Minhas Mulheres [Capitulo 33]

São Caetano. Não sei se é assim que se inicia um conto sobre assassinato. Mas se fosse eu começaria com: São Caetano, ano de 1998, em uma tarde silenciosa, Noemi, escritora de romance, esbanjava da sua última venda para o cinema. Quinhentos mil reais, era o que ela tinha faturado com um simples texto que enviara para o diretor de filmes de comedia romântica, Himbaund Jullius, da Globo Films. Era um filme ridículo, um daqueles enlatados nacionais, porém o texto dela era bom, um dos melhores contos do ano.

A ideia inicial dela era escrever e contracenar. Na verdade esse sempre fora seu sonho, mas as oportunidades nunca apareciam e ela só conseguira espaço no mercado literário depois de velha, então os papeis ficaram ainda mais escassos. Ela decidiu que só escreveria e assim se aprofundou mais e conseguiu escrever algo de quinhentas pratas em dinheiro vivo.

Me surpreendi quando soube da noticia. Eu que sempre escrevia e nunca tinha ganhado nada. Fiquei furioso e fui até a casa dela. Toquei a campanhinha.

– Olá, posso ajudar? – perguntou Noemi ainda de roupão.

– Você que é a famosa Noemi?

– Sou eu sim, no que posso ajudar? Senhor?

– Sou Daniel, muito prazer.

Estendi a mão e ela respondeu com um aperto muito sutil.

– Posso entrar pra trocar algumas palavras? Sou jornalista.

– Mas é claro que sim, entre, por favor.

Noemi abriu a porta e eu atravessei. Estava dentro do pote de ouro. Me encaminhou até a sala e ofereceu seu sofá para eu me sentar. Escolhi o menorzinho, longe da janela. Ela sentou do meu lado.

– O senhor bebe alguma coisa?

– Não em chame de senhor, pode me chamar de Daniel mesmo.

– Ah, como quiser, Daniel, aceita um vinho? Cerveja? Suco?

– Eu gostaria de uma cerveja, por favor.

– ótima escolha, tem bud na geladeira, deve estar estralando de gelada, só um minuto.

Foi até a cozinha rebolando sua bunda de baixo do roupão. Nem tinha se ligado que estava completamente nua por de baixo daquele pano fino, me deixou excitado.

Eu não conseguia chutar a sua idade. Trinta e cinco, quarenta, quarenta e cinco? O corpo era escultural, daqueles ainda em forma depois de muitos anos de vida, mas o rosto não agradava tanto. Tinha rugas como: pé de galinha, vasos estourados no pescoço, um pouco de papa e bolsas nos olhos. É lógico que um homem de verdade não liga para esses tipos de coisas. São como as diferenças de varizes e estrias. Qual homem que sabe?

– Aqui está, Daniel – trouxe a cerveja – gelada como eu falei.

Sentou do meu lado e colocou vinho na sua taça, encheu até a linha. Me olhou esperando alguma resposta sobre a temperatura da garrafa. Me toquei.

– Ah, sim! Muito gelada, eu estava com uma sede, você me salvou.

– então estamos quites, eu estava aqui sozinha nessa noite tão calorenta e você me salvou.

Sorrimos com o canto de nossas bocas e bebemos. Ela tinha boa garganta, o vinho descia suave e com fluidez, fiquei pensando o mesmo sobre meu pau descendo e voltando por ali. Ela poderia ser daquelas que dá mordidinhas.

– Você morde? – perguntei de repente.

– Oi? Eu não entendi – engasgou – pode repetir?

– Eu pensei alto, me desculpa, me da um pouco desse vinho?

Noemi esticou o braço e eu alcancei o vinho. Notei a marca forte de batom no copo onde ela havia bebido, girei o copo e matei.

– Humm, você bebe bem, hein? O que é que faz da vida além de ser bom de copo.

Peguei minha cerveja, levei até a boca e fiz cena para responder. Tinha que ganhar a minha imagem.

– Eu escrevo, não como você ou como Bukowski, mas eu tento algumas coisinhas eróticas também.

– Jura? – perguntou surpresa – e tem alguma coisa aí que eu possa ler?

– Na verdade tem sim – coloquei a mão no bolso da frente – bem aqui, da uma olhada.

Mostrei um conto que tinha escrito há umas semanas atrás, falava sobre um jovem que tinha iniciado no mundo do teatro e queria chegar as telas do cinema. O personagem era bem detalhado fisicamente, e se assemelhava a mim.

– por acaso, seria você nesse conto? Os detalhes do cabelo escuro, os olhos cor de mel, a meia altura, me parece bastante.

