Minhas Mulheres [Capitulo 27]

Lolita, foda a minha vida, me derrube no asfalto. Me esfaqueie enquanto eu durmo, jogue fora todos os meus manuscritos. Mije na minha maquina, estrague minhas ideias, mas não vá embora. A graça que tanto procuramos está no seu rosto, enquanto sorri e inclina a cabeça de leve para baixo. O que procurava estava bem aqui.

Há dois anos que eu não me apegava a nenhuma mulher. Não me despertava interesse as bucetas que não se apegavam a sentimentos, apenas a não-sentimentos. A falta de segurança era a nova tendência do mundo do romance, mas eu não o seguia.

Ana entrou no bar e se juntou a mim, suas pernas eram curtas e seus óculos estavam embaçados.

– Vodka com gelo – disse Ana, apontando para mim – ele paga.

Hank olhou para mim e eu confirmei que sim com a cabeça, a garota estava precisando tomar um belo de um porre. Seus olhos estavam borrados, as bochechas vermelhas, caminhos úmidos de lagrimas recém caídas.

– Quer conversar? – perguntei.

A vodka chegou, ela secou o copo num gole. Fibra.

– Pra me levar pra cama no final? Seu merda.

Consenti com a cabeça, olhei para o meu copo, estava pela metade, tomei toda minha cerveja e despejei mais no copo suavemente. Ela desviava o olhar de mim, tinha decepção no teu olhar, alguém ou alguma coisa deveria tê-la decepcionado muito, no mínimo tinha sido alguém, as pessoas servem para magoar outras pessoas, é um ciclo viciante.

– Se quiser conversar eu estarei ali naquela mesa.

Peguei minha garrafa, me levantei e fui até o final do bar, me sentei no canto mais escuro, queria continuar apreciando a minha solidão, e logo tudo terminaria, a cerveja, as luzes, o som, a noite e a vida.

Ana continuou no balcão, bebendo doses atrás de doses, ela não ia agüentar se levantar em pouco tempo. Hank me olhou e acenou com a cabeça, entendi o recado.

A mesa de bilhar estava rodeada de caras com suas garotas. Elas usavam roupas curtas e tinham muita maquiagem no rosto. Já os homens eram todos fortes, cabelos arrepiados, pareciam todos iguais, como os bonecos de lego que eram vendidos antigamente.

Estava na contagem de sete doses quando vi Ana tonteando, me apressei para apoiá-la no meu ombro, por pouco ela não caiu no chão.

– Quer ajuda? – perguntou Hank.

– Tá tudo bem, coloca na conta o que ela tomou, mais tarde acerto com você.

– Ok, cuida bem dela, deve ter tido um dia daqueles. Tomou onze doses de Vodka pura.

Carreguei Ana semi-apagada até o hotel mais próximo. Tentei acordá-la, mas fora em vão. A recepcionista me encarou de cima a baixo, olhava com cara de desconfiança para a adormecida.

– O que que há com essa garota?

– Bebeu muito, apagou, preciso colocá-la em um quarto.

– Me de a identidade dela.

– Só um momento – disse – deve estar por aqui, em algum lugar.

Procurei pela bolsa de Ana. Pente, absorvente, caderneta, caneta, batom, chaves, óculos escuro, porta-óculos, ingressos para um show de jovens, estojo de maquiar e outras tranqueiras, fiquei perdido olhando aquela bolsa.

– Ela esta sem identidade, mas eu posso deixar a minha aqui, não tem problema.

– Ei moço, olha aqui, ta achando o que? Dopou essa menor de idade e agora quer se livrar do corpo? Nem pensar! – esbravejou pegando o telefone – vou ligar para a policia.

– Muito obrigado pela ajuda, mas não será preciso.

Dei o fora daquela espelunca, o jeito seria levá-la para casa. Andamos por vários quarteirões. Ana não dizia nada, estava totalmente apagada. As pessoas que passavam por nós ficavam encarando o rosto da bêbada, toda desconfigurada, como se tivesse sido estuprada e de certo pensariam que teria sido eu.

Coloquei-a na cama e olhei para o seu rosto, apesar de borrado permanecia lindo, tinha uma beleza angelical, os fios do cabelo encobrindo os olhos, dormia feito um bebe. Dei-lhe um beijo na testa e me sentei na cadeira de frente para a cama, ela poderia vomitar a qualquer momento, coloquei um balde próximo.

Teclei alguns versos, escrevia pouco por esses dias, não que não tinha mais ideias, é que estava fatigado. Consumido pelo desespero do sucesso, afundado na pretensão natural que todos nós “artistas” temos diante de nossas criações. Fiquei nervoso, parecia que as teclas estavam se mexendo e fugindo dos meus dedos. Arranquei o teclado e taquei no chão. O assoalho estremeceu e fez um barulho dos diabos, Ana tossiu e vomitou fora do balde.

– Seu idiota, vê… se… me esquece… ta me… entendendo? – balbuciou.

Fui até Ana, me ajoelhei e limpei sua boca. O cheiro ia começar a ficar forte. Peguei um rodo e puxei o vomito, limpei e passei alguns produtos. O cheiro também ficou forte. Ana coçou o nariz e vomitou de novo, mas engasgou, estava de barriga para cima.

– Ei, ei, cospe isso, aqui no balde. – a auxiliei.

Cuspiu tudo o que tinha na boca, mais uma vez fora do baldo, tornei a limpar, mas com menos produto, pra não levantar cheiro. Ana adormeceu de novo. Me sentei na cadeira, abri minha cerveja e tomei um bom trago.

Nem dormi, fiz ovos mexidos, comprei pães, esquentei o café e coloquei o leite na mesa. Não sabia o que aquela garota gostava de se alimentar de manhã. Engoli um ovo e abri uma cerveja, nada melhor do que a cevada gelada enquanto o galo cantava lá fora.

O sol penetrava a janela sem cortina da sala, a casa fedi a bosta de gato, mas meu nariz já tinha se acostumado. Dei uma olhada no pote de comida da gata e estava vazio, enchi-o e troquei a água. Ela veio correndo comer, gato é arisco e interesseiro, apesar de silencioso e limpo.

Fui até o quarto, abri a porta devagarinho e espiei Ana. Ela estava sentada na beirada da cama com as mãos na cabeça. Entrei no quarto.

– Ei, tudo bem? Dor de cabeça? – perguntei.

– Muita dor, e, aliás, onde eu estou?

– Você me encontrou no bar ontem a noite, bebeu a beça, não conseguia ir pra casa, apagou, estava molinha.

– Quem colocou essa roupa em mim?

– Desculpa, eu não olhei.

– Seu puto…

Se levantou e avançou para cima de mim, com os punhos fechados me golpeou no peito, não tinha muita força. Precisava comer algo.

– Tudo bem, pode me bater, mas antes coma algo, preparei café pra você.

Ela parou, me olhou e então me abraçou.

– Obrigada, por tudo, me salvou ontem.

– Você poderia me contar o que houve pelo menos.

– Depois que eu comer, estou faminta.

Ana avançou no pãozinho com manteiga, comeu tudo o que pode e então voltou a me dar atenção.

– Você não prefere deixar isso prá lá, não queria ficar remoendo o passado, me entende?

– Entendo sim, tudo bem, baby.

– Muito obrigada por me entender e pelo café.

– É o que eu faço, ajudo os outros.

– Um dia você vai ser recompensado, mas não hoje…

Ana fez cara feia, eu estranhei.

– Tá tudo bem?

Se levantou da mesa e correu para o banheiro, dava para ver o rastro de vomito pelo assoalho até a porta.

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