico no meu blog, e que queria conhecer quem era aquele escritor que tinha tantas palavras bonitas. Eu fiquei sem ter o que dizer porque ela tinha lido os contos do inicio da minha carreira, então, eram de gêneros mais melosos e delicados, e o que eu iria apresentar naquele dia seria completamente o oposto, mas por ela ter seus 22 anos, imaginei que seria madura o bastante para separar as coisas e continuar interessada em mim, bom, é bom esperar o melhor.

Enquanto conversávamos o apresentador meu chamou, tive que me retirar e dei-a um selinho, ela ficou de olhos arregalados, talvez eu tivesse sido muito depravado, mas fiz o que deveria ser feito e fui até o palco. Peguei meu livro de poesias e abri em uma pagina qualquer. Eu não gostava de escolher o que eu ia ler porque era um cara indeciso, passei a depender do acaso, e isso não me fazia mal.

Estava nervoso, eu não tinha me acostumado a se apresentar. Enquanto meus outros amigos já tinham a manha, eu ainda estava aprendendo, era um eterno aprendiz. Penélope ficou me olhando com ar de admirada, mas eu não sabia o porquê daquilo, era apenas um teatro, nada de mais, as cartas verdadeiras jogamos entre quatro paredes. Terminei de me apresentar e voltei a falar com ela, sua expressão tinha mudado.

– Porque você não me disse que falava sobre mulheres dessa maneira? – perguntou Penélope.

– Mas eu pensei que você me lia…

– Sim, eu lia, mas foram textos mais bonitos do que isso daí.

– Oh… linda, não tem problema algum, é apenas literatura.

– Ah, então nós mulheres somos apenas literatura para você?

– Claro que não, é que quando eu bebo acabo escrevendo dessa maneira, é para me expressar melhor, linda.

– E outra, você bebe demais, não tem vergonha disso?

– Não tem problema algum em beber uma cerveja, linda.

– Você tem alguma religião?

– Minha família é evangélica e eu acredito muito em Deus.

– Evangélico e bebendo assim?

– Mas não tem nada de errado com isso, não estou fazendo mal a ninguém.

– Está fazendo mal a si mesmo, e olha seus versos, de onde você tira tudo isso?

– São coisas que eu vivi…

– Ah, não vai me dizer que… tudo que você escreve… é o que viveu?

– Isso mesmo, são textos autobiográficos.

– Nossa, eu tenho medo de você, sério.

– Oh, minha linda, tanta gente má para ter medo, e vai ter medo logo de mim?

– Mas é claro, tudo o que você vive, você escreve, isso está errado!

– Não… é o meu trabalho, tenho mais facilidade de escrever assim, como com ficção pro exemplo.

– Eu não admito isso, sua vida é um livro aberto, meu Deus…

– Mas que medo é esse dos outros saberem o que você faz?

– O que eu faço é problema meu, ninguém, precisa ficar sabendo, eu não vou escrever sobre o que eu vivo.

– E ninguém disse que iria, muitos escritores escrevem, é normal.

– Olha, sucesso pra ti, mas eu não serei seu próximo troféu que você ira escrever nos seus livros, boa noite.

Foi então que ela se foi, girou os calcanhares balançando aquele cabelo vermelho lindo, rebolando sutilmente aqueles quadris… é, isso acontece na vida de todo mundo, pessoas que são impulsivas, mesmo perdendo elas rápido, são as que mais me atraem, mas Penélope não quis nem saber da sinopse de sua historia, que pena. Bom, onde quer que você esteja Peh, esse conto é pra você.

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