– sou eu sim, mas a parte do teatro ainda não comecei. Estou preso em algumas dividas e não me sobra tempo e nem dinheiro pra contracenar. Mas não deixa de ser o meu sonho. Os palcos.

– Que maravilho, Daniel. – disse alegremente.

– qual o motivo para a alegria minha querida?

– Eu tenho um papel para você! O personagem se encaixa perfeitamente nesse contexto que escreveu.

– é mesmo? Sem brincadeira? Tá de sacanagem comigo!

Noemi se aproximou mais, pousou a mão na minha perna e deu uma boa tragada no vinho.

– Eu não brinco, meu amor.

Piscou os olhos e deixou no ar. Dei um leve sorriso e fixei os olhos no meu papel. Estava orgulhoso, mas aquilo não fazia parte dos meus planos.

– Vou buscar outra cerveja pra você, vejo que bebe bem mesmo. – disse ela se levantando.

– Tem Whisky? Acho que essa noite pode ficar ainda mais quente, e nada com um Jack para alegrar e esquentar o ambiente.

– Boa pedida, tem ótimos gostos,Daniel. Estou gostando mesmo de você.

– Gentileza sua, não esquece do gelo.

Noemi voltou pra cozinha, rebolando ainda mais dessa vez. Fiquei na sala sozinho, olhei para os lados e não tinha nada de extraordinário. A safada tinha muito dinheiro mas não esbanjava com imóveis pelo visto. Deve ser daquelas maçons, que economizam o máximo que pode e investe com consciência. Eu sempre quis entender como é a ideia de acumulo financeiro deles, pois eu nunca conseguia ficar nem com dez reais no bolso, preciso muito de dinheiro.

Tec tec tec. Ela voltou. Com duas garrafas na mão. Vinho tinto e Jack. Colocou os dois sobre a mesa de centro, e sentou-se do meu lado ainda mais perto. Eu conseguia sentir seu cheiro de loção recém passada. Que investimento. Ela realmente investia. Repeti as palavras porque a intensidade junto com a calmaria que as mulheres mais velhas agem diante dos mais jovens é extraordinariamente admirador. É a calma que só os desejos mais profundos são capazes de causar. Noemi tinha classe além de belas palavras em suas obras. Poderia ser uma boa candidata, caso eu estivesse procurando uma, para viver.

Encheu meu copo e encheu o dela.

– Ei, acho que exagerei na dosagem, ham?

– Não, baby, colocou a quantidade certa, vamos virar essa dose.

– Eu não sou muito fã de Whisky, mas vou te acompanhar.

Brindamos e viramos. Desceu queimando, mordi os dois gelos e quebrei-os com o dente. Quase quebrei minha arcada dentaria. Coloquei a mão na boca e grunhi.

– cuidado, tenho dentes sensíveis e senti muita dor.

– Tá tudo bem, me dá um beijo.

Avancei sem esperar por respostas. Lancei meus lábios nos dela que estavam quase abertos para mim, na minha espera, me desejando. Que fase. Quanto nível. Me acariciou o cabelo e massageou meu rosto. Seu toque era comparado com os dos anjos. Não que eu tenha sido tocado por um, mas a sensação não era diferente disso.

– Me desculpe, precisamos falar sobre o seu texto, que ganhou o premio… é… me desculpe – disse.

– Não tem problema algum. Eu sou uma mulher livre, solteira e madura. Consigo lidar com isso, Daniel.

– mas não é justo, eu vir até aqui, tomar seu tempo, tomar sua bebida e ainda ficar me aproveitando de você, uma escritora tão linda e talentosa, é injusto, tem caras que merecem muito mais, não eu…

– Não repita mais isso, o papel que eu te prometi é seu e quero ler mais textos seus, com certeza deve ser um escritor genial.

Cocei a cabeça e sorri sem graça. Tirei mais papeis do bolso e entreguei a ela.

– Aqui estão mais alguns, onde é o banheiro?

– Virando a primeira a esquerda nesse corredor – apontou – e eu vou lendo aqui enquanto você volta.

– Tenho nem como agradecer, Noemi.

– Quando voltar falamos nisso.

Sorriu e eu a deixei ali na sala. Percorri todo o corredor e entrei a direita, outro corredor. As luzes estavam apagadas, mas era possível ver a porta do quarto entreaberta, entrei. Me fechei e acendi a luz. A cama estava bagunçada, os cobertores todos embolados, roupas no chão, abajur quebrado, guarda roupa revirado, que estranho. Andei na ponta do pé e levei e tropecei.

