O Estrangeiro – [6] Uma voz

Uma voz entrou pelo quarto, vinda do corredor, como se estivesse percorrendo desde a rua para meus ouvidos. Meu medo aumentou, e eu que não era de sentir medo de nada, estava começando derreter em suor, e a dor de cabeça me deixava mais cansado, eu conseguia ouvir meu coração pulsar sobre minha visão, como se ela dilatasse a cada batida “tum… tum… tum…”

Uma voz, um corredor, um quarto e um estrangeiro, mas eu não estava sozinho, olhando para todos os lados, percebi manchas negras nos cantos dos tetos das paredes.

A luz se apaga novamente, assim como se apagou quando notei que o elevador não estava mais em funcionamento. Foi então que a escuridão se alastrou em toda a parede, e começou a descer para o chão, como se fosse uma fumaça forte de petróleo queimando, e o cheiro que estava atacando minhas narinas, era de matar, uma mistura de enxofre com gases naturais, e carne podre.

Na minha tentativa de cobrir o nariz com meu palito, outra surpresa, o palito não estava mais no meu corpo, e então, tirei a camisa e amarrei no rosto.

Uma vantagem, o cheiro que poderia fazer-me desmaiar minimizou, mas a fumaça estava quente, e queimava lentamente os pelos da minha pele.

Caminhei ate a porta, segurei a maçaneta, sem muita força, ela estava quente, com a mão queimando por apertar a maçaneta, na tentativa de abri-la, a própria saiu na minha mão, deixando minha situação ainda pior.

Não desisti de fugir do quarto, concentrei todas as forças que me restavam no meu braço esquerdo e tentei arrombar a porta com pancadas, uma… duas… três … quatro vezes, era inútil, nem barulho eu estava causando mais.

Sem saber o que fazer, pude ver a escuridão do quarto pelos estalos da lâmpada, que estava acendendo e apagando. Aproveitei para localizar a janela que tinha no quarto.

Avistei a janela ao norte, porem quando a luz apagou e acendeu novamente, a janela desapareceu, e reapareceu, ao sul, e depois ao leste… “para onde eu corro? A janela não tem local fixo, como eu vou sair deste quarto?”

Comecei a contar as vezes que a luz apagava e acendia, e os locais em que a janela aparecia, para de aproximar de alguma extremidade e então tentar abrir a janela no ponto certo da luz, fui para o sul, pois estava a apenas alguns centímetros de distancia, e quando estava quase encostando a mão sobre a parede negra, a janela parou de aparecer, a luz continuou apagando e ascendente, mas a janela não se mostrou presente, minha única saída, desapareceu.

Logo após a janela desaparecer, a porta do banheiro desapareceu, a luz acendia e apagava cada vez mais rápido, e a cama também desapareceu, após a cama, a porta da entrada, e eu me deparei com o quarto sem nenhum móvel, apenas parede, chão e teto, todos negros. Foi então que eu acordei tremendo e todo suado. Olhei para cima e a luz estava ligada, estranhei. Meio aturdido por causa do pesadelo, joguei as pernas para o lado para sair da cama e a luz voltou a piscar, o sonho era real.

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