Minhas Mulheres [Capitulo 29]

Estava um calor danado há poucos dias atrás, e agora todos de blusa, congelando. Geava na rua, ainda bem que dentro do escritório tinha ar condicionado. O setor estava morno, tinha como ficar sem blusa, mas eu não tirei minha jaqueta, ela tinha estilo, me sentia bem dentro dela.

Na minha mesa tudo estava bagunçado. O livro do “Crime e Castigo” jogado sobre os processos protocolados, um telefone que nunca tocava, uma garrafa térmica de água que eu nunca enchia. Minha carteira vazia, minha máquina sempre ligada, um pacote de balas para adoçar o pós-almoço.

Era assim, todo dia. O pessoal da minha fileira estava indo almoçar, eles nunca me chamavam, e quando conversavam era raro olharem para mim ou me dirigir a palavra. Algumas vezes eu ouvia algo engraçado e sorria, alguns deles olhavam com desdém para mim sorrindo, mas não retribuíam, era melhor assim. O sistema tinha parado, as pessoas estavam sem ter o que fazer, conversavam cada vez mais alto e a líder do setor chiava e todos se calavam, isso aconteceu por mais algumas vezes.

Desde que começaram os cortes no escritório, meus amigos foram mandados embora. Começou pelo Du, o gordinho, ele era animado, e vivia fazendo piada, talvez seja por isso que fora o primeiro a ser descartado. Depois passaram uns meses e dentre outros que foram embora, 3 amigos saíram de uma vez. Foi um baque muito grande, fiquei magoado, triste, o dia todo mole. Era com eles que eu almoçava todos os dias.

Os dias corriam lentamente, e cada vez tinha menos trabalho a se fazer. O sistema sempre dando problema e os funcionários sendo mandados embora. Agora, apenas 2/3 do escritório era ocupado. As outras cadeiras tinham um aspecto vazio, era como se fosse uma parte exilada do setor.

Eu mergulhava no meu tédio sufocante. Vez ou outra aparecia algo para fazer. A minha função não podia ser exercida por falta de funcionamento do sistema. E de longe eu ouvia minha antiga líder falando. Ela gritava, e todos ouviam, ninguém falava nada, estavam acostumados com o jeitão dela. Mesmo assim, era vergonhoso a ouvir dizer todas aquelas bobagens, mas eu sempre estava ajudando, e fazia tudo o que ela pedia, até porque éramos amantes de serviço, só que ninguém pode ficar sabendo disso.

Certa vez, o sistema parou e ficou por alguns dias sem funcionar, então tivemos que ficar até mais tarde durante a semana seguinte. Na sexta-feira ainda não tinham sido cumpridos todos os prazos e eu tive que ficar até a madrugada, e na minha companhia ficou ela, como que se fosse supervisionar o meu serviço. Antes disso não tinha acontecido nada entre a gente, apenas algumas trocas de olhares que eu mal imaginava que tivesse malícia. Nesse dia, o pessoal foi indo embora e o tempo seguia correndo.

Deram 8 horas e tinha mais umas duas ou três pessoas do outro lado do setor. Passaram-se alguns minutos e elas foram embora. Foi difícil ter de ficar por ali, mesmo que na companhia da minha chefa.

Eu queria estar bebendo com os outros e me encontrava preso, como um animal enjaulado naquele escritório. Foi difícil aceitar a ideia, mas deixei estar, fiz meus prazos e a noite continuava me aprisionando.

Eram quase 10, e a minha barriga começou a roncar, minha chefe até ouviu, a fome estava avassaladora. Não tinha o que comer por ali, então decidimos pedir uma pizza.

– Quer de quê? – ela perguntou.

– Calabresa.

– Vou pedir meio calabresa, meio frango com catupiry.

– Hum, tudo bem.

Desligou o telefone e voltamos a trabalhar. Agora ela tinha se aproximado mais da minha máquina e me dava algumas instruções. Foi quando eu arrisquei a sorte.

– Sabe o que é bom?

– O quê?

– Comer pizza depois de fazer amor!

– HÁ HÁHÁHÁ, estava pensando nisso agora.

– Hum… Que fome.

Fiquei um pouco envergonhado, é que na verdade eu era um tremendo covarde. Mas notei que ela não parava de me olhar. A pizza iria demorar mais de uma hora para chegar, então daria para aproveitar, mas ainda sentia medo de ter investido errado.