Cai de cara no chão e senti meu rosto molhar. Passei o dedo, ficou vermelho, porra, aquela vadia está menstruada? Me levantei e procurei alguma calcinha, não encontrei e nem tinha cheiro de xico, muito estranho. Inclinei a cabeça e vi um rastro de sangue vindo de baixo da cama. Me ajoelhei e dei uma olhada ali por baixo. PASMEM!

Noemi se irritou com minha demora. Veio em passos largos pelo corredor e não me viu no banheiro.

– Filho da puta!

Eu sentia náusea. Noemi entrou bufando no quarto, seus olhos estavam vermelhos de raiva, eu não imaginava que aquela mulher pudesse ficar naquele estado, como um tigre.

– Que porra de corpo é esse aqui em baixo?

– Seu filho de uma puta, caia fora do meu quarto!

– O que ta acontecendo aqui?

– Não era pra você ter entrado, o que deu em você? Invadindo o espaço dos outros? Saia da minha casa.

– Você é maluca, baby. Mas pode contar comigo, se quiser ajuda.

– Você não iria entender, e o problema é meu, eu cuido disso, sei muito bem me virar.

– A policia vai saber como lidar contigo, é melhor estar preparada pras algemas, baby.

– O que você quer dizer com isso?

Deixei-a no quarto e fui até a sala, estava flutuando nos meus passos, com a situação na mão. Peguei um copo e enchi de Whisky, me sentei e tomei um pequeno trago. Noemi veio atrás de mim bufando ainda mais.

– Você não dá as costas pra mim! Me fale, o que quis dizer com aquilo de policia?

– Baby, é o seguinte – tomei outro trago – esse Whisky está maravilhoso, quer se juntar a mim?

Noemi fechou os olhos e se contorceu por dentro, mas cedeu, sentou no sofá da frente.

– Isso mesmo, assim que eu gosto, companheira de copo – sorri pesadamente – quer o copo cheio?

– Anda logo com isso, caralho.

– Ei, ei, ei, olha como você fala com o novo milionário dessa sala.

– Eu não… não… não acredito, você quer o dinheiro do prêmio não é isso? Vai querer me subordinar!

– Você é muito inteligente, mereceu ter ganhado, viu?

– Hoje é teu dia de azar, o dinheiro não ta aqui, mandei para um banco na suíça, acha que sou idiota? Sabe aquele corpo lá no quarto?

– O que é que tem aquele corpo? Eu não entendi muito bem essa historia do cadáver, o quarto está todo sujo, sua vadia.

– Ele tentou fazer o mesmo que você, e eu só não notei porque veio com esses contos. Não deveria ser um bandidinho de merda, e sim um escritor, está perdendo tempo, idiota.

– Quem vai perder tempo será você, na cadeia, vadia!

Parti pra cima dela, agarrei o pescoço e apertei, seus olhos espicharam pra fora, a língua também, sua boca ficou aberta, do jeito de quando beijamos. Não resisti. A beijei.

– Seu maluco! Eu vou te matar!

Noemi bateu com os punhos fechados no meu peito, aguentei firme os golpes e continuei colado aos seus lábios, apertei sua bunda e ergui sua perna. Ela suspirou. Empurrei-a no sofá, ela caiu com os braços abertos, como se estivesse prestes a tomar uma surra, e iria mesmo.

– Sua assassina! Vai ser punida!

Me olhou com olhar de desejo e sedução. Tirei minha cinta e enrolei na mão. Levantei bem alto o braço e sentei na perna branca de Noemi.

– AAAHHHH!!! AIII, não me bata! AHHHH.

Dei-lhe outra, na outra perna. Ambas ficaram vermelhas. Virei com violência seu corpo vivido e pomposo. Ela empinou a bunda, desci mais uma lambada.

PAFT!! PAFT!! PAFT!!

AHHHH , AHHHH, NÃO!! NÃO!! PARA, ESTÁ ME MATANDO!!

PART!! PAFT!!

HAHAHAHAHA, SUA CADELA, ASSASSINA! VAI PAGAR PELO SEU CRIME!

AAAHHH, SEU POLICIAL, SEJA BONZINHO COMIGO!

PAFT!! PAFT!! PAFT!!

Arranquei o roupão dela e coloquei a calcinha para o lado. Meti fundo e em meios a gemidos continuei batendo, nas pernas e na bunda, ela estava toda vermelha, assim como o sangue no seu quarto. Ninguém mais morreu naquela noite.

Acordei assustado, os pesadelos estavam cada vez piores. Eu precisava de um emprego e logo.

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