– Ah, cansei desses protocolos!

– Tudo bem, vamos parar um pouco.

– Hum, por favor.

– Ok, vem, vamos esfriar a cabeça.

Ela se levantou e pegou na minha mão me puxando, levantei e a segui. Ela queria descer para fumar, mas não podia sair do prédio depois das 8, a não ser para ir embora.

– Não dá para sair agora. – Eu adverti.

– É mesmo, eu tinha esquecido.

– Mas tem a janela, vamos fumar lá.

Do lado da minha mesa tinha uma janela enorme, e fomos para lá. Ela tirou o cigarro da bolsa e acendeu, se prostrou sobre a janela da altura dos seus ombros e ficou ali olhando lá para fora, a cidade era luminosa, pessoas iam e vinham, junto com os carros, e os faróis vermelhos e brancos pareciam vultos. Tocava de tudo lá em baixo nos bares e restaurantes, eu não identifiquei musica alguma – estava nervoso – era o momento que eu iria partir para o ataque.

Não peguei o cigarro que me ofereceu, e quando ela se virou para a janela novamente, colei nas tuas costas.

– Ei, o que foi?

Não respondi. Coloquei as mãos sobre seus ombros e beijei a ponta deles, e fui apertando tuas costas e descendo com os dedos.

– Ei… Você está louco? Estamos trabalhando! Ei…

Não respondi de novo, não tinha o que dizer, não poderia estragar tudo, tinha começado e iria até o final. Virei-a e tirei o cigarro dos seus lábios, coloquei na boca e puxei, olhei fixamente nos olhos negros dela e soltei suavemente a fumaça no seu rosto. Ela franziu as sobrancelhas e eu entrelacei minha mão sobre sua cintura e a puxei contra mim. Joguei o cigarro pela janela e a beijei. Pensei que levaria um tapa, que teria briga e seria demitido, mas continuei beijando. A boca dela estava muito molhada, meus lábios deslizavam, e minha mão fazia o mesmo. Suas costas eram largas, ela era uma mulher de corpo bonito, apertei cada parte. Segurei na tua nuca pressentindo que ela fosse se esquivar, mas sem êxito, e continuei beijando. Não era apenas mais um lance, ou algo do tipo, era a minha chefe, a manda chuva, a superior. Isso me intimidava, porém, não minimizava minha vontade de tê-la, e senti a reciprocidade. Meu corpo se enchia de satisfação e ego, beijei-a com mais força.

– Nossa! Victor… Não sabia… Nossa… Me beija!

Eu não falava um a, realmente não queria estragar, tinha chegado longe. Ela colocou a mão no meu rosto e acariciou, senti que era carinhosa, mas por pouco tempo, pois deslizou os braços entre os meus e abriu minha camisa num puxão que arrancou todos os botões. Olhou para mim com os olhos mais maliciosos que eu já tinha visto e eu retribui. Puxou-me contra ela, e os beijos se intensificaram, tirei toda a camisa e joguei sobre a mesa, comecei a tirar a dela. Era uma blusinha de seda, bem fina, colada a pele, arranquei num segundo. Seus peitos grandes ficaram suspensos e balançando dentro do sutiã, arranquei também. Ela não parava de me fitar, e parecia estar avaliando até o nosso lance, era estranho, mas instigante até a última gota.

Ouvimos buzinas, e ela se aproximou da janela para ver se era a pizza, negativo.

– Já deve estar chegando… E agora…?

Não respondi. Virei-a e a deixei encostada na janela de costas para mim, e enquanto ela checava se alguém chegava, eu cuidava do resto. Tirei minhas calças e levantei sua saia. Ela não se mexia, tinha a postura firme de quando lidava com sua equipe, e isso me deixava ainda mais excitado. Segurei nos teus ombros e a puxei para trás, erguia os pés e a puxava novamente, lentamente, apertava os olhos, mordia os lábios e ouvia o barulho da cidade, as luzes piscavam a todo tempo, pisca, pisca, pisca. Ela se ajeitava, e eu a puxava, as luzes brilhavam, os carros buzinavam, e ficávamos nas pontas dos pés. Numa perfeita sintonia. Mas não tinha jeito, aquela não era minha noite.

– Victor… infelizmente terei que te demitir hoje…

  Compra no boleto e paga na lotérica
   Baixa aí que é de graça

amazon-iconsaraiva icone clube icone google play  icone agbook

      twitter 

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s